O TRONO DE VIDRO. ENTRE A COROA E O CAOS- JINKOOK

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O Reino de Aethelgard era conhecido por sua força militar e leis rígidas de castas. No topo dessa pirâmide estava o Rei Kim Seokjin. Aos olhos do povo, ele era o epítome do Alfa: ombros largos, voz de comando profunda e uma aura de autoridade que fazia até os generais mais endurecidos baixarem a cabeça.

Mas, por trás das portas pesadas de carvalho de seus aposentos privados, a realidade era uma tortura diária.

Seokjin vivia sob o efeito de supressores experimentais e bloqueadores de odor potentes que corroíam sua saúde, tudo para mascarar o doce e floral perfume de Lírios do Vale que denunciava sua natureza Ômega. Ele usava cintas de couro apertadas sob a túnica real para esconder a suavidade de seu corpo e praticava o endurecimento do olhar no espelho todas as manhãs.

"Um Rei Ômega não é um Rei; é um alvo", seu pai, o Rei anterior, lhe ensinara antes de morrer. Seokjin não reinava por ambição, mas para evitar que o país caísse nas mãos de primos tiranos que destruiriam o que seu pai construíra.

A rotina de medo de Seokjin foi abalada quando uma delegação do sul chegou trazendo tributos. Entre sedas e ouro, estava Jeon Jungkook.

Vendido por sua própria família como um "presente de entretenimento" para o Rei, Jungkook era um Ômega de beleza rara, com um cheiro suave de Sândalo. Ele entrou na sala do trono com a cabeça baixa, mas quando seus olhos se levantaram para encontrar os do Rei, algo estalou.

Seokjin sentiu um arrepio. Jungkook não viu apenas um monarca; ele sentiu, através da barreira química dos supressores, uma frequência vibracional que ele conhecia bem. Uma alma espelhada.

Certa noite, Jungkook foi enviado aos aposentos do Rei para servir-lhe vinho. Seokjin estava exausto; sua dose de supressores estava vencendo e uma febre leve começava a queimar sua pele. Ele havia retirado a coroa e a túnica pesada, restando apenas com uma camisa de seda fina.

Jungkook entrou em silêncio e parou. O quarto cheirava a Lírios, um aroma tão puro e Ômega que o deixou tonto. Ele viu Seokjin curvado sobre a mesa, arquejando.

— Majestade? — Jungkook sussurrou.

Seokjin se virou bruscamente, os olhos nublados. — Saia! Agora! — Ele tentou usar a "Voz de Alfa", mas o que saiu foi um tom suplicante, uma nota alta que nenhum Alfa jamais emitiria.

Em vez de fugir, Jungkook aproximou-se. Ele se ajoelhou aos pés de Seokjin e, com uma coragem que nem ele sabia possuir, pegou a mão do Rei.

— Não tenha medo de mim. — Jungkook disse, a voz cheia de uma ternura profunda. — Eu sou como você. Seu segredo está seguro no meu coração, pois ele é o meu segredo também.

Naquele momento, Seokjin desabou. Pela primeira vez em anos, ele não precisou fingir. Ele chorou nos braços de um escravo, o Rei Ômega encontrando abrigo no único ser que podia realmente entendê-lo.

A partir daquela noite, Jungkook tornou-se o assistente pessoal de Seokjin. Para a corte, Jungkook era apenas um Ômega favorito usado para os prazeres do Rei. Para Seokjin, ele era sua vida.

Jungkook ajudava Seokjin a administrar os supressores, cuidava de suas febres e, no silêncio da noite, eles compartilhavam um amor avassalador. Era uma conexão que transcendia a casta; era a união de duas almas oprimidas. Seokjin amava a força silenciosa de Jungkook, e Jungkook amava a vulnerabilidade nobre de seu Rei.

No entanto, o perigo espreitava. O Conselho Real, liderado pelo ambicioso Duque Min, estava desconfiado da falta de herdeiros de Seokjin e da ausência de uma Rainha Alfa.

O conflito atingiu o ápice quando a família de Jungkook enviou uma carta ao palácio. Eles haviam negociado o casamento de Jungkook com um Alfa rico do território vizinho, exigindo que o Rei o "liberasse" para garantir a estabilidade financeira da linhagem Jeon.

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