K.O| Rascunho

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TÍTULO: Gelo na Boca, Fogo no Olhar.
Inspiração retirada da música: ICE ON MY TEETH do meu grupo de Kpop favorito, ATEEZ.

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Eu sempre soube que o mundo me pertencia. Cada salto meu batendo no mármore da boate era uma declaração de guerra. Eu não nasci para ser discreta. Perfume caro, vestido justo, e segredos piores que veneno no vinho. Meu nome era sussurrado com medo e desejo. Aiko. Herdeira de um império farmacêutico, mas nas manchetes, eu era outra coisa: "viúva negra das festas", "garota de coração blindado", "nunca se apaixona".

Mentiras. Ou quase.

Eu não precisava de amor. Eu queria controle. Luxo. Poder.

Até ver ele.

No canto mais escuro do salão, feito uma montanha viva. Kaoru Hanayama. O homem que parecia ter saído de um filme em preto e branco, com olhos que não piscavam e uma presença que esmagava o ar. Um rei sem coroa, sem corrente de ouro, sem uma palavra sequer. Eu senti o perigo. E fui direto até ele.

— Lugar errado pra um samurai silencioso — disse com meu melhor sorriso. — Aqui só tem tubarões vestidos de Gucci.

Ele ergueu os olhos. Calmo. Letal.

— Hum.

Simples assim. E ainda assim, senti um arrepio.

— Qual é o seu veneno, Hanayama?

Ele respondeu com a voz baixa, grave.

— Não bebo veneno. Engulo inteiro.

Não era charme. Era verdade. Ele falava com o tipo de firmeza que ninguém finge.

Me sentei à frente dele, cruzando as pernas. Sabia que o vestido subia. Sabia o que isso fazia com os homens. Ele olhou. Mas não com desejo vulgar — com análise. Como se eu fosse uma arma sendo desmontada.

— Você não fala muito, né? — provoquei.

Ele ergueu um canto da boca.

— Falo o suficiente.

Me inclinei sobre a mesa, o decote à mostra, olhos nos dele.

— Então fala pra mim: o que você vê quando olha pra mim?

Ele pousou o copo, me olhou como se atravessasse minha pele.

— Alguém tentando se manter intacta num mundo feito pra quebrar.

Doeu. Porque era verdade.

Levantei devagar, sem disfarçar o impacto.

— Vem comigo.

[...]

Meu apartamento era como eu: preto, elegante, perigoso. Mármore, vidro, arte que machuca. Hanayama entrou como se o espaço já fosse dele. Não disse nada. Me observava como se cada movimento meu fosse um enigma.

Abri o vinho.

— Achei que você fosse do tipo que domina — disse, tentando manter a voz firme.

Ele se aproximou. O calor dele invadiu meu espaço. Segurou meu pulso com força, mas sem machucar.

— Eu sou do tipo que protege. Mas se quiser ser dominada... — ele passou os olhos por mim — vai ter que me pedir.

Senti o estômago revirar. Fome. Desejo. Medo.

— E se eu quiser te quebrar?

Ele se inclinou. A respiração dele roçou meu rosto.

— Boa sorte.

[...]

Foi uma dança sem música. Beijos como promessas. Mãos grandes mapeando meu corpo com precisão de guerreiro. Eu não sabia se queria mandar ou me render. Ele não me apressava. Me estudava. Me controlava com calma. Sem palavras.

Quando ele me jogou no sofá, soltei um gemido que não consegui conter.

— Ninguém faz isso comigo — confessei.

Os dedos dele tocaram minha clavícula com reverência.

— Porque você não deixa.

— E por que deixei você?

A mão dele subiu até meu rosto. Aquele toque... suave. Quase carinho.

— Porque no fundo, você tá cansada de ser gelo. E eu sou fogo o bastante pra derreter.

[...]

Naquela madrugada, perdi mais do que a pose. Perdi a armadura. Hanayama me tomou como se soubesse exatamente onde eu doía e onde eu queria ser tocada. Nada bruto. Tudo firme. Quente. Preciso.

Quando adormeci sobre o peito tatuado dele, senti algo que nunca tinha sentido antes.

Paz.

E entendi: talvez eu não precisasse de mais poder.

Talvez só precisasse dele.

Baki ImaginesOnde histórias criam vida. Descubra agora