A ENTREGA IMPERFEITA - JIKOOK

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O quarto estava mergulhado em penumbra, iluminado apenas pelo abajur antigo sobre o criado-mudo. A luz amarelada se espalhava fraca, criando sombras irregulares nas paredes manchadas pelo tempo. O lençol amassado envolvia parcialmente os corpos de Jimin e Jungkook, ainda colados pelo suor recente da intimidade.

O silêncio pairava pesado. Ambos ofegavam, respirando fundo, mas não havia pressa em preencher o espaço com palavras. O cansaço e a satisfação estavam ali, sim, na forma como os músculos relaxavam, no jeito que os dedos de Jungkook ainda roçavam distraídos o quadril de Jimin. Mas, por baixo disso, uma apreensão quase palpável se infiltrava.

Jimin encarava o teto, os lábios entreabertos, como se buscasse ar além do que o quarto abafado permitia. O peito subia e descia rápido demais, e a mente girava em círculos: não era apenas prazer que restava em seu corpo, mas um eco incômodo de dúvida.

Jungkook, de lado, o observava em silêncio. O olhar parecia cansado, mas também vigilante, como se temesse quebrar aquele frágil intervalo entre eles. A mão que antes segurava com firmeza agora descansava hesitante sobre o lençol.

— Você... — A voz de Jimin saiu baixa, quase um sussurro. — Você acha que isso foi certo?

Jungkook demorou alguns segundos para responder, desviando os olhos como se buscasse coragem na sombra da parede.

— Eu não sei. — Respirou fundo. — Mas eu precisava de você.

O silêncio voltou a se instalar. Só o som distante do relógio na cozinha marcava o tempo, cada segundo mais pesado que o anterior.

Jimin fechou os olhos por um instante, como se tentasse encontrar forças na escuridão interna. Então se virou de leve, aproximando o rosto de Jungkook. Não havia sorrisos, não havia certezas. Apenas a crueza da entrega, imperfeita, cheia de falhas, mas ainda assim real.

O lençol deslizou um pouco, revelando marcas na pele, lembranças físicas de algo que já não poderia ser desfeito.

E naquela madrugada, o quarto pequeno parecia guardar um segredo maior do que os dois estavam prontos para admitir.

O silêncio foi quebrado de forma abrupta quando Jimin puxou Jungkook pelo pescoço, colando seus lábios em um beijo áspero, quase desesperado. Não havia ternura ali, era urgência, era o gosto metálico do suor ainda quente em suas bocas.

Jungkook respondeu com a mesma fome, pressionando o corpo contra o dele, o lençol se arrastando e caindo da cama. A pele colava na pele, úmida, quente, e cada movimento lembrava o que tinham acabado de fazer... mas também gritava que ainda não era suficiente.

As mãos de Jungkook deslizaram pelo quadril de Jimin, firmes, marcando os dedos na carne macia. Ele apertou, puxou, obrigando-o a se curvar. Jimin arfou, a respiração cortada pelo choque entre prazer e dor, e uma risada baixa escapou de Jungkook.

— Você gosta assim, não gosta? — Ele sussurrou contra o ouvido dele, a voz rouca, carregada de provocação.

Jimin não respondeu de imediato, apenas mordeu o lábio, os olhos semicerrados. Então, arqueou as costas, oferecendo-se mais, provocando de volta com um gemido contido.

A cama rangeu quando Jungkook se moveu rápido, invertendo as posições. Segurou os pulsos de Jimin contra o colchão, o peso de seu corpo o prendendo. Não havia espaço para fuga. As bocas se encontraram de novo, mas agora a mordida foi dura, deixando marcas vermelhas.

O choque de quadris ecoou pelo quarto abafado. O som da pele contra pele se misturava aos gemidos abafados, à respiração entrecortada, ao ranger da cama que parecia protestar contra cada investida.

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