"Cartas para meu herdeiro".

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     O sol brilhava suavemente na casa da cidade de Rhysand e Morgana, banhando todo o jardim com a luz dourada. Morgana estava em uma das cadeiras da enorme mesa de jantar. Sobre a barriga, usando como apoio, estavam duas folhas de pergaminho parcialmente escrita, enquanto a pena delicada permanecia na mão de Morgana. Ela estava absorta, seus olhos ligeiramente estreitados em concentração enquanto escrevia com gestos precisos.

     Azriel, com seu silêncio natural, entrou no ambiente sem qualquer alarde. Ele estava lá para contar a Rhysand que o Grão-Senhor, havia o encubido de ser seu encantador de sombras particular, o que significava que ele estaria fora das batalhas. Mais um de seus castigos.

     Após Cassian contar para toda Velaris do herdeiro da Corte Noturna, o Grão-Senhor havia ficado furioso por ser o último a saber. Então ele deu a Rhys uma legião em Illyria para cuidar, Cassian ele o rebaixou como um soldado de infantaria comum e com Azriel, ele resolveu ficar e tira-lo do campo de batalha, usando-o para seu próprio benefício como um espião.

     Suas sombras pareceram se fundir com a luz do dia enquanto ele observava Morgana por alguns instantes, a postura relaxada, mas atenta. Ele não fazia barulho, seus passos leves sobre a grama no chão eram inaudíveis. Finalmente, ele quebrou o silêncio com sua voz baixa e suave, mas firme.

     — Escrevendo para alguém importante?

     Morgana ergueu os olhos ao som da voz de Azriel, seu olhar se suavizando ao vê-lo. Ela não estava surpresa pela presença repentina dele, pois já havia se acostumado com a habilidade dele de surgir silenciosamente.

     — Sim, estou — respondeu ela com um sorriso pequeno, mas caloroso. — Para o meu herdeiro.

     Azriel inclinou a cabeça ligeiramente, como se ponderasse sobre a resposta. Havia uma gentileza em seu olhar, uma curiosidade silenciosa que não era intrusiva, mas sempre presente.

     — Ele ainda nem nasceu. Por que agora? — Ele se aproximou um pouco mais, mantendo sempre seu comportamento cuidadoso, como se não quisesse interromper mais do que o necessário.

     Morgana soltou um suspiro suave e afastou a pena, olhando para a carta com uma expressão contemplativa.

     — É uma tradição da minha família, os Pendragon. — Sua voz tinha um tom de nostalgia. — As mães escrevem cartas para seus filhos lerem a cada ciclo. É uma maneira de deixar para eles conselhos, amor, e pedaços de nós mesmos... para o caso de não estarmos lá para dizer pessoalmente.

     Azriel observou-a por um momento, em silêncio, absorvendo suas palavras. Sua expressão não mudou muito, mas Morgana pôde ver o leve movimento de sua mandíbula, um sinal sutil de que suas palavras o tocaram de algum modo.

     — Um pedaço de você, preservado em palavras. — Ele finalmente disse, sua voz baixa e grave, como se ponderasse o peso do que ela revelara. Ele se aproximou mais um pouco, ficando ao lado dela e olhando para o pergaminho, mas sem invadir seu espaço. — Nunca soube muito sobre esse tipo de tradição... — Ele hesitou por um instante, antes de continuar. — Eu teria gostado de ter algo assim.

     O silêncio pairou entre eles por alguns instantes. Morgana sabia que as palavras de Azriel carregavam mais do que ele dizia. Havia uma dor antiga ali, uma solidão que ela sabia ser difícil de curar. Ela observou o rosto dele por um momento antes de falar, sua voz gentil.

     — Deve ser difícil, crescer sem essa presença... sem esse tipo de gesto. — Seus olhos encontraram os dele, que permaneciam fixos na carta.

     Azriel assentiu, quase imperceptivelmente, seu olhar distante, mas calmo. Ele parecia ponderar o que ela dissera antes de responder com a honestidade tranquila que fazia parte de quem ele era.

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