Cap. 5

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Luigi Lima

Não falei nenhuma palavra com meu pai enquanto estávamos na casa do Daniel, tentei o máximo que eu conseguisse para manter minha expressão neutra, mas por dentro eu estava explodindo de alegria.

Depois que nos despedimos deles, seguimos para o nosso carro, meu pai me cutucou e me olhou preocupado.

- Você parece chateado, o que aconteceu?

- Eu consegui! - Respondi pulando de alegria - Eu consegui papai!

- Que susto você me deu menino, vem cá meu amor, estou tão orgulhoso de você. - Disse me abraçando - Precisamos comemorar.

- Pai! Não começa.

- Ué, por que não? Meu neném conseguiu um emprego, isso é um bom motivo pra comemorar. Eu, você e mais duas pessoas.

- Quem?

- Matheus e a Camila.

- A Camila?

- É - Responde quando entramos no carro - Pensei muito no que conversamos, falei pra ela e decidimos tentar algo.

- Ela sabe sobre mim?

- Claro que sim amor, na primeira vez que ficamos, eu já contei sobre você e ela quer te conhecer.

- Sério?

- Sim minha vida.

- Vocês vão namorar?

- Não sei filho, estamos indo devagar, ela sofreu muito no último relacionamento dela e eu não quero estragar tudo como fiz com...

- A mamãe?

- Olha filho, eu amei sua mãe em algum momento da minha vida e meu amor aumentou mais ainda quando descobrimos que ela estava grávida, mas nunca foi por ela, sempre foi por você.

- Por isso que o senhor é tão ciumento?

- Sim, é proteção, estou protegendo a vida do serzinho que me trouxe alegria novamente.

- Eu te amo tanto papai.

- Também te amo meu príncipe.

- Pai! O Matheus, ele ficou dormindo e nem viu a gente saindo.

- Vamos lá, a Camila ia ir cedo lá pra casa.

Eu amo tanto ver o meu pai feliz. Desde que a minha mãe foi embora, ele se desdobrou ao máximo para cuidar de mim e me dar tudo do bom e do melhor. Agora é a minha vez de retribuir e dar o dobro do que ele me deu.

- Pai, posso te fazer uma pergunta?

- Sempre filho.

- O que o senhor acha de eu começar a fazer uma faculdade?

- Meu amor, por que você nunca me falou que queria fazer faculdade?

- Ah pai, eu não queria que o senhor pagasse tudo e ainda tivesse que comprar meus materiais.

- Luigi, quantas vezes vou ter que dizer que eu trabalho pra isso? Trabalho pra comprar suas coisas, pagar suas consultas, remédios e se necessário pago sua faculdade e ainda compro os seus materiais. Não me importo nenhum pouco com isso.

- Pai, já é demais, não posso aceitar.

- É por isso que você estava tão maluco atrás de um emprego? Pra pagar sua faculdade sem que precisasse da minha ajuda? O que mais você está escondendo de mim Luigi?

- Nada, não foi a minha intenção chatear o senhor.

- O papai guardou um bom dinheiro para você, eu sempre retirava uma quantia para suas consultas, os remédios e todo mês eu estava repondo o valor que eu tinha tirado. Dinheiro nunca foi um problema meu amor e nunca será.

- Me desculpa pai - Falei abraçando ele

- Está desculpado meu neném.

Chegamos em casa e eu subi correndo para o meu quarto para ver o Matheus.

- MATHEUS, ACORDA! - Gritei abrindo a janela

- Aí Luigi, estou com dor de cabeça, não grita.

- Você está bem?

- Não sei - Responde se encolhendo embaixo das cobertas

Coloquei as minhas mãos no rosto dele, Matheus estava quente, muito quente.

- Acho que você está com febre, vou chamar o papai.

- Não Luigi, não quero.

- Vou chamar sim.

Desci para a cozinha, meu pai estava comendo bolacha com suco.

- Pai!

- O que foi meu amor?

- Acho que o Matheus está com febre, ele está bem quente.

- Não está com fome? - Pergunta pegando a caixinha que estava encima do armário

- Depois eu como, vamos pai.

- Calma aí filho, já estou indo.

Subimos de volta para o quarto, Matheus tinha voltado a dormir. Meu pai puxou um pouco a coberta e pegou o termômetro da caixinha.

- Matheus, acorda.

Ele resmungou alguma coisa e tentou puxar a coberta.

- Está com frio?

- Sim - Responde baixinho

- Só deixa eu colocar o termômetro embaixo do seu braço e já te cobro de novo.

- Está gelado!

- Matheus! Só um minuto, não se mexe, eu vou pegar um remédio pra você.

Papai cobriu ele novamente e saiu do quarto. Sentei encima de uma almofada e segurei sua mão.

- Como foi lá? Você conseguiu?

- Consegui! - Respondi animado - Começo semana que vem.

- Fico tão feliz por você.

- Eu também, vou cuidar de dois menininhos gêmeos de um ano, conheci os meninos e eles são umas fofuras.

- Você vai se sair super bem, como sempre conseguiu.

- Você e o papai são as pessoas mais importantes da minha vida e eu vou fazer de tudo por vocês.

- Eu te amo tanto.

- Também te amo muito.

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