XXXVI

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— Está tudo bem Emily? —Marián perguntou após meu longo período de silêncio, nada de se passava na minha cabeça além de que eu precisava fugir o mais rápido possível

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— Está tudo bem Emily? —
Marián perguntou após meu longo período de silêncio, nada de se passava na minha cabeça além de que eu precisava fugir o mais rápido possível...

Por outro lado, se Engjell tivesse realmente me encontrado ele não cometeria o mesmo deslize do passado me dando brechas pra escapar novamente, não, com certeza chegaria aqui com tudo.

Preferi acreditar que sim.

— Está tudo bem Marián, amanhã irei à escolinha do Aksel saber quem é esse amigo dele que o da pirulitos-
Marián assente se sentado ao meu lado, Marian é uma jovem garota daqui do bairro que esteve esse tempo todo em nossas vidas, é um verdadeiro anjo.

— Tem algo a afligindo Emily, tem ido a psicóloga?—
Assinto em positivo.

— Vá descansar Marián, obrigada por tudo—
Marián me olha por breves segundos antes então de concordar e se preparar pra sair.
Além da psicóloga eu nunca comentei sobre o meu passado, de onde precisei fugir pra ninguém, eu não fiz amizades, eu não criei laços... Eu só sobrevivi e lutei pra minha tempestade não molhar meu filho.

Ainda cheia de pensamentos e lembranças dolorosas eu fui dormir na falsa paz que minha vida estava.

...

Acordei antes mesmo do espertador, eu preciso tirar essa estória do pirulito a limpo, tomei um banho gelado tentando organizar todas as minhas ideias e energias, já devidamente arrumada foi até o quarto do meu bebé, porém uma pontada aguda em meu coração me faz parar por segundos e levar a mão até o peito.

Não ouvi um som sequer do meu filho durante a noite toda, era normal afinal Aksel dorme a noite inteira já faz um bom tempo, mais o que não era normal era meu filho não estar em seu berço, dormindo protegido em nosso lar.

O desespero sufocante me paralisou completamente por menos de um segundo antes de eu sair gritando pelo apartamento.

— AKSEL, filho onde estás ?—
Gritei a plenos pulmões e saí cambaleando pelas paredes do corredor que levam a sala, mil cenários se passaram pela minha cabeça, o desesperado, o medo e a angústia tomaram conta do meu corpo completamente, os meus gritos chamando pelo meu filho só não são mais altos do que as vozes da minha cabeça berrando.

Queria acreditar que Aksel foi sapeca e saiu do seu quarto pra ir brincar com o bichando pelo apartamento , mais a realidade era obsoleta.

Quando meus pes descalço alcançaram o piso frio da sala de estar todas as vozes na minha cabeça pareceram enfim se calar assim como os meus gritos, eu não consigo acreditar que meu maior pesadelo enfim se tornou realidade.
Realmente atraímos o que pensamos...

— Agora você sabe a sensação meu amor, conhece a sensação de ter tudo arrancado de si em um piscar de olhos —
Engjell meu cruel e impiedoso algoz, sentado no meu sofá como um rei segurando Aksel em seus braços como se fosse a coisa mais natural pra ele.
Eu aceitaria, me mataria se fosse preciso, mais eu jamais o deixaria machucar meu filho...

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