Boa leitura amores!
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MAYA POV
O mundo ao meu redor era um borrão de sombras e ódio. Eu estava pronta para reduzir Aurora a cinzas, para sentir os ossos dela quebrarem sob a minha magia, mas a assassina foi covarde. Ao ver o fogo do submundo brilhar nos meus olhos, ela soltou um riso seco, jogou o coração da minha mãe no chão como se fosse lixo e desapareceu em um rastro de velocidade de vampira antes que eu pudesse alcançá-la.
— NÃO! VOLTA AQUI! — Eu tentei gritar, mas a fúria foi instantaneamente substituída por um vazio que me pôs de joelhos.
E eu ouvi, ouvi ela dizer que minha "mãe" Hope ajudou ela, e isso não vai ficar assim.
Mas foi aí que olhei pra ela, no chão frio caída. Esqueci a vingança. Esqueci a Aurora. Eu me arrastei pela grama podre até chegar ao corpo dela.
Eu me lancei sobre o corpo dela. O cheiro de ferro e flores negras da Aurora ainda pairava no ar, mas eu só conseguia focar no calor que estava abandonando a pele da minha mãe.
— Mamãe! Abre o olho! Por favor, olha para mim! — Eu gritava, minhas mãos tateando o buraco vazio no peito dela, tentando desesperadamente estancar o que não podia ser estancado. — Você é uma Mikaelson agora! Você é filha de Hades! O inferno é seu, mãe, você manda lá! Diz pra ele que você não vai! Ordena que a sua alma volte!
Eu comecei a sacudi-la, a cabeça dela pendendo para o lado sem vida. Minha magia de trihbrida estava fora de controle; pequenas faíscas negras saltavam da ponta dos meus dedos, queimando a grama, mas nenhuma centelha era capaz de fazer aquele coração — agora jogado a poucos metros como um pedaço de carne inútil — bater de novo.
— NÃO ME DEIXA! — Eu uivei, um som que não parecia vir de uma garota de quatorze anos, mas de um animal ferido. — Você prometeu que ia me ver casar com a Millie! Você prometeu que a gente ia ser feliz de novo mamãe ! ACORDA, CHERYL! LEVANTA! Não me deixa sozinha com a Hope!! Eu só tenho você...
Rebekah chegou ao corpo logo depois. A Vampira Original, que viveu mil anos de perdas, parecia ter envelhecido um século em segundos. Ela não se ajoelhou; ela desabou. Seus ossos pareceram virar vidro.
— Meu amor... minha vida... — Rebekah balançava o corpo de Cheryl, os olhos fixos no nada. Ela não chorava como um humano; ela emitia um som seco, um ganido de agonia que fazia o ar vibrar. — Cheryl, volta pra mim. Eu esperei mil anos por você. Mil anos de solidão pra te encontrar e agora você me deixa? EU NÃO TE DOU PERMISSÃO! VOLTA!
Atrás delas, o cenário era um quadro de horror. Verônica estava em pé, mas sua alma parecia ter saído do corpo. Ela olhava para Cheryl, sua melhor amiga desde os 13 anos, a pessoa que conhecia cada segredo seu, e sua mente simplesmente quebrou. Lizzie a abraçava por trás, as duas chorando de forma convulsiva, um choro descontrolado que fazia Verônica perder o fôlego.
Lizzie, a bruxa que sempre tinha uma solução, estava impotente, enterrando o rosto no ombro de Verônica enquanto suas pernas falhavam e ambas caíam sentadas na varanda, unidas pela dor insuportável de perder o pilar daquela família.
Meu avô estava estático. O Híbrido Original, o homem que trouxe o fim a cidades inteiras, segurava os gêmeos de Verônica e Lizzie — um em cada braço. Seus olhos estavam vermelhos, não de transformação, mas de um choque paralisante.
Ele olhava para o corpo da mulher que, apesar de tudo, era a mãe de suas netas, e o peso da culpa por ter trazido Aurora para a vida deles o esmagava. Ao seu lado, vovó Hayley estava aos prantos, cobrindo a boca com a mão para abafar os soluços que sacudiam seu corpo inteiro, as lágrimas caindo sobre o tapete da entrada.
Então, o som de passos miúdos na grama fez o tempo congelar novamente. Hannah, com apenas 7 anos, caminhou devagar. Ela ainda usava sua fantasia de Halloween. Na mão, ela carregava um copo de água que tinha ido buscar para a mãe.
Ela parou diante do círculo de dor. Viu Maya coberta de sangue. Viu Rebekah gritando com o céu. E viu o coelhinho de pelúcia.
— Mamãe? — Hannah chamou baixinho. Ela se agachou ao lado do corpo, ignorando o sangue que começou a manchar seus joelhinhos. — Mãe, acorda. Tá na hora.
— Hannah, não... sai daqui, meu anjo... — eu tentei dizer, mas minha voz era apenas um sussurro quebrado.
Hannah não ouviu. Ela tocou o rosto frio de Cheryl com sua mãozinha pequena.
— Mamãe, a Summer acordou — Hannah disse, com a voz mais doce e dolorosa do mundo. — Ela tá com fome, mamãe. Ela tá chorando lá dentro porque quer o seu colo. Você precisa dar de mamar pra ela, lembra? O vovô Klaus disse que ela não para de chorar sem você.
Hannah começou a puxar a manga da blusa de Cheryl, tentando levantá-la.
— Levanta, mamãe! A Summer precisa de você. Eu não consigo cuidar dela sozinha, eu sou pequena. Por favor, acorda... o coelhinho tá sujo, limpa ele pra mim?
O grito que Rebekah soltou nesse momento foi capaz de rachar os vidros da casa. Ela abraçou Hannah e o corpo de Cheryl ao mesmo tempo, escondendo o rosto da menina na curva do pescoço da mãe morta.
Na porta da casa, Hope Mikaelson permanecia nas sombras. Em seus braços, ela segurava Summer, a bebê de 7 meses. A pequena Summer, sentindo que o mundo tinha desmoronado, começou a chorar — um choro agudo, faminto, desesperado pelo cheiro da mãe que nunca mais voltaria.
Hope estava em transe. Ela olhava para Cheryl, percebendo que cada palavra, cada segredo que compartilhou com a vilã, foi o que guiou aquela mão até o peito de Cheryl. Ela apertou Summer contra o peito, as lágrimas escorrendo silenciosamente, o peso de ser a responsável pela destruição da felicidade da própria filha e da mulher que um dia amou. Ela era a razão de eu estar órfã. A razão de Hannah estar tentando acordar um cadáver.
Levantei os olhos do corpo da mãe e encontrou os de Hope. O ódio que brilhou ali era mais antigo que os próprios Originais. Era um ódio de sangue.
— Você... — Maya sussurrou, e o chão ao redor dela começou a rachar com o poder de Hades. — Você matou ela, Hope.
Verônica, ouvindo aquilo, olhou para Hope com um desprezo que nenhuma palavra poderia descrever. O amor épico de Rebekah tinha sido sacrificado no altar do egoísmo de Hope.
Ali, naquele gramado ensanguentado, sob a lua de Halloween, a família mais poderosa do mundo estava de joelhos. Não havia magia, não havia sangue de vampiro, não havia divindade que pudesse preencher o buraco deixado pela ruiva que era o coração de todos eles.
Cheryl estava morta. E com ela, a última chance de paz em Riverdale foi enterrada.
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NOTAS DA AUTORA
ainda não acabou, mass está quase.
muita gente pediu uma nova temporada, estou pensando em fazer ela focada na Maya, Hannah, Summer e nos gêmeos.
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𝙎𝘼𝙔 𝘿𝙊𝙉'𝙏 𝙂𝙊 - 𝘾𝙃𝙀𝙍𝙔𝙇 {𝙎𝙀𝙂𝙐𝙉𝘿𝘼 𝙏𝙀𝙈𝙋𝙊𝙍𝘼𝘿𝘼}
Fiksi PenggemarSegunda temporada da história "say don't go", uma história onde a emoção fala mais alto que a razão, uma história cheia de triângulos amorosos, cheia de tensão, brigas e mentiras. O relacionamento de Cheryl e Hope acarretou muitos problemas, para a...
