A Garota Da Limpeza

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E se ao invés de ter ido até Katsumi, Amy tivesse decido continuar com a sua decisão de ignorá-lo? O famoso "e se?", uma dúvida que só o destino poderia sanar.

Bem... Nós ainda podemos descobrir. Kisses da vossa autora favorita, King.

—————

Amy

Um condenado, o desgraçado havia causado todo aquele estrago no dojo, colocando todos em risco com a sua busca insana pela derrota. E a que custo? Me via divagando entre meus pensamentos enquanto tentava o meu máximo para não acabar exercendo força demais sob os ferimentos do Retsu Sensei. Haviam rastros de queimaduras por seus braços, mesmo tendo usado uma de suas técnicas, ela por si só não foi o suficiente para proteger sua pele bronzeada do ardor do fogo. A cada toque que eu executava sob sua pele com o algodão umedecido com medicamentos, o sensei emitia um tipo de som. Às vezes um resmungado, outras um som similar a um gemido.

Dor. Até nesse tipo de situação ele conseguiu exceder as minhas expectativas. Para o Retsu Sensei aquelas queimaduras pareciam não significar grande coisa.

— Por favor, Sensei, não se mexa — Pedi gentilmente, agarrando seu braço outra vez, o trazendo para perto do algodão em minhas mãos. O ouvi resmungando alguma coisa em chinês, praguejado até a minha última descendência, eu presumo. Deixei uma risada rápida escapar, era engraçado ver um homem tão importante quanto Retsu Kaioh acatando as ordens de uma simples faxineira.

— Do está rindo? — O ouvi questionar com um semblante confuso estampado em seu rosto.

— Nada de importante. — Respondi, largando o algodão usado na lixeira — Áreas desinfectadas. Agora precisamos enfaixar. — Digo, começando a procurar pelas gazes.

Não vou mentir, sei exatamente onde elas se encontram graças ao meu trabalho como faxineira, mas prefiro enrolar um pouco e evitar o contato com os olhos do homem sentado atrás de mim. Não sei bem como explicar, mas há algo nesse homem que faz o meu corpo reagir de forma estranha. Coisas que jamais senti na presença de outra pessoa, eu sentia quando dividíamos o mesmo espaço.

— Está acontecendo alguma coisa, Amy? — O ouvi questionar com um tom de voz rouco, o que causou uma onda de arrepios pelo meu corpo.

— N-não, por que? — Questionei, ainda de costas para ele. Pude sentir meu rosto esquentar em resposta a sua voz.

Envergonhada, eu estava evitando olhar para Retsu Kaioh... Que ideia patética!

— Por que está tão tensa?

Droga, fui pega! Suas habilidades de observação eram realmente incríveis! Era de se esperar de um cara que possui o título de Kaioh. Pretendia balbuciar a primeira coisa que viesse em minha mente assim que me virasse novamente em sua direção, mas algo aconteceu com o meu corpo, ele simplesmente não obedecia mais aos comandos do meu cérebro.

— Amy — O ouvi me chamar mais uma vez.

Eu queria reagir, me virar e encará-lo como uma pessoa civilizada faria, mas, por algum motivo, meu corpo não obedecia. O que significa isso? Porque não consigo me mexer?

O Retsu sensei deve ter percebido que algo não estava certo, pois após alguns segundos, pude ouvir o som da maca rangendo, sinalizando sua movimentação.

— Amy.

Outra vez ouvi ele repetir meu nome, meu corpo reagiu de imediato ao estímulo de sua voz. Senti outra vez uma onda de arrepios percorrendo toda a extensão do meu corpo, meu coração errar as batidas a cada ruído novo que o sensei emitia.

— Sim? — Respondi depois de reunir coragem o suficiente para encará-lo.

— Aconteceu alguma coisa?

— Fora do acidente no Dojo, não.

— Não me refiro a esse tipo de problema.

— Não?

— Amy, quero que seja sincera e me diga o que realmente está acontecendo com você?

Eu hesitei. A minha garganta estava apertada, como se um peso imenso tivesse se instalado ali. O que eu deveria responder? O que eu queria dizer? Não era só sobre a dor que ele sentia, ou as feridas do dojo, não. O que eu sentia estava muito além disso, algo que eu não sabia como admitir.

Eu respirei fundo, tentando organizar os pensamentos enquanto sentia o peso de sua presença ali, observando-me atentamente. Como eu poderia lhe dizer? Como poderia explicar que não conseguia mais controlar meu próprio corpo na sua presença? Que, por mais que tentasse manter o foco, ele conseguia fazer com que todas as minhas defesas se desintegrassem, pouco a pouco.

Aos poucos, minha mente estava sendo dominada por algo que nem eu mesma conseguia entender direito. O quanto eu estava envolvida? O quanto eu o desejava? Ele era Retsu Kaioh, um homem que parecia impossível de alcançar, mas mesmo assim, meu corpo respondia a ele, mesmo que minha razão quisesse gritar para que eu parasse.

— Não sei... — Eu disse, a voz baixa, quase como um sussurro.

Ele me observou em silêncio, analisando cada palavra, cada movimento meu. E então, por um momento, ele se inclinou um pouco mais perto, o que fez meu coração disparar. Era quase como se ele soubesse a verdade, como se ele sentisse, sem que eu precisasse dizer uma palavra.

— Não precisa responder agora, Amy. — Sua voz saiu suave, quase imperceptível, mas tão carregada de significado que eu quase não consegui suportar.

Aquele olhar penetrante, aqueles olhos que viam através de mim, estavam agora mais próximos do que nunca, e eu não sabia mais o que fazer com aquilo. Ele continuou ali, em silêncio, esperando.

Meu coração estava fora de controle. O que ele estava tentando fazer? O que ele queria de mim? Ele me deixava sem respostas, mas, ao mesmo tempo, me dava o tempo para decidir o que fazer a seguir.

Eu me levantei lentamente, tentando manter o mínimo de dignidade, mas sabia que, de alguma forma, aquilo tudo estava mudando algo dentro de mim. Eu não queria que ele soubesse, mas ele estava me alterando. Eu já não era mais a mesma desde o momento que ele entrou naquela sala.

Retsu, com um último olhar quase enigmático, se levantou. Sem dizer mais nada, ele se dirigiu para a porta, ainda me observando, com aquele olhar que parecia ser tanto uma concessão quanto um desafio. Ele parecia estar aguardando algo. Esperando que eu fizesse o próximo movimento. Eu sabia que não seria fácil. Eu sabia que, de agora em diante, nada mais seria como antes.

— Vamos deixar isso de lado por enquanto. — Ele disse, enquanto eu terminava de colocar o curativo, mais para si mesmo do que para mim. Havia algo por trás de suas palavras, algo que não pude identificar naquele momento, mas que ainda pairava no ar.

E então, ele se levantou e caminhou em direção à porta, me deixando ali, com o coração acelerado e a mente turvada. Sem uma resposta clara, sem um caminho definido.

Eu sabia que o que quer que fosse que estivesse acontecendo entre nós dois não terminaria tão facilmente. Algo estava prestes a quebrar, e não poderia mais voltar atrás.

Com um último olhar sobre o ombro, Retsu saiu da sala, me deixando sozinha. E, pela primeira vez, me perguntei se realmente eu estava preparada para enfrentar o que viria a seguir. Ou se ele sequer esperava que eu estivesse.

O que aconteceria agora? Era a única pergunta que me restava, e só o tempo diria a resposta.

Baki ImaginesOnde histórias criam vida. Descubra agora