Cap. 19

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Marcello Lima

Quando voltei para o hospital, Daniel estava do lado de fora do quarto do Luigi, ele caminhava de um lado para o outro preocupado e eu sabia... Não, eu sentia que alguma coisa estava errada.

- Daniel, o que aconteceu?

- O Luigi teve uma parada cardíaca.

- Por que? Você contou pra ele?

- Não, não Marcello.

- O que você fez? O QUE VOCÊ FEZ DANIEL? - Gritei empurrando ele para a parede

- Não foi a minha intenção machuca-ló, e-eu só disse que ele ficaria longe dos meninos por um tempinho até se recuperar.

- EI - Ouvi a voz do Henry - SOLTA ELE AGORA!

Me afastei do Daniel contra a minha vontade, eu queria mesmo era socar a cara dele até ver sangue em minhas mãos.

- Vai embora e enquanto eu não disser que ele está 100% bem, não quero que nenhum de vocês cheguem perto do MEU filho.

- Eu sinto muito Marcello, não achei que isso fosse acarretar uma parada cardíaca no Luigi.

- Você não conhece o meu filho, não sabe como simples frases mal colocadas ou ditas podem fazer com o emocional dele e eu quero que você VÁ embora.

- Me desculpa mais uma vez.

Virei as costas para ele e fui em direção ao quarto do meu filho, eu estava tão irritado que minhas mãos estavam tremendo e minha respiração acelerada.

- Marcello - Ouvi alguém me chamar

- Oi?

- Luigi está estável e agora dormindo, ele precisa de bastante repouso e por enquanto vou restringir as visitas, aí você me avisa caso queira deixar alguém ver ele.

- Só o Matheus, ninguém mais.

- Ok, mais tarde eu venho ver ele de novo.

- Obrigado.

- De nada.

Voltei para o quarto do meu filho, ele usava uma máscara de oxigênio e dormia igual um anjinho. Puxei a cadeira e sentei ao seu lado segurando sua mão.

- Eu sinto muito meu filho - Falei baixo - Eu sinto muito por não conseguir manter ela longe de você.

Senti meu celular vibrar, tirei ele do bolso e atendi.

- Alô?

- Senhor Marcello, conseguimos encontrar ela.

- Ótimo, faça o que tem que ser feito.

- Sim senhor.

Encerrei a ligação e desliguei meu celular. Hoje toda a minha atenção seria voltada para o meu pimpolho.

Luigi acordou por volta das 4 horas da manhã, ele estava extremamente assustado e agitado.

- Ei cara, ei! - Falei segurando ele - Calma, respira.

O pavor estampado em seus olhos me trazia uma angústia enorme no meu coração, tirei a máscara do rosto dele e Luigi começou a chorar.

- Não deixa ela me levar papai, não deixa ela me levar, NÃO DEIXA!

- Está tudo bem meu filho, ninguém vai tirar você de mim.

- O Matheus, cadê o Matheus? Cadê meu irmão?

- Ele deve estar dormindo Luigi, são 4 horas da manhã.

- Por favor pai, por favor.

- Só fica calmo, respira filho, eu vou falar com o Fernando, tá bom?

- Sim.

- Eu já volto, vou estar aqui do outro lado da porta, é só você me chamar.

- Tá bom.

Dei um beijo nele e sai do quarto. Fernando atendeu no mesmo minuto em que eu liguei.

- Graças a Deus você ligou, eu estou quase jogando o Matheus pela janela.

- Ele ainda está acordado?

- Está e não me deixa dormir.

- Luigi acordou totalmente desesperado e não vai dormir sem o Matheus.

- Estou levando ele aí.

- Beleza, a gente conversa mais quando você chegar.

- Tá bom

Encerrei a ligação e voltei para o quarto. Luigi estava sentado na cama olhando para a janela, ele tinha colocado a máscara de oxigênio de volta no rosto.

- Amor, está com dificuldade para respirar? - Perguntei sentando na cadeira

Ele olhou para mim e balançou a cabeça concordando.

- Está melhor com a máscara?

Ele concordou novamente.

- Seu tio Fernando já está trazendo o Matheus pra cá, assim você vai poder descansar melhor.

Luigi puxou a máscara para baixo e soltou um suspiro cansado.

- O-os gêmeos - Disse e colocou a máscara novamente

- Não, você não vai voltar a cuidar deles enquanto não estiver bem.

- Pai, não quero ficar longe deles.

- Luigi, é a minha última decisão, você não vai voltar enquanto não melhorar. Já quase te perdi uma vez, não vou correr o risco disso acontecer de novo.

Alguém bateu na porta e logo ela foi aberta pelo Matheus que correu para abraçar o Luigi.

- Matheus! - Fernando apareceu logo em seguida correndo - É sério cara, é a última vez que eu falo.

- Desculpa pai, eu estava com saudade do meu mano.

- Só toma cuidado Matheus - Falei me levantando da cadeira - Luigi está com um pouco de dificuldade pra respirar e é melhor não deixar ele agitado demais.

- Tá bom tio.

- Vamos estar ali fora, qualquer coisa vocês nos chamem.

Dei uma última olhada no Luigi e fechei a porta.

- O que aconteceu? A veia do seu pescoço está saltada e só fica assim quando você fica estressado.

- Luigi teve uma parada cardíaca.

- Você contou pra ele?

- Não, Daniel falou que ele ficaria longe dos gêmeos até se recuperar e você sabe que o Luigi adora aqueles meninos.

- Que desgraçado, tive que segurar o Matheus pra ele não falar nada, aí vem esse filho da puta e faz isso.

- Eu tô tão cansado cara.

- É bom você ficar em casa depois que o Luigi sair do hospital pra não ter perigo dela aparecer de novo.

- Ela não vai mais incomodar, disso eu tenho certeza.

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