Sob a Montanha -
Dias atuais...
A cela era fria, úmida, e cheirava a sangue velho. Feyre estava encolhida no canto, os membros latejando em dor, a ferida na perna infeccionando sob os trapos sujos que ela mesma amarrou às pressas. Sua respiração era curta. O tempo escorria como sangue: lento, pegajoso, torturante.
Foi quando a escuridão pareceu se adensar.
Não um breu comum, mas uma presença, uma sombra com consciência. Um cheiro sutil de jasmim e relva molhada invadiu o ar. Depois, passos — dois pares, distintos. Um suave como uma dança, o outro determinado como uma lâmina.
Feyre ergueu o rosto com esforço, as pálpebras pesadas e os olhos turvos. A mulher que surgiu parecia feita da própria noite: alta, de postura régia, vestindo um manto que parecia ter sido tecido pelas mãos do crepúsculo. Ao lado dela, um jovem de olhar afiado, mais novo, mas com uma aura que parecia carregar séculos de dor e julgamento.
— Então é você — disse Morgana com frieza, a voz firme como pedra que suportou gerações. Seus olhos azuis esverdeados brilharam, analisando a humana à sua frente com algo entre desprezo e curiosidade.
Feyre tentou se encolher mais no canto, erguendo um braço trêmulo como se isso fosse proteção suficiente.
Archie não disse nada. Ficou parado, os olhos fixos na garota à sua frente, mas era impossível ignorar o maxilar tenso, os punhos fechados, os olhos que faiscavam como brasas prestes a devorar a cela inteira.
— Por que estão aqui? — Feyre sussurrou, a voz fraca, mas teimosa. — Vão... vão acabar com o trabalho de Amarantha?
Morgana apenas arqueou uma sobrancelha, como se a pergunta fosse estúpida demais para ser respondida.
— Vim fazer um acordo — respondeu, caminhando pela cela com lentidão. — Você está morrendo. Nós podemos impedir isso.
Feyre riu, uma risada rouca e amarga que virou tosse.
— Por que eu confiaria em vocês? — cuspiu, com um fiapo de força. — Vocês são da Corte Noturna. Estão do lado dela. Foram vocês... que ajudaram Tamlin a perder tudo. Que destruíram a família dele. Por que eu confiaria em alguém assim?
O silêncio que se seguiu foi mortal.
Feyre não entendeu o que havia feito até sentir. Até o peso no ar mudar. Até o calor ser sugado da cela como se a própria morte tivesse sido convocada.
Archie se moveu um único passo. Nada além disso. Mas foi o suficiente para fazer o chão tremer levemente sob os pés de Feyre.
O olhar dele... se olhar pudesse matar, a alma de Feyre estaria queimada em cinzas no canto da cela.
Mas ele não disse nada.
Não era necessário.
Morgana, por outro lado, parou em frente à garota e se abaixou levemente, ficando à altura de seus olhos.
— Você é ignorante — disse, sem raiva, apenas com uma dor gelada em cada palavra. — Mas não será punida por isso. Ainda não.
Feyre tentou falar algo, mas Morgana ergueu um dedo, pedindo silêncio.
— Em troca da sua sobrevivência, quero um acordo. Você virá comigo por uma semana, todos os meses, à Corte Noturna. Você viverá. E nós... manteremos você de pé até o fim disso.
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E P H I T Y M I A
FanfictionA vida de Morgana Pendragon vira de cabeça para baixo quando para salvar seu sobrenome, ela precisa se casar com o herdeiro da Corte Noturna.
