FEBRE NA PELE - TAEYOON

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O isolamento acústico do estúdio retinha o calor de forma quase claustrofóbica, transformando as quatro paredes revestidas de espuma escura em uma estufa particular. Do lado de fora, o inverno de Seul castigava as janelas com rajadas de vento congelante, mas ali dentro, o ar condicionado parecia ter desistido de funcionar horas atrás. Ou talvez fosse apenas o olfato e a percepção distorcida de Min Yoongi.

Ele estava inclinado sobre a mesa de som, com os fones de ouvido caídos ao redor do pescoço como uma coleira frouxa. A luz azulada dos monitores projetava sombras profundas em seu rosto pálido, acentuando as olheiras de quem passara as últimas trinta e seis horas caçando a frequência perfeita para uma melodia. Mas a verdade era outra. Desde a noite anterior, seu lobo interior rosnava na base de sua consciência, inquieto, farejando o ar. Suas mãos, tensas e manchadas de café, tamborilavam no braço da cadeira de couro preto. O silêncio era absoluto, interrompido apenas pelo zumbido quase imperceptível dos coolers dos computadores.

Até que a tranca da porta cedeu.

Taehyung entrou sem bater. Ele não apenas empurrou a porta pesada, ele praticamente desabou para dentro do ambiente, fechando-a atrás de si com um baque surdo e girando a chave com os dedos trêmulos. O clique da fechadura ecoou como um tiro no estúdio.

Yoongi ergueu o olhar, a mente pronta para soltar um resmungo cansado, mas as palavras morreram instantaneamente em sua garganta. Seus olhos de Alfa se dilataram na penumbra. O cheiro atingiu seu sistema nervoso como uma onda de choque, uma explosão violenta de pêssegos doces e jasmim, mas completamente alterada, densa, caramelizada pelo calor. Era o cheiro de um Ômega entrando em um estopim de cio. Uma febre pura.

Taehyung parecia completamente desalinhado, despido da habitual elegância milimetricamente calculada. O casaco de grife estava aberto, desabado pelos ombros, revelando que ele mal tivera forças para se vestir direito antes de sair correndo pelas ruas. Sua respiração vinha em um ritmo ligeiramente acelerado, fazendo o tecido fino de sua camisa de seda escura subir e descer. Os cabelos castanhos estavam bagunçados, colados na testa por uma fina camada de suor. Mas foram os olhos que fizeram o sangue de Yoongi ferver. Havia um brilho febril neles, as íris castanhas oscilando para um tom âmbar líquido, uma intensidade crua e faminta direcionada inteiramente ao seu Alfa.

- Alguma coisa aconteceu? - Yoongi perguntou. Sua voz saindo mais baixa do que pretendia. Um som rouco, áspero, carregado pelo tom de comando que ele tentava segurar a todo custo para não subjugar o Ômega ali mesmo.

Taehyung não respondeu imediatamente. Ele começou a caminhar em direção à mesa de som. Cada passo era deliberado, lento demais, as pernas vacilando levemente sob o peso da própria biologia. O cheiro dele ficava mais forte a cada centímetro avançado, preenchendo os pulmões de Yoongi, fazendo os caninos do Alfa pressionarem a parte interna de seus lábios.

- Eu precisava te ver. - Taehyung disse, parando a escassos centímetros da cadeira de Yoongi. O ar ao redor dele parecia vibrar de calor.

Yoongi segurou o encosto de braço da cadeira com tanta força que o couro estalou. Uma tensão súbita, magnética, prendeu-se ao seu peito.

- Você me viu ontem no ensaio, Taehyung. - Yoongi rebateu, tentando manter a fachada de controle, a armadura lógica que o Alfa usava para proteger a ambos de seus próprios instintos. - O que você está fazendo aqui nesse estado? Você devia estar em casa, trancado, tomando seus supressores.

- Não foi suficiente. Nem perto disso. - Taehyung deu o último passo, eliminando o espaço seguro. Suas mãos subiram devagar até as lapelas do próprio casaco, empurrando a peça pesada para trás, deixando-a escorregar pelos braços até que caísse no chão com um baque surdo. - Os supressores não funcionaram, hyung. Nenhum deles funciona mais desde ontem.

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