"O Preço da Liberdade"

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Na noite seguinte, Feyre foi novamente banhada, pintada e vestida para o espetáculo.

Não havia música. Não havia dança. Apenas o salão do trono e a expectativa faminta que se acumulava sob a montanha como um organismo vivo, pulsando à espera de sangue ou lágrimas.

Depois que bebia o vinho, Feyre tornava-se piedosamente alheia ao que acontecia. Era o único alívio concedido. Noite após noite, era vestida da mesma forma, conduzida por Arcturus até o salão, apresentada como entretenimento. Passava os dias dormindo, tentando afastar o torpor do vinho feérico, cochilando para escapar da humilhação que a aguardava todas as noites. Quando conseguia, pensava no enigma de Amarantha, revirando cada palavra, cada possibilidade... inutilmente.

E, quando entrava novamente no salão do trono, só lhe era permitido um lampejo de Tamlin antes que o vinho apagasse o mundo. Mas naquele breve instante, todas as noites, Feyre não escondia o amor e a dor que se acumulavam em seus olhos quando encontrava os dele.

Naquela noite, o vestido de tule era da cor de toranjas maduras.

Ela ainda ajustava o tecido nos ombros quando Morgana, Rhysand e Archie entraram no quarto. As serviçais de sombras desapareceram pelas paredes como fumaça. Archie, em vez de chamá-la, fechou a porta atrás de si.

- Sua segunda tarefa é amanhã à noite - disse Rhysand, a voz lisa, inexpressiva.

O bordado dourado e prateado da túnica preta reluzia à luz das velas. Pai e filho eram quase reflexos um do outro, a mesma postura predatória, o mesmo silêncio calculado. A diferença estava nos olhos: Archie herdara o verde-azulado de Morgana, enquanto Rhys carregava o violeta profundo da noite.

A notícia atingiu Feyre como uma pedrada. Ela havia perdido completamente a noção do tempo.

- E daí? - rebateu, forçando firmeza.

- Pode ser sua última - Archie respondeu, recostando-se no batente da porta, os braços cruzados.

- Se está tentando me provocar para entrar em outro de seus joguetes, está desperdiçando fôlego.

- Não vai implorar por uma noite com seu amado? - provocou Archie.

Morgana revirou os olhos. Rhysand sorriu de lado, irônico.

- Terei essa noite - Feyre retrucou - e todas as outras depois, quando vencer a última tarefa.

Archie deu de ombros e se aproximou, observando-a como quem avalia algo frágil demais para aquele lugar.

- Imagino se era tão teimosa com Tamlin quando era prisioneira dele.

- Ele jamais me tratou como prisioneira - Feyre rebateu. - Ou como escrava.

- Não... e como poderia? - Morgana interveio, a voz afiada. - Não com a vergonha e a brutalidade dos irmãos sempre pesando sobre ele. A pobre e nobre besta.

Ela avançou um passo, os olhos negros faiscando.

- Talvez, se tivesse aprendido algo sobre crueldade... sobre o que significa ser um Grão-Senhor de verdade... tivesse evitado a queda da Corte Primaveril.

- Sua corte também caiu - Feyre disparou.

Tristeza cintilou nos olhos verdes e violeta. Breve. Contida.

- Quando vagava livremente durante o Rito da Fogueira - Feyre insistiu - disse que aquilo lhe custou algo. Vocês venderam lealdade a Amarantha para não viver aqui embaixo?

O ar mudou.

Sombras mancharam a parede atrás de Rhys e Archie como asas se abrindo. Uma luz quase cegante emanou de Morgana.

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