"Ela pagou o preço"

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Morgana sentiu o impacto antes mesmo de ver Feyre.

O salão do trono estava errado. Silencioso demais. Não havia apostas, não havia risadas afiadas, não havia o tilintar vulgar do ouro sendo distribuído como se vidas fossem dados lançados sobre mármore. Havia apenas expectativa. E luto antecipado.

Ela ficou ao lado de Rhysand, os dedos entrelaçados aos dele por um instante breve demais para ser notado. Um toque calculado. Um acordo mudo.

Seu mundo está sobre seus ombros, ele dissera a Feyre.
Mas Morgana sabia que aquele mundo também pesava sobre os deles.

Quando Feyre entrou, usando a túnica suja e rasgada, Morgana sentiu algo antigo e primitivo se revirar dentro do peito. Não pena. Não piedade. Respeito. Feyre caminhava como alguém que já tinha aceitado a morte, e isso... isso exigia coragem.

Ao redor, feéricos levaram os dedos aos lábios, estenderam as mãos. Morgana reconheceu o gesto. Honra aos que caem. Um adeus aos mortos antes mesmo do último suspiro.

Ela desviou o olhar quando Amarantha começou a falar.

Não por medo.
Por cálculo.

Tamlin permanecia imóvel ao lado do trono, uma estátua de culpa e silêncio. Morgana não sentiu raiva dele. Sentiu algo pior. Decepção fria, madura, definitiva.

Quando Feyre declarou seu amor, Morgana fechou os olhos por um instante.

Rhys não se moveu. Mas ela sentiu a tensão percorrer o corpo dele como uma lâmina sendo puxada lentamente da bainha.

Não é amor, Morgana pensou. É sobrevivência vestida de devoção.

Então Amarantha trouxe as adagas.

Três.
Freixo polido.
Um jogo pensado para quebrar algo que jamais poderia ser colado de volta.

Quando o primeiro feérico caiu, Morgana sentiu Archie estremecer.

Ele estava alguns passos atrás, o rosto rígido, os punhos cerrados. Não olhava para o sangue. Olhava para Feyre. Como se pudesse, de alguma forma, segurá-la ali, impedi-la de se perder naquele momento.

Lucien estava diferente. Morgana percebeu antes que qualquer outro. O laço de parceria entre ele e Feyre vibrava, tenso como uma corda prestes a arrebentar. Ele sentia cada golpe como se fosse nele. Cada morte reverberava em seu peito.

Quando a segunda feérica se ajoelhou e rezou, Morgana teve vontade de avançar. De acabar com tudo. De arrancar Amarantha do trono com as próprias mãos.

Mas não podia.
Ainda não.

E então veio o terceiro capuz.

Morgana sentiu o erro antes de vê-lo.

Quando Tamlin apareceu ajoelhado, o salão inteiro pareceu prender a respiração. Rhysand empalideceu. Archie deu um passo à frente antes de se conter, como se fosse instinto, não decisão.

- Não é justo - Feyre disse.

Não, Morgana concordou em silêncio. Não é.

Mas quando Feyre se moveu... quando ela olhou para Tamlin com algo que não era desespero, mas compreensão... Morgana soube.

Ela sentiu o momento exato em que a peça final do tabuleiro se encaixou.

O freixo quebrou.
O coração de pedra resistiu.

E o salão explodiu em murmúrios.

Rhys sorriu. Um sorriso selvagem, triunfante, perigoso. Morgana o conhecia bem demais para não saber: aquilo era vitória. Mas vitória nunca vinha limpa.

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