Morgana estava sobre ele quando tudo se rompeu.
Não houve pressa. Não houve palavras. O mundo não pediu permissão nem fez ruído algum ao redor deles. Foi apenas o reconhecimento profundo de algo que havia sido roubado... e agora, devolvido.
Rhysand fechou os olhos.
Não em rendição. Em alívio.
Por décadas, seu corpo fora instrumento. Sustentação. Moeda de troca. Sempre por cima, sempre conduzindo, sempre suportando o peso de uma rainha que confundia poder com posse. Ali, porém, não havia exigência. Não havia encenação.
Morgana guiava.
Rhys confiava.
E aquilo, mais do que prazer, era cura.
Quando o momento passou, não deixou vazio. Deixou silêncio. Um silêncio pleno, quente, quase reverente.
Eles ficaram se olhando como se o tempo tivesse perdido o rumo.
Morgana ainda estava ali, os joelhos apoiados na cama, os cabelos negros espalhados como uma noite indomável, a respiração desacelerando aos poucos. Rhysand ergueu a mão e tocou-lhe o rosto com cuidado extremo, como se temesse que ela desaparecesse se piscasse.
- Devíamos... - ela começou, sentindo o peso do mundo do lado de fora.
- Não - ele interrompeu de imediato. - Pela primeira vez em quarenta e nove anos... essa cama está confortável.
Ele a puxou para si, envolvendo seu corpo nu contra o dele, as costas de Morgana coladas ao peito de Rhys. O gesto não era de posse, mas de pertencimento. Como se dissesse: fica. Como se pedisse: não vá.
Rhys enterrou o rosto nos cabelos dela e respirou fundo.
O cheiro dela.
O cheiro deles.
Passou os dedos pelas laterais do corpo de Morgana, deliberadamente, provocando cócegas. Um gesto bobo, quase juvenil, que não combinava em nada com o lugar onde estavam.
Morgana riu.
Um riso real. Leve. Um som que ela não lembrava de ter feito ali, sob aquela montanha.
- Pare - reclamou, se soltando do abraço.
Ela rolou para longe, levantou-se da cama e, sem cerimônia, deixou o lençol cair. Ficou nua diante dele, sem defesa alguma, como quem sabe exatamente quem é.
Rhysand a observou em silêncio.
A fêmea mais bela que já existiu, pensou, sem esforço algum.
Perdendo apenas para nossas filhas.
Eden, segura em Velaris, longe daquele inferno.
Hyacinth... perdida para o tempo, para a história, para a dor que nunca deixou de existir.
O peso atravessou Morgana antes mesmo que ele dissesse algo. Ela sentiu. Sempre sentia.
- Não - disse, a voz baixa, firme. - Não pense nisso agora.
Rhys se levantou e envolveu o rosto dela com as mãos, os polegares traçando linhas suaves sob seus olhos.
- Nós vamos sair daqui.
- Rhys...
- Com ou sem nós - ele insistiu. - Archie vai sair. Eu prometo.
Ele contou então sobre o acordo. Sobre Feyre. Sobre a cláusula invisível que se quebraria se a humana morresse. Sobre a força que isso devolveria a Morgana. Força suficiente para mandar o filho para Velaris. Seguro. Livre.
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E P H I T Y M I A
FanfictionA vida de Morgana Pendragon vira de cabeça para baixo quando para salvar seu sobrenome, ela precisa se casar com o herdeiro da Corte Noturna.
