Desperto na madrugada, sem saber o que me acordou , pela respiração de Henry , ele está dormindo em um sono profundo, sinto algo pegajoso entre minhas pernas , não preciso ser vidente para saber que o meu período chegou , de modo cauteloso encosto minhas pernas uma na outra , para descer sem sujar a cama , com minhas pernas juntas , suspendo elas até tocar o chão e saio da cama, não tenho a mesma sorte agora que estou de pé, porque sinto o sangue escorrendo nas minhas pernas até deslizar no chão , mas minha preocupação agora é de chegar ao banheiro e me lavar. Abri a porta com o mínimo de barulho possível e faço o mesmo ao fechá-la, gotas de sangue mancham o piso branco impecável do banheiro, tiro o meu pijama , abro o boxe, abro a torneira de água quente e entro debaixo dele , sinto uma pontada de dor abaixo do meu ventre , é sempre á mesma coisa, uma dor absurda , cólicas que me deixam de cama. A dor é tão forte que me agacho para ver se suaviza, fecho os olhos até rezando um ave -Maria , até que o clique da porta se abrindo tira o meu foco , Henry de cueca , olhos inchados de sono e seu cabelo rebelde adentram o banheiro, o mesmo da passos na minha direção , pisando uma hora de sangue no processo, mas parece não se importar , porra , coloco minha cabeça nos meus joelhos , não quero olhar pra ele , sinto quando entra e se aproxima de mim.
- Você está bem?( é visível a sua preocupação, no tom de sua voz)
Envergonhada balbucio um " sim" nada audível por minha cara estar contra os meus joelhos , Henry tenta me tocar, mas me encolho, vendo minha reação suspira .
-Você está sangrado! Por favor, me deixa cuidar de você ou ficarei louco.
Ainda envergonhada e de modo abafado o respondo :
-Só estou menstruada, vou limpar o sangue , sei que é nojento .
Dessa vez sinto -o me abraçando como pode nessa posição e sem hesitação e medo da minha reacção e sussurra:
- Para mim, tudo que vem de você é lindo !
Não precisa se desculpar, eu limpo.
Depois de um tempo estou deitada depois de lavar com Henry atento a todos os meus movimentos, mesmo que eu pedisse pra sair, ele se recusou , e limpou o sangue do chão dizendo que aceita tudo vindo de mim, depois de me dar remédio , colocar bolsa de água quente sobre minha barriga e me obrigar á comer , o que no máximo foi uma xícara de chá e uma fatia de bolo, quase vomitei , ele foi trabalhar.
Só que tem um porém , não tem remédio e chá nenhum que alivie minhas cólicas , de tanto me automedicar meu útero se tornou imune a tudo isso, única solução é chorar , rebolar, dar mortais ou me dopar e esperar a dor passar.
Nesse exacto momento, estou chorando de dor porque parece que tem mil agulhas no meu ventre, meu telefone vibra e vejo o nome de Henry no visor , engulo seco e respiro fundo.
- Amor, como está se sentindo?
-Bem melhor !
-Então porquê não saiu do quarto e não comeu nada?
-Ainda não estou perfeitamente bem mas...( me interrompe)
-Chego aí em 15 minutos .
E desliga o telefone, saio da cama e corro como posso ao banheiro para dar um jeito no meu rosto inchado que denuncia o meu choro ., ao sair do banheiro encontro Henry na cama com uma bandeja e uma sacola cheia de doces, me vendo se levanta e vem na minha direcção, estico os meus braços , pedindo colo e o mesmo atende ao meu pedido, me erguendo pela bunda, dá beijinhos no meu pescoço me causando cócegas .
-Quero que você coma.
-Não.
-Não? Só um pouquinho uh? Você está me deixando preocupado, você não quer nem os doces , nós deveríamos ir ao hospital?
Arregalo os olhos ao ouvir " Hospital " e me movo a fim de descer , mas ele não deixa e me leva até a cama , me deixando sentada em seu colo , na verdade não fico com fome quando estou nesse estado, poderia passar um dia sem comer , nem doces me dão vontade , eu aponto o iogurte e ele leva a minha boca , uma , duas , na terceira colher , meu estômago embrulha e vômito tudo que comi em cima dele e seu colo, vendo a bagunça que fiz , desato a chorar e tento me desculpar.
-Desculpa., desc-culpa ( soluço ) desculpa.
-Shiuuu.( segura meu rosto )
-Calma, está tudo bem.
Abano a cabeça me recusando , seguro a mão que está no meu rosto.
- Desculpa por mentir , na verdade eu estou morrendo de dor , nenhum remédio faz efeito.
Henry sendo Henry, claro que não faltou aquela carranca por eu ter mentido, me deu banho mesmo com meus protestos , me vestiu e fomos a uma clínica .
Onde me colocaram soro e passariam uma nova medicação, me fizeram um monte de exames e chegaram a conclusão que é só cólicas.
Já não ouço mais nada e nem quero saber , só me concentro no toque da mão de Henry na minha, decidiram me manter no hospital hoje e me encher com um monte de sedativos , sinto meus olhos pesarem , mas não me importo com nada , nem com o meu nome , porque sei que Henry vai cuidar de mim.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Sua Propriedade
CintaEle não me encheu de flores e me prometeu a lua mas me deu segurança,estabilidade e conforto, se tornou meu porto seguro, tomou as minhas dores e aflições mas em troca quis todo meu ser. Ele me tomou como posse, me marcou e me reivindicou como sua. ...
