VII

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Oi, oi, oi <3
Eu sei que demorei, sinto muito. Tive simplesmente o pior começo de ano possível e as coisas começaram a se ajustar agora.
Agradeço cada um dos favoritos e comentários, vocês são incríveis<3
Se tiverem alguma teoria pós capítulo, me deixe saber hehe





"Eu joguei meus braços ao redor das pernas dela
Cheguei a chorar, cheguei a chorar
E eu ouvi a sua voz clara como o dia
E você me disse que eu deveria me concentrar
Foi tudo tão estranho e é tão surreal
Que um fantasma seja tão prático
Mesmo que só por uma noite
E a única solução foi ficar e lutar..."

— Only If For a night, Florence & The Machine

— Às vezes, eu olho pela casa e vejo eles. Mamãe, papai e Claudia rindo e andando por cada cômodo, fazendo desde as coisas mais básicas como cozinhar ou cuidar do quintal, até conseguir enxergá-los dando vida às bonecas que estão pelo corredor. Quando a vida quer me lembrar de forma mais dolorosa, sinto o cheiro e lembro da sensação do toque deles em um abraço apertado. Tento me enganar e acreditar que foi uma consequência de uma mente destruída após o falecimento de Claudia, mas meu coração também me lembra de Mãe Miranda nos sondando por meses.

Donna coloca o álbum de fotos na mesa e caminha até a janela, abrindo a cortina para conseguir enxergar o lado de fora. Karl enterrando o corpo do licano deixado ali, se certificando de não passar dos limites da mansão, para que o túmulo não fosse revirado mais tarde. Ele fez exatamente o que ela pediu, colocou o corpo do licano ao lado da família dela.

— Depois, eu me lembro da voz dela dizendo que eu era sozinha, que eu precisava de alguém para cuidar de mim e me curar da doença da mente que meus pais tinham me passado. Todos nós caímos em um conto sem final feliz, mas a minha culpa me perturba quando meu coração me lembra que eu caí na lábia da mulher que deitou toda minha família nos túmulos gélidos do quintal e me deixou com nada além dessa mansão vazia e uma vida falsa, cercada de amargor e arrependimento.

Donna virou o corpo e levantou uma mão para Alcina, pedindo que ela não falasse nada. Cada ano que passava, eles passavam por um choque diferente. Perdiam alguém. Alcina escondendo um amor de Miranda e limitando o afeto com as filhas e Karl se forçando a uma vida de solidão para não sofrer mais. Todos eles negando o medo, mas se poupando a sofrer novamente com a perda de quem ama, vivendo sobre as sombras para não precisar temer o futuro.

— Fizemos isso com Ava. O que Miranda fez conosco, repetimos com Ava. E repetimos com Gabriella e centenas de pessoas do vilarejo. E ela estava certa. Nunca vamos parar porque somos covardes. Destruímos vidas para manter a nossa. O que nos tornamos? — Donna perguntou, sem esperar uma resposta. Encarou-se no reflexo da janela e virou o rosto, não querendo ver a si mesma e a aparência que veio com tudo isso. — Ela nos molda como monstros e nos transformou nisso. Podemos matá-la amanhã ou fugir, mas Miranda se certificou que nossa aparência se moldasse com nossa monstruosidade inferior para nos tirar qualquer chance de retornar para a humanidade arrancada. Não há nada a ser feito.

— Talvez o perdão nunca chegue, mas as palavras de Ava já mostram que ela sabe que não tem para onde correr. O ódio a cegou por agora, mas nada mudaria o que aconteceu, Donna. Destruímos a vida dela e da família, eu reconheço da mesma forma que você, mas se não fosse ela, seria qualquer outra desse lugar. Não tem como nos arriscar, não posso arriscar as meninas. Mesmo que você e Karl se sacrifiquem por essa causa… ela nunca deixaria vocês irem. Somos parte desse circo. Sinto muito pela sinceridade, mas somos apenas peças moldáveis. Não há fim até que ela escolha.

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