Cap. 23

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Henry

Estava guardando as minhas coisas para ir embora quando ouço alguém bater na porta.

- Entra - Falei fechando minha mochila

- Oi pai - Disse Davi

- Filho, o que você está fazendo aqui? Eu ia te buscar na escola.

- Eu liguei para um dos seguranças e ele me trouxe aqui.

- Então vamos direto pra casa.

Davi balançou a cabeça concordando e respirou fundo, ele não estava com uma carinha muito boa.

- Ei cara, o que aconteceu?

- Nada não, só estou cansado.

- Como foi na escola hoje? - Perguntei pegando a mochila dele

- Chato.

- Por que? O que aconteceu?

- Tem uns meninos da minha sala que ficam me incomodando e...

Ele parou de falar, senti que ele queria me contar mais alguma coisa mas desistiu.

- E o que?

- Nada pai, deixa pra lá.

- Não Davi, se aconteceu mais alguma coisa, você tem que me contar.

- Podemos ir pra casa?

- Você vai me contar o que está acontecendo?

Ele olhou para mim por alguns segundos e concordou balançando a cabeça.

- Então vamos pra casa.

Tranquei meu escritório e seguimos para o elevador. Davi não soltou minha mão até entrarmos no carro e eu pude sentir ele tremendo.

- O que foi amor? Você está tremendo.

- Eu não comi nada hoje.

- Davi, você está sem comer o dia inteiro? Por que?

Ele permaneceu em silêncio e olhou para mim novamente com seus olhinhos cheios de água.

- Eu dei meu lanche para outra pessoa.

- Filho, você poderia ter me ligado, me mandando uma mensagem.

- Desculpa pai, estou tão acostumado a ficar sem comer que as vezes esqueço que tenho o senhor agora.

- Está tudo bem meu anjo, vamos resolver isso agora, vou te levar para um lugar que você vai adorar.

Levei ele para uma cafeteria, a cafeteira em que eu e o Daniel viemos sempre.

- Essa é a cafeteira que eu e o Daniel viemos todos os dias, o café daqui é ótimo, mas você pode escolher o que quiser comer.

Entramos na cafeteria e logo um garçom veio nos recepcionar.

- Seja bem vindo novamente senhor Martins, a mesa de sempre?

- Não, quero uma próxima a janela.

- Por favor, me acompanhe.

Seguimos ele até a mesa, sentamos e pegamos os cardápios.

- Fiquem a vontade.

- Obrigado.

Depois que ele saiu, olhei para o Davi, ele estava tão concentrado lendo o cardápio que o deixei quietinho por um momento. Fizemos nossos pedidos e meu celular começou a tocar.

- Alô?

- Oi Henry.

- Luigi, oi meu anjo, como você está?

- Estou bem, eu queria te pedir uma coisa.

- Pode falar.

- Amanhã é o aniversário do Matheus e nós vamos sair, será que o Davi pode ir com a gente?

- Claro que sim meu anjo, mas eu vou falar com ele e te aviso.

- Tá bom, tchau Henry.

- Tchau meu bem.

Encerrei a ligação, coloquei meu celular no silencioso e guardei no bolso.

- Ei, amanhã é o aniversário do Matheus, você quer ir?

- Sim, eu gosto bastante do Matheus e do Luigi.

- Que bom, eu vou mandar mensagem pra ele depois.

O garçom trouxe nossos pedidos e começamos a comer, me senti feliz em ver o brilho de satisfação nos olhinhos do meu filho.

- Nossa pai, isso é muito bom.

- Viu só? Nós podemos vir aqui sempre que você quiser.

- Pai, eu te amo - Disse de boca cheia

Dei risada e baguncei o cabelo dele.

- Eu também te amo meu amor.

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