Sombras do Passado

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Sakura


Eu conseguia definir, talvez, com alguma propriedade o que era alegria. Eu a senti em muitos momentos da minha vida enquanto ninja. Senti quando soube que Naruto estava bem ao final das diversas batalhas que travou; senti quando Sasuke finalmente voltou para a vila; senti quando consegui usar ninjutsu médico pela primeira vez; senti quando despertei o byakugou — mesmo em meio ao caos. A alegria era fácil de ser definida, mas e a felicidade?

Dizem que felicidade está ligada a um estado mais profundo da alegria, um estado duradouro e de bem-estar com sua vida no geral e, talvez, naquele momento, eu estivesse próxima daquele conceito. Eu estava bem. Eu gostava de como e para onde as coisas estavam indo. Estava contente!

Eu gostava de ser sentir aquela alegria diária quando acordava com o braço de Obito ao redor da minha cintura; gostava das nossas conversas enquanto tomávamos chá ou comíamos algum doce diferente; gostava do jeito que ele sempre parecia inebriado com o meu cheiro e gostava, principalmente, do bem que a sua presença me fazia.

Gostava de como me sentia com ele.

Os últimos dias passaram tão rápido que quase não dei conta. Eram dias comuns com uma rotina que nunca imaginei que pudesse compartilhar com Obito. Todos os dias descobria algo novo a seu respeito: docinhos após o jantar, mesa de estudos sempre muito bem organizada, janela um pouquinho aberta na hora de dormir, almofadas na varanda porque ele gostava de admirar o céu.

Acordei, naquele dia, da forma que mais estava adorando ultimamente.

— Bom dia! — Obito disse com a voz levemente rouca por conta do sono. — Por favor, me diz que não vai levantar agora. — Ele sorriu com os olhos mais fechados que abertos.

— Infelizmente, vou sim. — Não pude evitar o bico de descontentamento, pois tudo o que eu mais queria era ficar emaranhada em seus braços.

— Ainda está muito cedo, Sakura. O dia nem amanheceu direito ainda.

Olhei pela fresta da janela e, de fato, o céu ainda estava com aquelas cores que querem deixar o sol aparecer.

— Sabe que hoje tenho uma reunião importantíssima sobre a inauguração da clínica, não é? — Tirei seu braço da minha cintura e sentei-me colocando os pés no chão sentindo o contato gelado. — Você também não tem que ir até o Kakashi? Lembra que ele queria falar algo há alguns dias?

Obito soltou um muxoxo que me fez rir enquanto me levantava procurando minha toalha.

— Sakura, sua missão é salvar vidas, mas neste momento você está acabando com a minha, me deixando sem o seu calor aqui.

Soltei uma gargalhada.

— Admiro seu drama.

Dirigi-me ao banheiro com aquela pontadinha que desperta lá no fundo do coração, onde você só tem vontade de rir e se deixar levar por bons pensamentos. Nos últimos dias tudo estava se mostrando fácil. Com Obito era assim: fácil.

Eu carreguei por muito tempo algo em mim sobre um amor doído, onde o sacrifício pelo bem-estar do outro era primordial; onde eu sempre tinha que colocar a felicidade do outro acima da minha; onde trilhar o mesmo caminho que o outro queria, era o mais adequado.

Obito meio que me fazia ver algo diferente. Eu não queria colocá-lo à frente de todos os meus planos. Eu o queria bem, óbvio; queria vê-lo feliz e queria vê-lo com o coração transbordando a gentileza e o amor que eu sabia que ele tinha, mas em momento algum, pensei em me deixar em segundo plano pra isso.

Scar Tissue - ObiSakuHistórias para pegar e não largar. Descubra agora