"Lucien Vanserra."

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Sob a Montanha - Dias atuais...

Sob a Montanha, o ar parecia pesar com mil maldições. A escuridão não era apenas ausência de luz - era uma entidade própria, viva, pulsante, vigiando cada passo com olhos famintos. A Corte Sombria murmurava pelos corredores de pedra, e mesmo os gritos esparsos que ecoavam pelas masmorras pareciam mais suaves do que o sussurro de uma profecia prestes a se cumprir.

Sozinha, desarmada e humana. Por amor.

Por Tamlin. Como se ele merecesse tal dádiva da mãe.

Feyre havia atravessado os portões de ossos com os pés descalços e o coração em chamas. E agora, depois de selar um acordo com a própria tirana, sua presença era obrigada a ser esquecida nos calabouços de sob a montanha.

Mais tarde, entre os corredores gelados e torres retorcidas da prisão de pedra, Morgana andava sozinha, os pés leves, o manto esvoaçando como uma sombra viva. Todos estavam ausentes dos salões desde o último jogo sangrento de Amarantha, mas ela sabia onde encontrá-lo.

Lucien.

Ele estava mais magro, os cabelos desalinhados, o rosto machucado com uma cicatriz nova cruzando a antiga. Ainda assim, seus olhos queimavam com o mesmo fogo dourado de sempre. Quando a viu, ergueu a cabeça, sem surpresa.

Ela não disse uma palavra. Apenas o agarrou com força e o prensou contra a parede úmida com um estalo seco de pedra. Um instante congelado. Um gesto que, aos olhos de qualquer um, seria apenas raiva.

Mas ela o encarava como se procurasse algo dentro dele. Algo que ela mesma não queria admitir.

- Ela vale meu esforço? - perguntou baixo, como uma lâmina deslizando entre as costelas.

Lucien não hesitou. Nem por um segundo.

- Sim.

Foi quando Morgana viu. Não com os olhos - mas com a magia sutil que corria em sua pele. Uma linha tênue, frágil e vermelha como um corte recém-feito, vibrando entre Lucien e a humana.

Um passo atrás. Um fôlego. O peso do que viu queimando sob a pele - o destino se entrelaçando, rubro e frágil, como uma promessa feita ao próprio destino.

- Então ela terá o nosso esforço. - sussurrou, para ele e para si mesma.

Na mesma noite, sob a névoa da Corte Noturna escondida, Morgana, Rhys e Archie traçaram um novo plano. Não apenas para resistir. Mas para proteger.

Porque se a garota era corajosa o suficiente para amar e tentar libertar seu amado dentro de uma prisão de horrores - então eles também podiam lutar para que seu amigo não a perdesse.

Lucien merecia isso. Morgana já tinha permitido que Beron o arrancasse um amor e Amarantha um olho, não permitiria que ele perdesse sua parceira. Ela devia isso a ele...

Séculos antes de Sob a Montanha...

O sol da Corte Outonal aquecia levemente o jardim, filtrado pelas árvores cujas folhas estavam em tons vibrantes de laranja e vermelho. O aroma de terra úmida preenchia o ar, trazendo uma sensação de tranquilidade e renovação. Sentada em uma cadeira de madeira esculpida, Morgana acariciava distraidamente sua grande barriga, onde carregava seu segundo filho. Seus olhos observavam com carinho enquanto seu primogênito, Arcturos, corria pelo gramado com os cães de caça de Eris, o herdeiro da Corte Outonal. O ruivo estava com ele, rindo enquanto tentava acompanhar a energia incessante do pequeno Archie.

- Ele o adora - comentou Lúcia, sua voz doce, porém cansada. - Eris tem uma queda por crianças, apesar de tudo. - Ela lançou um olhar carinhoso para o filho brincando.

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