Ramon narrando...
No meu jeito de ser, no meu modo natural, esperei o momento certo, passei por uma das mesas de bebida e subi a laje acima da casa onde horas antes eu matei o Bin.
Precisava do meu momento, eu e eu, como sempre foi!
Aqui do alto, eu via tudo lá embaixo. Era muito chão. Fiz um 360 e acima de mim, não havia nada.
Eu estava, literalmente, no topo!
Quem diria...
Quem diria que eu chegaria até aqui?
Ninguém!
Apenas eu...Só eu acreditava em mim.
Desde aquele primeiro dia, que subi o morro do Vidigal num moto táxi, com R$ 250 no bolso e um celular. Mais nada!
Não ia subir o morro trepado, não sou maluco. Deixei tudo, fora o que eu já tinha perdido.
Eu perdi muito nessa vida, não tenho dedos pra contar o que a vida me tirou.
Homem que diz que não tem medo de nada, está mentindo.
Eu não tenho medo, pelo menos o medo que a maioria tem; mas naquele dia , eu estava uma pilha de nervos.
Era mais uma vez eu e o não; eu e a morte.
Poderia me apresentar pro André Yssuz Filho, vulgo Deco - meu irmão.
Mas esse era o caminho mais fácil - e também, o mais perigoso.
Como se chega pra um homem como ele e diz , " Fala aí, sou teu irmão, tá de boa?"
Não...Como sempre, eu tinha que bolar algo.
Rodei o morro, aluguei um quarto na area mais escrota do morro, cobravam 30 reais a diária. Ou seja, meu tempo corria.
Eu já sabia bastante sobre o vidigal, inclusive que existia um segundo homem, chamado Davi.
Era ele, tinha que ser ele.
_Fui comprar um preto com a intenção de saber onde encontrar o tal numero 2.
_Aí, quero falar com o Dv! - Falei pro contenção da boca.
_E quem quer falar com ele? Tu é quem, menor?
_Ramon, quero trocar uma idéia só, levar um papo com ele!
_Ele não tem idéia pra trocar não, e quem leva papo é vizinha fofoqueira! Se adianta, viciado!
Meu sangue ferveu, mas estava cercado de homens armados.
Saí dali com a erva e comecei a arquitetar melhor. Óbvio que não seria fácil chegar nele, mas eu tinha conhecimento que aqui , morador tinha abertura pra falar com os donos.
Problema que eu não era morador...Tinha acabado de chegar, cara de moleque , ninguém me colocaria de frente com o cara.
Eu teria que agir pelos meus próprios meios.
Os dias iam passando e cada vez menos dinheiro pra pagar a diária daquele esgoto que eu morava.
Comecei a rodar o morro, e onde eu via uma cabeçada, parava pra fumar, na expectativa que ele aparecesse.
Eu ficava o dia todo na rua, já estava chamando atenção; isso não era bom. Odeio ser observado.
Um belo dia, ouvi falar que no topo do morro, existia um tal de Mirante, onde haviam quiosques e tal. Lugar meio mídia da comunidade, mas longe o bastante da pista, para que os envolvidos ficassem tranquilos, de boa.
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O NOVO DONO
RomanceO Spin Off mais esperado de O Dono da Boca, conta a história de Ramon e Alice Yssuz. Ramon, conhecido por sua frieza, bravura e estratégia é filho de uma traição do poderoso André Yssuz, China. Reconhecido pela sua conduta como soldado da tropa do...
