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_Que gritaria é essa? - A Bianca entra no meu quarto, enrolada na toalha de cabelo molhado

_Rala!

_Que isso? Que grosseria é essa, o que houve?

Eu paro no meio do quarto e encaro ela

_Tá surda? Me deixa, rala!

Ela obedece e some.

Eu entro no banheiro, saio. Entro de novo, escovo os dentes, pego a toalha pra tomar banho. Não consigo. Saio, largo a toalha em cima da cama, cheio de ódio

Busco uma blusa que tinha jogado no canto , de ontem mesmo; a bermuda também.

Foda-se!

Minha mente que conspira contra mim, pensa nela com aquela roupa, maquiada, geladona, me tratando daquele jeito, cagando pra mim.

Era certo isso, era certo que ia dar nisso!

Cadê a mãe dela, que não viu isso? A filha dela dormindo na casa do cara?Cadê aquela velha filha da puta que não liga de saber que a princesinha tá lá trepando com aquele moleque?

Cadê minha chave?

Porra, cadê o caralho da minha chave?

Começo a jogar tudo pro alto atrás da minha chave , até que encontro aquela merda caída no chão.

Desço as escadas como um foguete, mas ... de que adianta? Já era... O que tiver que ter rolado, já rolou!

Não...Ela não é esse tipo ...

Passo pela varanda, e minha mente que sempre conspira contra, me traz a lembrança dela aqui, do perfume, do vestido curto e decotado, do cabelo dourado escuro, a boca vermelha...Ela queria atenção de alguém, eu sabia! Ela estava outra, diferente...

Eu sabia!

Trepo na moto. A multidão de homens que faz minha segurança é absurda, mas eu não quero ninguém no meu pé!

_Fica! Fica geral! Assunto pessoal, não vem ninguém!

Avanço e vejo colar comigo o Macarrão

_Vai tomar no cú, porra! O que eu falei?!

_Tá indo pra onde, o que pegar pra tu pega pra mim, caralho!

O rádio toca, Truta.

_Patrão, ela acabou de entrar em casa!

A frequência era só minha, mas o Macarrão ouve. 

Continuo descendo, mas entro na rua dela.

Assim que paro na porta, ele desce também e entra na minha frente.

_Sai, porra! - Olho como bicho e empurro ele, que é enorme e estica os braços pedindo pra eu me acalmar.

Ele não entende que não há essa opção!

_Vou me estranhar contigo, quer comprar uma comigo? - Digo pra ele, desnorteado

_Mano, aí é a casa dela! Tu tá maluco? Vai se explanar assim? - Ele olha de rabo de olho pro moleque do outro lado da rua. Tudo soldado meu, quem banca sou eu, quem manda sou eu, foda-se!

Toco a campainha, só depois lembro que tenho a chave, mesmo assim, toco de novo.

A empregada abre e eu vou entrando

_Chama a Alice lá, por favor! - tento manter o resto de controle que sobra em mim.

Ela me puxa pela mão, com cuidado de quem tem medo, mas com a impáfia de quem quer defender a Alice.

O NOVO DONOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora