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Alice narrando...

Quando ouvi o portão bater, desmontei.

Não sei como aguentei aquilo tudo, não sei como sustentei isso tudo.

Realmente, voltei mais forte do quase morte.

Realmente a surpresa foi como falei, minha mãe e o Pablo tinham sido perfeitos, e como houve atraso no telão e tudo mais, a minha ausência não foi muito sentida...até porque a Julia assumiu que estava comigo.

Mas eu não dormi com o Pablo!

Na verdade, fomos pra casa dele beber.

A mãe dele não estava e os nossos amigos mais próximos saíram de fininho e foram pra lá, porque a minha mãe não saÍa da festa...Até que a Julia implorou pra eu dormir na casa dela, e como era algo que eu fazia desde pequena, ela deixou.

Os meus seguranças provavelmente não notaram ninguém, já que eu como dona da festa fui uma das ultimas a sair com o Pablo.

E eles me seguiram, lógico que iam contar pra ele, mas eu não posso evitar viver por isso.

Ficamos lá, rindo, bebendo e conversando até clarear.

Mal coloquei os pés em casa, ele já estava aqui.

Eu estava morta de cansaço, sono, mas a eletricidade de vê-lo ali, super nervoso, me despertou na hora!

Cada vez nossa situação se complica mais!

Acho que agora ferrou tudo de vez...mas não havia como resolver.

Eu tinha realmente sido pega de surpresa com a situação do Pablo me pedindo em namoro formalmente e, ainda dopada pela conversa que tive anteriormente com o Ramon, fiquei sem ação!

O que poderia fazer?

Não tinha como dar tamanha desfeita pra ele, pra minha mãe...até o Deco estava em chamada de vídeo ao lado da Luana.

Só eu sabia, mas minha mãe segurava o telefone toda animada.

Estava muito cansada de tudo, de toda dificuldade, de todo o fingimento...Talvez estar com o Pablo, me tirasse daquele circulo vicioso que vivia.

Mas mano... eu sabia que não seria fácil enfrentar isso cara a cara com o Ramon!

Não, foi duro pra cacete, mas não mais do que ouvir as ofensas dele, me chamando de puta, piranha...

Eu sabia que ele estava muito despeitado, muito furioso...Tinha acabado de dizer que era louco por mim...Eu sei que esses dias, ele tem feito tudo pra me fazer acreditar no amor dele...mas o que fazer com esse amor?

Eu tenho 16 anos, nunca lidei com algo desse tamanho!

E essa confusão toda que já causamos por causa dessa história?

Eu sei que fui cruel, ao falar tudo aquilo, mas não me sinto mal...eu sinto que ele teve um pouco de noção do que eu mesma senti durante todo esse tempo.

Eu quis muito que ele nos assumisse...Mas não foi possível!

O Pablo era um cara bom, normal!

Eu queria uma dose de normal, pra variar.

Será que eu consigo me habituar ao normal?

Ou sou muito viciada em...

Vou tirando o vestido, quando minha mãe entra no quarto.

_ Me explica o que foi isso?

_Agora não, mãe!

Saio caminhando até o banheiro e vejo ela recolher o vestido caro do chão.

Jamais vou conseguir entender a velocidade de raciocínio da minha mãe, que transformou uma festinha que eu queria dar para meus amigos mais próximos, em um evento, com direito a pedido de namoro mais formal do que muitos noivados que já vi pela internet.

A minha mãe não brinca em serviço e isso é bastante óbvio.

Ligo a ducha que bate forte e massageia minha nuca.

Ele devolveu a correntinha.

Merda, ele disse que não transava com a Bianca!

Mas como...?

Em quem devo acreditar?

Bem, isso não faz mais nenhuma importância agora!

A cara de desespero que ele estava ao pensar que eu tinha transado com o Pablo, só piorou quando eu mostrei a aliança.

Ele parecia uma criança amedrontada, acuada, encostada na parede!

Eu nunca vi ele tão refém, tão frágil, como hoje!

Eu tenho consciencia do que fiz...Eu mexi na ferida de abandono que ele tem de infância.

A força dele, era para todos, mas não pra mim.

Eu vi nos olhos dele a tristeza, o medo da perda, a infelicidade.

Isso me dá uma tristeza profunda, porque não merecíamos que nossa história acabasse assim!

_Vou colocar aqui no seu quarto, pra perfumar - Como se nada tivesse acontecido, minha mãe aparece com o buque enorme que o Pablo me deu.

Provavelmente ela ouviu toda a conversa e está radiante por isso. Talvez eu tenha a convencido, assim como convenci ele.

Eu olho as rosas lindas e enfio a cabeça na água corrente, para que minhas lágrimas se misturem ao jato quente.

O NOVO DONOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora