SOB O SOM DA CHUVA - VMIN

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O chalé era pequeno, mas aconchegante. As janelas batiam com o vento, e o som da chuva forte fazia o telhado ranger como se o mundo lá fora estivesse prestes a se desmanchar. Lá dentro, o fogo da lareira dançava preguiçoso, iluminando os móveis de madeira e os olhos de dois rapazes que pareciam se evitar, embora tudo ao redor conspirasse para aproximá-los.

Taehyung passava a mão pelos cabelos molhados, a camiseta colada no corpo, marcando o contorno das costas e o ombro largo. Ele suspirou fundo, tentando ignorar o olhar que sabia estar sendo lançado em sua direção.

— Eu disse pra gente sair mais cedo. — Resmungou, virando-se para a janela. — Agora a estrada alagou. A gente vai ter que passar a noite aqui.

Jimin, sentado no sofá com um cobertor sobre as pernas, soltou um pequeno riso. — Ah, claro, porque a culpa é minha que a tempestade resolveu cair justo hoje.

Taehyung virou o rosto, e os olhos se encontraram. Por um segundo, o som da chuva pareceu cessar. Só havia o barulho dos corações, o dele acelerado, o de Jimin tentando disfarçar o incômodo de estar preso com alguém que o fazia sentir tanto.

Eles se conheciam há anos, mas nunca haviam ficado tão... próximos. Desde o colégio, Taehyung era o amigo que Jimin olhava por tempo demais, aquele que ele queria tocar, mas nunca pôde. E agora, trancados juntos, o ar parecia mais denso, pesado de tudo o que nunca foi dito.

— Tem lenha suficiente pra noite. — Murmurou Taehyung, se abaixando perto da lareira. O calor do fogo refletia no rosto dele, dourando a pele.
Jimin desviou o olhar, mordendo o lábio.

— Você devia trocar essa camisa. — Disse, sem pensar.
— O quê? — Taehyung ergueu o rosto, confuso.
— Vai ficar resfriado. Está encharcada.

Taehyung olhou pra si mesmo, depois para ele, e deu um meio sorriso. — Se eu tirar, vai olhar?
Jimin ficou mudo. O fogo pareceu crepitar mais alto.
Taehyung riu baixo, um som rouco e bonito. — Tô brincando, Minnie.

Mas não estava. E Jimin sabia.

Ele se levantou e foi até o armário do chalé, tentando disfarçar a tensão. Encontrou uma camiseta larga, talvez de algum hóspede anterior, e jogou em direção ao outro.
— Troca logo, antes que eu me arrependa de me preocupar.

Taehyung pegou a roupa e começou a trocar ali mesmo. Jimin desviou o olhar, mas não rápido o bastante. Viu o instante em que a pele dele ficou exposta — o movimento dos músculos, a curva das costas, o sopro de ar que escapou quando Taehyung passou a mão pelo pescoço.
E algo dentro de si simplesmente parou.

— Você tá corando — Taehyung comentou, ao vesti-la.
— Não tô.
— Tá sim. — Ele deu um passo. — Tá igual antes, lembra? Quando a gente dançava e você dizia que eu te deixava nervoso.
Jimin engoliu seco. — Faz tempo isso.
— Nem tanto assim.

Taehyung se aproximou. Um passo, depois outro. O chão de madeira rangeu sob seus pés.
O cobertor escorregou das mãos de Jimin, caindo no chão.

O som da chuva agora era só um fundo distante. O fogo estalava, e o perfume de lenha e pele quente misturava-se no ar.

Taehyung parou diante dele, tão perto que o calor parecia compartilhar espaço.
— Tá com frio? — Perguntou baixo.
Jimin balançou a cabeça. — Não.
— Então por que tá tremendo?

Os olhos de Jimin se ergueram devagar. E ali, entre o reflexo da lareira e o olhar firme de Taehyung, havia um pedido. Um medo. E algo mais.

— Tae... — começou, mas o outro já estava ainda mais perto.
O hálito quente tocou-lhe o rosto. O tempo pareceu suspenso, e por um segundo, só existia a distância de um suspiro entre eles.

— Se eu fizer isso, nada vai ser igual — Taehyung murmurou.
— Eu sei. — A voz de Jimin era um sussurro. — E se você não fizer... também não vai.

O silêncio entre eles foi quebrado apenas pelo trovão distante.
E então, o toque veio.
Não foi um beijo apressado, foi um roçar demorado, quase hesitante. Um encontro de lábios que parecia perguntar antes de afirmar.
O fogo pareceu crescer, iluminando o instante em que Jimin segurou o rosto dele e respondeu o toque com tudo o que ficou preso por anos.

O beijo foi suave, mas denso.
Era o tipo de toque que fala de promessas, que pede licença e, ao mesmo tempo, exige ser sentido.

Quando se afastaram, Taehyung manteve a testa colada à dele, respirando ofegante.
— Eu devia me afastar. — Murmurou.
— Mas não vai. — Jimin respondeu.

Ele riu, sem forças pra negar. — Você me conhece bem demais.
— E mesmo assim você ficou.

Taehyung passou os dedos pela linha do maxilar dele, descendo até o pescoço.
— Eu fiquei por que... não aguentava mais fingir que não queria.

Jimin sorriu, pequeno, quase triste.
— Achei que era só eu.

A chuva batia mais fraca agora, como se o mundo lá fora também respirasse com eles. O fogo diminuía, lançando sombras dançantes pelas paredes.
Taehyung puxou Jimin de leve, e o outro se deitou ao lado dele no sofá estreito. Nenhum dos dois falou mais nada. Apenas se olharam, o coração batendo em ritmos que se encaixavam como o som de um mesmo relógio.

O toque de mãos foi tímido, dedos se encontrando no meio do cobertor.
E ali, sem promessas nem definições, o calor era mais do que suficiente. Taehyung beijo Jimin novamente, um beijo que exigia mais dos dois corpos. Embaixo da coberta os dois tiravam suas roupas e ficavam nus. As mãos de Tae percorriam as curvas do corpo de jimin que gemeu contidamente ao ser tocado mais intimamente e então criou coragem para tocar o corpo de Tae, o corpo que ele sempre quis sentir e agora estava ali próximo ao seu.

Suas mãos percorriam o corpo de Tae enquanto se beijavam. Tae moveu seu corpo para ficar entre as pernas de Jimin, que não ofereceu resistência, deixando Tae fazer o que quisesse com o seu corpo desde que isso significasse toma-lo para si. O encaixe era perfeito, Tae o penetrava lentamente em um vai e vem ritmado que fazia Jimin gemer sem se conter. Tae por estar por cima tinha a visão privilegiada do rosto de Jimin que não escondia o prazer que estava sentindo. Tae o beijou com vontade enquanto seu corpo movia-se em busca do seu prazer que não demorou a chegar e encheu o cuzinho de JImin com toda sua porra ao mesmo tempo que Jimin gozava entre seus corpos, sujando seu abdômen.

A madrugada foi longa, mas leve.
Quando o sol começou a atravessar a janela, Jimin abriu os olhos primeiro. Taehyung dormia ao seu lado, os cabelos bagunçados, a respiração calma.
E, pela primeira vez em anos, ele não sentiu culpa por querer o que queria.

A chuva cessara, mas o mundo ainda cheirava a novo.
E o amor, aquele que eles tentaram negar por tanto tempo, enfim respirava, silencioso, sob o som do amanhecer.

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