Cap. 20

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Daniel Santoro

Eu estava em choque, a explosão do Marcello me fez ver do que ele era capaz de fazer pelo Luigi.

- Daniel, está tudo bem? - Pergunta Henry me cutucando

- Sim.

- Eu mato o Marcello a próxima vez que ele colocar as mãos em você.

- Não Henry, para com isso, não foi nada demais.

- Nada demais? Ele estava a um fio de te bater, se eu não tivesse chegado a tempo, ele iria te bater.

- Esquece isso, não precisa se preocupar. Onde você deixou o Davi?

- Na sua casa com a Cíntia.

- Os meninos estavam acordados?

- Não.

- Melhor assim.

Chegamos em casa, Henry colocou o carro na garagem, entramos e eu subi direto para o meu quarto. Tirei meus sapatos e deitei na minha cama olhando para o teto.

- É, você não está bem - Disse Henry escorado na porta

- Só preciso de uns minutos.

- O que aconteceu Daniel? Por que você está assim?

- Henryque, eu estou bem, só... Não é nada, esquece isso.

- Eu não vou mais insistir porque a gente vai acabar brigando.

- Vamos descer - Falei calçando meus chinelos - Quero conhecer o Davi.

- Olha pra mim - Disse Henry me segurando - Eu te amo e odeio te ver assim.

- Eu também te amo Henry e depois a gente conversa tá? Davi já esperou demais.

Descemos as escadas e ouvimos as risadas da Cíntia e do Davi vindo da cozinha.

- Seu pai é uma figura, tem todo aquele jeito de marrento e bravo, mas é um amor de pessoa.

- Conhece ele a quanto tempo? - Pergunta Davi

- Desde quando ele e o Daniel eram pequenos, cuidei dos dois juntos, vi os dois crescerem, se tornarem dois homens poderosos e vi o quanto eles lutaram pra ter tudo que eles tem hoje. Agora estou cuidando dos pequeninos do Daniel e tenho a certeza de que eles serão igualzinhos ao pai deles.

- Minha mãe disse que ele tinha nos abandonado, quando ela ficou doente e não pode mais trabalhar, eu tive que largar a escola e fazia de tudo para levar dinheiro pra casa.

- Ei meu anjo, nunca mais você vai precisar trabalhar ou fazer algo que não seja estudar e aproveitar a sua juventude, ele fará isso por vocês dois.

Decidimos entrar na cozinha antes que eles voltassem a falar. Henry foi para o lado da mesa em que o Davi estava.

- Conversando muito com a Cíntia? - Pergunta Henry beijando a testa dele

- Sim.

- Deixa eu te apresentar, esse é o Daniel.

- Seu irmão mais novo? - Pergunta Davi

- É, meu irmão mais novo - Responde Henry sorrindo pra mim

- Muito prazer em te conhecer Davi, fiquei muito feliz em saber que eu tinha um sobrinho.

- Pai, estou com fome.

- Cíntia, já está tudo pronto? - Perguntei indo até o forno.

- Sim, só estava esperando vocês dois voltarem.

- Ótimo, vamos arrumar a mesa e depois você já está liberada, pode ir pra casa.

- Tá bom.

- O que você vai fazer hoje Cíntia? - Pergunta Henry.

- Vou sair.

- Hum, vai pegar uns gatinhos né? Tô de olho na senhora.

- Henryque, deixa de ser curioso - Falei pegando os talheres

- Ué, preciso saber pra onde a minha mamãezinha vai, é cuidado.

- Não, você só é curioso mesmo.

Meu celular começou a tocar, coloquei os talheres na mesa e atendi indo para a sala.

- Alô?

- Daniel, será que podemos conversar?

- Marcello?

- Estou te esperando aqui fora.

- Já estou indo.

Ele encerrou a ligação, peguei meu casaco e sai para fora. Marcello estava escorado no carro dele, seu rosto estava com o semblante apagado e o olhar cansado.

- Deixe ele entrar - Falei para um dos meus seguranças

O portão foi aberto e o Marcello entrou na mesma hora que o Henry apareceu.

- O que esse cara está fazendo aqui?

- Agora não Henry, deixa isso pra lá.

- Eu vim conversar - Disse Marcello

- Depois do que você fez para o Daniel?

- Você tem um filho, não tem? Entenderia a minha reação se ele estivesse em uma cama de hospital.

- Isso não justifica nada!

- Não Justifica? Eu estar a poucos passos de perder meu filho, não justifica a minha reação?

- Chega Henryque, Davi não precisa ouvir tudo isso. Nós vamos entrar, você vai para a cozinha e eu vou conversar com o Marcello.

- Não vou te deixar sozinho com esse cara!

- Relaxa Henryque, não vou demorar muito, preciso voltar para o hospital antes que o Luigi acorde.

- Vamos entrar - Falei abrindo a porta

Henry foi para a cozinha contra a vontade dele, eu e o Marcello seguimos para o meu escritório.

- Quer beber alguma coisa?

- Não, obrigado.

- Luigi está bem?

- Está com um pouco de dificuldade de respirar sozinho, está usando máscara de oxigênio, mas daqui uns dias, ele vai estar em casa.

- Que bom.

- Daniel, quero te pedir desculpas pelo que eu fiz hoje, eu estava exausto, preocupado com meu filho, com a Camila, tenho os meus negócios, meu trabalho, o Fernando está me ajudando pra caramba, mas mesmo assim, eu não estou dando conta de tudo.

- Eu sei Marcello, eu também te peço desculpas pelo que aconteceu, nunca imaginei que ter que ficar longe dos meninos iria fazer o Luigi ter uma parada cardíaca.

- Luigi é muito sensível em relação a tudo, as vezes eu também erro, sou muito grosseiro com ele, digo coisas que não é pra ele ouvir. Mas sempre tento evitar o máximo para não magoar o meu pequeno.

Toda vez que Marcello fala do Luigi, seus olhos brilham independente da situação em que ele esteja e isso é incrível demais.

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