O fogo começou com um cigarro.
Yoongi estava sentado no chão do ateliê abandonado, um galpão industrial no fim da rua onde ninguém mais ia, o tipo de lugar que cheirava a ferrugem e tinta velha, quando viu Jimin pela primeira vez. Ou melhor: quando viu *a máscara*.
Primeiro, só a máscara.
Pendurada num prego enferrujado, à meia-altura, contra uma parede de tijolos aparentes. Branca. Veneziana. Rachada em mil lugares como um mapa de um continente que não existia. Os olhos vazios fitavam Yoongi com uma paciência mineral, como se soubessem algo que ele ainda não sabia.
Yoongi tragou o cigarro. A brasa vermelho-viva iluminou o rosto magro, os olhos semicerrados, o maxilar tenso. Usava uma jaqueta preta que parecia feita de sombra, couro surrado, zíperes gastos, o tipo de roupa que se compra porque durou a vida inteira. Anéis nos dedos. Cabelo escuro caindo sobre a testa, comprido demais, bagunçado de propósito.
Não tinha vindo ali por nada específico. Vinha toda semana. O ateliê era refúgio: um lugar onde a cidade não conseguia entrar. Tinha uma bancada velha, um rádio que pegava só estática, um sofá sem almofadas. E agora, aparentemente, uma máscara.
Foi quando a porta rangeu.
— Eu sabia que alguém ia aparecer.
A voz era macia, musical, com uma ponta de divertimento. Yoongi se virou devagar, a brasa do cigarro traçando um arco no ar escuro.
Jimin entrou como quem entra num palco. Baixo, compacto, o corpo feito de curvas e ângulos impossíveis. Cabelo platinado, quase branco, jogado para trás com uma negligência estudada. Olhos castanhos enormes, amendoados, com aquele brilho felino que parece cálculo, mas pode ser só fome. Vestia uma camisa de seda preta, aberta até o meio do peito, e calças justas que não deixavam nada à imaginação. Nos pés, nada. Descalço sobre o cimento frio.
Yoongi sentiu o cigarro queimar até o filtro. Não se mexeu.
— Você é o dono disso aqui? — Yoongi perguntou, o tom arrastado, quase preguiçoso. Um sotaque de Daegu mal disfarçado debaixo das sílabas afiadas.
Jimin se aproximou. Cada passo era medido. Quando parou diante de Yoongi, ainda sentado no chão, a diferença de altura virou outra coisa, Jimin olhando para baixo, Yoongi olhando para cima. Um jogo de poder que começava antes das palavras.
— Eu sou o dono de *muitas* coisas. — Jimin respondeu, inclinando a cabeça. — Você veio aqui pra quê?
— Pra nada.
— Que resposta bonita. — Jimin riu, e o som era quente, íntimo, como se eles já se conhecessem há anos. — Então por que você não está em casa?
— Porque em casa não tem nada.
Jimin mordeu o lábio inferior. Yoongi viu, viu claramente,os dentes brancos apertando aquela boca rosada, sentiu o próprio corpo reagir num instante que não controlou. E percebeu, com uma clareza cortante, que estava em perigo.
Não o tipo de perigo que vem com arma. O tipo que vem com perfume. O tipo que vem com uma voz que sobe no fim das frases como uma promessa. O tipo que vem com olhos que dizem "eu sei o que você quer antes de você saber".
— Essa máscara. — Yoongi disse, tentando se salvar. Olhou para a máscara na parede. — É sua?
— Era. — Jimin se virou para ela. Levantou a mão e passou os dedos pelas rachaduras, devagar, como quem acaricia uma ferida antiga. — Eu a usava quando precisava ser outra pessoa. Quando não aguentava ser eu.
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HOT'S BTS
FanfictionSerá publicado regularmente uma oneshot contando uma estória de qualquer shipp BTS, seja romance, comédia, drama, fantasia, abo, não importa o tema, os shipps serão sempre diversificados, sendo assim teremos desde os shipps convencionais até os que...
