𝟐𝟑

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A mensagem de Maya chegou quando Chico estava sozinho em casa, sentado no sofá, sem muito o que fazer. Ele sorriu ao ver o nome dela na tela, um sorriso que surgiu tão facilmente, como se ele estivesse esperando por aquele momento.

"Vamos nos encontrar na praia hoje à noite?"

Ele não hesitou em responder. "Estou indo."

À noite, a brisa fresca do mar e o som suave das ondas criavam o cenário perfeito. Chico estava na beira da praia, suas mãos nos bolsos e o olhar perdido no horizonte. Ele estava ansioso, mas não sabia ao certo o que esperar. Ele a viu se aproximando à distância. Maya estava com um short jeans, uma blusinha leve e uma rasteirinha, parecendo ao mesmo tempo descomplicada e encantadora.

Eles se cumprimentaram com um sorriso, e Maya se sentou ao lado dele na areia, sem perder tempo.

— Eu nunca imaginei que nossa primeira conversa seria na praia, à noite. — Chico disse, com um sorriso tranquilo, tentando quebrar o gelo.

— Às vezes, é preciso o silêncio das ondas para falar o que está dentro da gente. — Maya respondeu, olhando para o mar, antes de encará-lo.

Chico sentiu que havia algo no tom dela. Não era só a brisa ou o cenário que parecia diferente. Algo dentro de Maya estava prestes a ser revelado.

Ela respirou fundo, dando início a uma conversa que ele sabia que não seria fácil.

— Chico, eu... eu preciso ser sincera com você. — Maya começou, sua voz baixa, mas firme. — Eu sinto algo por você, mas ainda não sei o que é exatamente. É estranho. Eu me sinto confusa, mas, ao mesmo tempo, sinto que preciso te dizer. Algo dentro de mim diz que você merece saber.

Chico a olhou atentamente, sem interromper, percebendo a vulnerabilidade nas palavras dela.

— Eu nunca me abri sobre isso com ninguém, mas... — Maya hesitou por um momento, buscando as palavras certas. — Meus pais... Eles me ensinaram a amar, mas também a sofrer. O que aconteceu com eles me marca até hoje. Eles foram juntos por muito tempo, mas, quando eu era mais nova, vi meu pai se afastando dela, e vi minha mãe se consumindo por isso. Ele nunca foi totalmente transparente com ela, e, no fim, eles se separaram de um jeito que, até hoje, me assusta. Meu pai, simplesmente, se foi, e minha mãe... ela nunca conseguiu superar. Tudo o que eu vi nela foi a dor de alguém que não soube se colocar em primeiro lugar.

A confissão de Maya caiu como uma pedra no silêncio da noite. Chico percebeu que o que ela estava compartilhando não era apenas sobre um relacionamento quebrado, mas sobre a forma como isso tinha moldado sua visão do mundo. O olhar dele se suavizou, e ele se aproximou um pouco mais dela, tocando sua mão, sem pressa de falar.

— Maya, eu... Eu não sei o que é passar por algo assim, mas eu posso ouvir você. E, acima de tudo, posso estar ao seu lado. Eu estou aqui, sem pressa, sem julgamento.

Maya olhou para ele, sentindo uma mistura de alívio e medo. Era difícil se abrir, mas ao mesmo tempo, a sinceridade dele a tocava de uma maneira que ela não conseguia explicar. Ela sentiu uma vontade irresistível de beijá-lo, de sentir algo real e tangível no meio de toda a confusão interna.

Ela se virou para ele, com os olhos brilhando, e, sem pensar muito, puxou-o pela camisa, fazendo seus lábios se encontrarem. O beijo foi suave, mas intenso. Quando ele puxou um pouco mais para si, Maya, em um impulso, subiu no colo dele, envolvendo suas pernas ao redor da cintura dele.

A troca de carinho foi rápida, mas profunda, um momento de entrega mútua em meio a toda a bagunça emocional. Eles se separaram por um momento, olhando um nos olhos do outro, tentando processar tudo o que havia acontecido, sem pressa de quebrar o silêncio.

— Eu não sei o que vai acontecer, Maya... Mas você não precisa carregar tudo sozinha. — Chico sussurrou, tocando seu rosto com delicadeza.

Maya sentiu algo diferente ali, algo que ela ainda não podia entender, mas que, de alguma forma, já a fazia se sentir mais leve.

— Obrigada, Chico. Eu preciso disso. Eu preciso de alguém que me veja, mesmo com as minhas cicatrizes.

A noite continuou tranquila, com as ondas como trilha sonora, enquanto eles permaneciam ali, compartilhando momentos de silêncio e palavras que diziam mais do que qualquer outra coisa poderia expressar.

𝐈𝐍𝐅𝐑𝐀𝐍𝐆𝐈𝐋𝐈𝐁𝐄- 𝐂𝐇𝐈𝐂𝐎 𝐌𝐎𝐄𝐃𝐀𝐒Onde histórias criam vida. Descubra agora