XVI.

233 33 33
                                        

Voltei (^-^)/
A época de vestibular é sempre mais sofrida, mas estamos aqui.

Antes desse capítulo, eu quero lembrar que a história é bem intimista e triste, um alcance ao amor quando você perde a si mesmo pelo luto e o que a vida não retorna sem um preço. Então, tenham paciência e confiem em mim, ok?
Boa leitura, bebês. Obrigada pelos comentários e favoritos 🖤

_________________

Quando eu ergui a urna dela
A Divindade disse: O destino não pode ser conquistado ou devolvido
Eu sinto que, quando eu pergunto, minha pele começa a queimar
Por que a minha pele começa a queimar?
Ah, uma perda devastadora
O amor era a lei e a religião era ensinada, mas não me convenceu.

– Fable, Gigi Perez

“É estranho para você?”, Eva perguntou para Ava. As duas estavam sentadas na ponta de um penhasco, observando nada além de neblina à frente delas. “Ser chamada entre dois mundos?”

Ava pensou um pouco na resposta. Não estivera ali muitas vezes, mas o lugar era calmo, por mais que tudo em volta tivesse sido muito conturbado. A menininha deitou a cabeça nas pernas dela e aguardou a resposta ansiosamente.

“É calmo”, Ava respondeu sinceramente, olhando para a criança, entendendo por que era tão fácil para Miranda amá-la de um jeito avassalador. “Mas sinto falta de casa quando estou aqui.”

“Para mim dói. É como apanhar diversas vezes ou sentir fome por muitos dias”, Eva revelou, a mão pequena indo para a própria barriga. “Quando mamãe tenta me chamar, é pior. Me lembra a fome que passamos pela falta de comida no vilarejo quando a gripe atingiu. Sinto dor em tudo e me sinto fraca.”

“Sinto muito, Eva. Queria poder fazer mais, mas não consigo. Nem sei como estou aqui agora, só consigo te alcançar nos sonhos.”

“Você vai saber. Mamãe é muito boa em tentar”, Eva garantiu com um sorriso fraco no rosto. Ela desviou o olhar de Ava e encarou a neblina. “Ela precisa se lembrar de ser boa com as pessoas também.”

“Miranda está tentando alcançar você porque te ama”, Ava respondeu sinceramente, por mais que a afirmação deixasse um gosto agridoce na boca dela, pelo custo que esse grande amor de Miranda tirou dela.

“E você a odeia porque me amar a tornou cega e egoísta” Eva afirmou, distante. “Eu não a julgo. Às vezes a detesto por não me deixar descansar, por me fazer sofrer… Não gosto de Mãe Miranda, mas amo a minha mãe. E não somos todos um pouco egoístas? Tentando sempre buscar o que é melhor para nós mesmos, sem olhar ao lado e ver a dor do outro.”

Ava não conseguiu responder mais. Ela sentiu quando a névoa finalmente chegou até elas e as cobriu completamente. O corpo ficou mais leve e Eva desapareceu diante dela, tornando-se uma sombra prestes a ser apagada. Quando piscou os olhos, já estava de volta ao quarto. Elena dormia pacificamente em um colchão no chão.

Ava levantou-se sem fazer barulho e saiu do quarto, descendo as escadas até o subsolo, em direção à oficina de bonecas. Sabia que Donna não estava dormindo; ela estava perturbada desde a ligação de Miranda marcando uma reunião e com a volta do castelo Dimitrescu. Os ferimentos dela e de Elena tinham sido assustadores o suficiente para Donna exigir uma carruagem para voltarem à mansão no mesmo dia, e ela não falava com os irmãos desde então. Elena manteve contato com as meninas Dimitrescu por telefone, que estavam tão decepcionadas quanto Donna.

CrowsongOnde histórias criam vida. Descubra agora