STALKER - NAMJIN

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Seokjin sempre teve a sensação de ser observado, mas nunca dava muita atenção. Achava que eram só paranoias ou coincidências. Até que as pequenas coisas começaram a se tornar impossíveis de ignorar: os olhares nos cafés, os passos que pareciam sempre aparecer atrás dele na rua, os e-mails sem remetente com mensagens vagas, mas alarmantemente precisas sobre sua rotina.

Ele não sabia quem era o tal Namjoon, mas Namjoon sabia tudo sobre ele. Sabia seu horário de trabalho, os restaurantes que frequentava, os livros que comprava. Sabia até o tipo de perfume que Seokjin usava, porque de alguma forma, estava sempre perto o suficiente para sentir o cheiro.

Uma tarde, enquanto caminhava para casa, Seokjin percebeu algo diferente: um reflexo na vitrine de uma loja. Um homem com uma jaqueta verde e cabelo bagunçado, parado a alguns metros de distância, observando cada movimento seu com um sorriso que era, ao mesmo tempo, tranquilo e perturbador.

Seokjin engoliu em seco. Seu coração acelerou, mas algo nele, uma estranha sensação de reconhecimento, fez com que seus pés parassem. O homem acenou levemente, como se dissesse: Eu estou sempre aqui.

Ele não sabia que era o começo de uma obsessão que transformaria cada passo, cada escolha e cada respiração sua em algo monitorado, calculado e manipulado por Namjoon. E, por mais que quisesse negar, uma parte de Seokjin sentia uma estranha atração, um frio arrepiante que misturava medo e curiosidade.

Seokjin tentou ignorar a sensação desconfortável, mas ela estava se infiltrando em cada aspecto do seu dia. No café da manhã, alguém deixou uma xícara de chá exatamente do jeito que ele gostava, com uma pequena folha de hortelã flutuando por cima. No metrô, ele sentiu o cheiro inconfundível de café moído, embora ninguém próximo estivesse bebendo nada.

E então, aconteceu: ele encontrou Namjoon por acaso, ou pelo menos era o que parecia.

— Olá. — Disse Namjoon, com uma voz calma e suave, como se tivesse esperado anos por aquele momento. — Não nos conhecemos?

Seokjin engoliu em seco, tentando disfarçar a inquietação que crescia dentro dele. Não, eles não se conheciam. Mas havia algo nos olhos de Namjoon, algo que queimava com intensidade e atenção, como se cada pensamento de Seokjin estivesse estampado ali.

— Acho que... talvez nos cruzamos alguma vez. — Respondeu Seokjin, tentando soar natural, embora sua voz tremesse.

Namjoon sorriu. Não era um sorriso amistoso; era calculado, estudado.

— Deve ter sido. Mas o destino é engraçado, não é? Sempre nos coloca nos lugares certos. — Disse, inclinando-se levemente, como se quisesse observar cada reação de Seokjin.

Seokjin tentou se afastar, mas seu corpo parecia parado, hipnotizado por algo que não conseguia compreender. Por trás da calma de Namjoon, havia algo predatório, mas também fascinante. Algo que fazia seu coração bater mais rápido, mesmo que fosse puro medo.

Quando Seokjin finalmente conseguiu se afastar, ele percebeu algo: um pequeno bilhete deslizado em sua mão sem que ele percebesse. Estava escrito apenas:

"Não tenha medo. Estou sempre perto."

O frio que subiu pela sua espinha não era só de medo. Era uma mistura de curiosidade e alerta, de fascínio e tensão, que ele não conseguia ignorar. E Namjoon? Ele desapareceu na multidão como se nunca tivesse estado ali, deixando apenas a certeza de que havia começado um jogo do qual Seokjin não sabia se conseguiria escapar.

Seokjin não conseguia tirar Namjoon da cabeça. Cada passo fora de casa vinha acompanhado de um frio na espinha, de uma sensação de ser seguido. Mas ao mesmo tempo, havia algo hipnotizante naquele homem: a precisão, a calma quase cruel com que parecia conhecer cada detalhe da vida dele.

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