Semanas se passaram desde que o mundo voltou a respirar.
Velaris reaprendeu o som do riso sem culpa, o deslizar constante das águas do Sidra sob a luz noturna, o sussurro das asas cortando o céu como constelações vivas em movimento. A cidade não esquecia a dor, mas aprendera a conviver com ela. A transformá-la em algo suportável.
A casa às margens do rio tornara-se um refúgio. Um silêncio bom. Daqueles que não ferem.
Rhysand estava com Morgana no quarto.
Ou, talvez, Morgana estivesse com ele.
Deitados entre lençóis ainda mornos, seus corpos entrelaçados sem urgência, como se o mundo finalmente tivesse lhes concedido o direito de apenas existir. Rhys repousava parcialmente sobre ela, uma asa aberta, envolvendo-a de forma inconsciente, possessiva e suave ao mesmo tempo.
Ela sorriu ao notar.
— Você faz isso até dormindo — murmurou Morgana, a voz baixa, quase um segredo compartilhado apenas com a noite.
Rhys abriu um olho, preguiçoso.
— Proteger o que é meu nunca exigiu esforço consciente.
— Arrogante — ela respondeu, mas o sorriso denunciava carinho.
Ele inclinou a cabeça, beijando-lhe o ombro com delicadeza.
— Vivo. Casado. Em casa. Se isso é arrogância, então aceito o título com prazer.
O corpo dele era familiar... e ainda assim novo. Cada toque parecia uma memória antiga que escolhera renascer diferente. Morgana passou os dedos lentamente pelas marcas em sua pele, cicatrizes que contavam histórias que nenhum livro ousaria registrar.
Amor, ela aprendera, não era fogo constante.
Às vezes era brasa quieta.
Às vezes, apenas permanecer.
Rhys acabou adormecendo primeiro, a respiração profunda e ritmada. Morgana ficou acordada, observando o movimento lento de seu peito, o subir e descer que provava, silenciosamente, que ele estava ali. Vivo. Quase inteiro...
Rhysand tinham pesadelos pelo meio da madrugada, sonhava que ainda estavam Sob a montanha, que ele ainda tinha o título de Vadia de Amarantha. Morgana acordava e ficava com ele, o ajudava a se banhar e o agarrava até que ele dormisse novamente.
Morgana pensava em tudo o que haviam perdido para que aquele momento existisse.
Pensava em tudo o que sobreviveram, com Rhys em seus braços.
E, ainda assim, a melancolia encontrou espaço.
Ela se alojava nos cantos mais suaves da felicidade, lembrando que o alívio nunca vinha sozinho.
Batidas suaves ecoaram pela casa.
Morgana sentiu antes mesmo de ouvir novamente.
— Archie — disse em voz baixa.
Rhys abriu os olhos imediatamente, alerta, o instinto de Grão-Senhor despertando sem esforço.
— Ele nunca aprendeu a bater como uma pessoa normal — murmurou, já se levantando estranhando a formalidade do filho mais velho.
— Ele não pede permissão — Morgana respondeu, vestindo um robe também estranhando. — Nunca pediu.
Na sala, o rio Sidra observava tudo em silêncio, refletindo a lua como um espelho antigo. Archie estava encostado próximo à janela aberta, braços cruzados, expressão fechada demais para alguém que havia vencido uma guerra recente.
— Vocês demoraram — ele comentou, sem virar totalmente o rosto.
— Tentamos aproveitar a rara ocasião em que o mundo não estava desmoronando — respondeu Rhys, apoiando-se no encosto da cadeira onde Morgana agora repousava. — Imagino que você não veio apenas reclamar.
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E P H I T Y M I A
FanfictionA vida de Morgana Pendragon vira de cabeça para baixo quando para salvar seu sobrenome, ela precisa se casar com o herdeiro da Corte Noturna.
