ENTRE CAFÉ E VERSOS - SOPE

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Primavera em Seul era uma pintura viva. As cerejeiras explodiam em tons de rosa pálido ao longo das ruas, e o ar tinha aquele cheiro suave de flores misturado com café recém passado, o cheiro que preenchia as manhãs no pequeno café "Coração Silencioso", aninhado entre prédios antigos no bairro de Mapo.

Yoongi sempre sentava na mesma mesa, no canto perto da janela. O sol batia ali com gentileza e aquecia sua pele pálida enquanto ele rabiscava letras em seu caderno encapado de couro. Ele era do tipo silencioso, observador, que preferia palavras escritas a conversas barulhentas.

E era exatamente por isso que Hoseok o notou.

Hoseok era o oposto: risos fáceis, olhos que brilhavam como mel sob o sol, e mãos que se moviam com graça enquanto servia cafés e doces no balcão. Trabalhava no "Coração Silencioso" desde que decidira pausar sua carreira de dança por conta de uma lesão. Agora, despejava sua energia nos detalhes: flores frescas em cada mesa, bolos caseiros, playlists feitas com carinho.

Mas sempre que Yoongi chegava, o mundo parecia desacelerar.

Yoongi não era um cliente qualquer. Ele pedia o mesmo todos os dias: latte com leite de aveia e um pedaço de bolo de limão. Mas era o jeito como olhava pela janela, ou como mordia o lábio inferior enquanto escrevia, que fazia o coração de Hoseok tropeçar no peito.

Na terceira semana, Hoseok tomou coragem.

— Você escreve música? — Perguntou ele, colocando o latte sobre a mesa com um leve sorriso.

Yoongi ergueu os olhos devagar, como se tivesse sido arrancado de um universo distante.

— Às vezes. Às vezes só escrevo para não explodir.

Hoseok sorriu mais largo.

— Quer dizer que esse caderno é seu colete salva-vidas?

Yoongi sorriu também, discreto. A partir daquele dia, ele começou a escrever mais ali. E Hoseok começou a fazer cafés melhores.

As tardes viraram conversas.
As conversas viraram risadas.
E uma noite, viraram confissão.

Chovia forte lá fora, as gotas se chocando contra os vidros com fúria, enquanto os dois estavam sozinhos no café. - Hoseok fechava, e Yoongi ficara para ajudá-lo a limpar. O ambiente era íntimo, aquecido pelas luzes douradas, pelo aroma de baunilha e pelas faíscas invisíveis entre os dois.

— Sabe o que é engraçado? — Disse Yoongi, enquanto secava as mãos em um pano. — Eu tenho escrito cada vez menos no caderno. E mais... na minha cabeça.

Hoseok o encarou, confuso.

— Por quê?

— Porque agora meu colete salva-vidas... — Ele hesitou, olhando para os olhos castanhos de Hoseok. — ...sorri atrás do balcão.

E isso foi o suficiente.

Hoseok se aproximou devagar, os olhos brilhando como faróis na noite. Quando os dedos dos dois se tocaram, foi como eletricidade. Quando os lábios se encontraram, foi como uma prece silenciosa respondida.

A chuva aumentou, mas ali dentro o mundo parou.

O beijo foi suave no começo, mas logo se tornou urgente, carregado de desejo acumulado. Hoseok puxou Yoongi pela camisa, fazendo-o tropeçar até uma parede entre estantes de grãos e quadros antigos. O cheiro de café e madeira misturava-se ao calor que nascia entre eles.

— Hobi... — Yoongi gemeu contra o pescoço do outro, suas mãos encontrando a cintura fina e apertando como se quisesse gravar aquele momento na pele.

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