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Alice narrando...

- Rocinha, 10 dias depois -

Após uma interminável "discussão" com meu pai, minha mãe entendeu que para não deixá-lo tenso dentro da cadeia, não custava atender a "solicitação" dele de, pelo menos, nesse momento tão conturbado pela retomada da rocinha, onde os inimigos estariam como hienas famintas atrás de nós para nos esculachar, ficar um tempo sob os "cuidados" do Ramon.

Depois que o Deco esclareceu pra minha mãe, qual foi a artimanha usada para o ataque policial que nos ajudou de certa forma, aí que piorou tudo.

Havia na imprensa dois comentários: A morte do major , que não havia sido esquecida e que de um lado diriam ter sido armação da facção do meu pai, e outros tantos, como o próprio secretário de segurança que, para mostrar serviço, anunciava que o autor de tamanho desaforo, o Bin laden , já havia sido abatido.

Claro que minha mãe fez exigências típicas de uma pop star para passar o que ela chama de " período" na Rocinha.

Óbvio que tudo foi atendido.

Frequentávamos a Rocinha de tempos em tempos, mas nunca nos estabelecíamos em um morro sempre. Tínhamos a casa no condomínio da Barra e só subíamos alguma comunidade de tempos em tempos, para ficar junto do Deco.

Meu pai só voltou esse ano para o Rio, depois de uma longa temporada na prisão de segurança máxima , no Paraná.Lá, era nossa segunda casa.

Havia uma singularidade em toda essa bagunça que estamos vivendo que era a preocupação do meu pai e do meu irmão comigo.Por ser muito nova, e enfrentar em tão pouco tempo, tantas emoções, tantas idas e vindas e mudanças, perdas de matrículas e tal, ao falar com meu pai e meu irmão no telefone, percebi a preocupação de mais essa virada na minha vida.

Lembrei da conversa que a Lua teve comigo no México, e sobre como ela fazia uma leitura da minha vida, como eu mesma nunca tinha feito:

Eu não tinha raízes, estava sempre vivendo em função da vida de alguém, arrumando e desarrumando mals, perdendo amigos, me afastando de afazeres que me traziam satisfação.

Por isso, me senti muito a vontade de solicitar algumas coisas também, e meu irmão, apaixonado por mim desde sempre, prometeu atender todas elas.

O Deco conhecia a Rocinha na palma da mão, assim como minha mãe. Eu já não lembro de quase nada...como disse antes, eu era apenas como uma sacola, conduzida de um lado a outro.

Só me entendi como pessoa, individuo, adulta, quando conheci o Ramon. De certa forma, ele me fez amadurecer.

Minha mãe ficou numa casa bem bonita, mas eu tenho certeza que ela já havia mudado tudo, antes de chegar lá. Ela era esse tipo de pessoa!

Não ficamos próximos a pista, era uma recomendação bastante clara do meu pai; então estávamos próximos ao Laboriaux, numa parte cheia de mata Atlântica, linda.

A casa tinha uma arquitetura antiga, de um artista plástico que há anos atrás morou no lugar. Com jardins mau cuidados, mas que já contava com meia estrutura sendo trabalhada por pessoas contratadas pra isso. Minha mãe ama plantas, natureza.

Havia uma piscina com ladrilhos pequenos e em formato de gota. O cara tinha uma visão de artista mesmo.

Haviam esses jardins suspensos e embaixo, dependências de empregados que era o meu pedido realizado!

O lugar fora todo ajeitado pra mim. Um quarto, com banheiro , que tinha tido o toque da minha mãe na pintura e instalação de móveis que eram do meu agrado.

O NOVO DONOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora