capítulo 14

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O silêncio dentro do carro era quase tão denso quanto a tensão que pairava entre Matteo e Lorenzo

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O silêncio dentro do carro era quase tão denso quanto a tensão que pairava entre Matteo e Lorenzo. Depois de finalmente conseguirem deixar Maya na escola – algo que exigiu mais paciência do que qualquer negociação perigosa que já tivessem enfrentado –, os dois agora seguiam para a sede da máfia, onde os problemas não eram menos complicados.

Matteo dirigia com a mandíbula travada, os dedos apertando o volante com força. O estresse da manhã ainda pesava sobre ele, mas o que realmente o deixava à beira de um colapso era a situação dentro da organização. Lorenzo, no banco do passageiro, mexia no celular, conferindo mensagens e relatórios, o semblante carregado de irritação.

— Mais um carregamento foi interceptado. — Lorenzo disse, a voz grave e carregada de frustração. — Se continuarmos perdendo mercadoria desse jeito, vamos ter um problema sério com os russos.

Matteo soltou um suspiro pesado, sem tirar os olhos da estrada. — Como diabos eles estão descobrindo as rotas? Alguém está vazando informação.

Lorenzo bufou, jogando o celular no painel. — É exatamente isso que estamos tentando descobrir. Já mandei Niccolò investigar, mas até agora, nada concreto.

O carro virou a esquina e a grande construção da sede da máfia surgiu diante deles. Matteo sentia o peso das responsabilidades esmagando seus ombros. Além de lidarem com uma guerra silenciosa dentro da organização, ainda havia Maya – carente, frágil e manhosa –, que precisava da atenção deles o tempo todo. Ele não sabia o que era mais desgastante: negociar com mafiosos perigosos ou convencer sua garotinha a soltar o ursinho e ir para a escola.

— Precisamos resolver isso rápido. — Matteo murmurou, enquanto estacionava.

Lorenzo saiu do carro com a expressão fechada. — Precisamos resolver tudo. A máfia, os russos… e Maya.

Matteo apenas assentiu, porque, no fundo, ele sabia que Lorenzo estava certo.

Assim que entro no escritório da máfia, já sinto o peso do dia inteiro se acumulando sobre mim

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Assim que entro no escritório da máfia, já sinto o peso do dia inteiro se acumulando sobre mim. Jogo meu paletó sobre a cadeira e passo as mãos pelos cabelos, tentando conter a irritação que ainda pulsa no fundo da minha mente. Não é só o problema com os russos, os vazamentos de informação ou a pressão constante do cargo que ocupamos. Matteo está um desastre, e isso só piora tudo.

Ele sempre foi o mais paciente entre nós, o que conseguia manter a calma quando as coisas saíam do controle. Mas ultimamente, parece que o estresse está consumindo ele de dentro para fora. E quem paga por isso? Maya.

Eu entendo que estamos no limite. Sei que ele tem tanta coisa na cabeça quanto eu. Mas Maya não tem nada a ver com isso. Ela só acordou manhosa hoje, como sempre faz, e o Matteo simplesmente não teve paciência. Bufou, revirou os olhos, perdeu a calma mais rápido do que eu esperava. E olha que esse costuma ser o meu papel.

— Matteo, você precisa melhorar o seu humor. — Digo assim que ele entra no escritório atrás de mim, já com a cara fechada. — Sei que o dia começou uma merda, mas a Maya não tem culpa dos problemas da máfia.

Ele suspira, esfregando o rosto com as mãos. Não responde, mas sei que ele me ouviu.

Cruzo os braços e continuo. — Vamos ficar aqui até tarde, e adivinha? Logo depois da escola, Maya vem pra cá. E eu não sei se você percebeu, mas ela estava manhosa de manhã. Sabe o que isso significa?

Matteo me encara, exausto, mas não responde.

— Que ela vai estar pior quando chegar aqui. Muito mais grudenta, muito mais chorosa, e se você continuar com essa paciência do tamanho de um grão de arroz, vai acabar brigando com ela por nada.

Ele suspira de novo e se joga na cadeira. Sei que estou certo, e ele também sabe. O problema é que, pela primeira vez em muito tempo, Matteo parece estar se tornando mais explosivo do que eu. Isso me preocupa.

— Relaxa um pouco. Respira. Não dá pra resolver tudo na força, e você sabe disso melhor do que ninguém.

Ele não responde de imediato, apenas passa a mão no rosto mais uma vez. Sei que não vai admitir em voz alta, mas está considerando minhas palavras. E isso já é um avanço.

~QUEBRA DE TEMPO
O dia na máfia foi tão desgastante quanto Lorenzo havia previsto – talvez até pior. Matteo, consumido pelo estresse e pela raiva, passou boa parte do tempo lidando com um traidor dentro da própria organização. Descobriram um informante da máfia rival infiltrado entre eles, e Matteo fez questão de arrancar cada resposta necessária da pior maneira possível. Lorenzo, sentindo o peso do cansaço e sabendo que sua paciência estava por um fio, decidiu não se envolver na tortura. Deixou o irmão sozinho com o desgraçado e se ocupou com outras pendências da organização, tentando manter sua própria sanidade intacta.

Quando a noite caiu e o ambiente na sede continuava carregado, o som da porta do escritório se abrindo de repente trouxe uma energia completamente diferente.

— Daddies… — Maya entrou no escritório arrastando as palavras, a voz manhosa e doce.

Segurava seu ursinho apertado contra o peito, a chupeta pendendo de seus lábios enquanto os olhinhos brilhavam de empolgação. Sem perceber o clima pesado no ar, ela foi direto para o meio da sala, balançando levemente o corpo e sorrindo.

— Hoje teve física! Foi tão legal! — A voz dela estava mais alta do que deveria, e ela sequer notou a expressão fechada de Matteo. — A professora explicou sobre a gravidade e fez uma experiência tão bonita com um pêndulo! Eu queria que vocês tivessem visto, foi tão, tão incrível!

Ela riu sozinha, os olhos brilhando como se estivesse contando a coisa mais maravilhosa do mundo.

Matteo, ainda tomado pelo estresse acumulado do dia, fechou os olhos por um momento antes de soltar um suspiro impaciente.

— Maya, fala baixo. — Sua voz saiu mais dura do que pretendia.

Maya parou de falar no mesmo instante, os olhos arregalados pela surpresa. O silêncio se instalou no escritório, e Lorenzo lançou um olhar afiado para Matteo, claramente irritado com a forma como ele havia falado com a garota.

Sem pensar duas vezes, Lorenzo se aproximou e pegou Maya no colo, segurando-a com firmeza e puxando-a para perto. Ela se aninhou contra ele imediatamente, soltando um pequeno suspiro sentido, a chupeta voltando para a boca enquanto suas mãos apertavam o ursinho com mais força.

Então, depois de alguns segundos de silêncio, sua voz saiu baixinha e hesitante:

— Matteo não gosta mais de mim?

Lorenzo apertou o maxilar e olhou para o irmão com um misto de reprovação e frustração, enquanto Matteo soltava outro suspiro, passando a mão no rosto. Ele sabia que tinha exagerado. Sabia que sua paciência estava pior do que nunca. Mas agora, olhando para Maya encolhida nos braços de Lorenzo, sentiu um peso no peito.

E esse peso era culpa.

A Baby dos mafiosos Histórias para pegar e não largar. Descubra agora