CASUAL ATÉ VIRAR CATIVEIRO - YOONKOOK

249 17 2
                                        

O primeiro erro de Jungkook foi achar que aquilo era só uma noite. O segundo foi respirar fundo quando sentiu o cheiro.

O aroma de Min Yoongi não pedia passagem, invadia. Alfa antigo, ferro quente e uma fumaça que arranhava o fundo da garganta. Um cheiro que não seduzia, capturava. Jungkook reconheceu o perigo no mesmo segundo em que seu corpo respondeu, traiçoeiro, aquecendo por dentro. Ali, no fundo daquele galpão de concreto manchado, de luz intermitente, ele entendeu que ódio e desejo não se anulam. Eles se alimentam.

— Você entrou no lugar errado. — A voz de Yoongi era baixa, polida demais para o cenário. Era o tom de quem não ameaça porque já decidiu.

O clique seco da porta trancada soou como um ponto final. Jungkook sustentou o olhar, não baixar a cabeça era um reflexo antigo. Mas o empurrão veio sem aviso. Costas contra a parede, o ar fugindo dos pulmões. A mão de Yoongi em seu pescoço não apertou, apenas marcou presença, enquanto o polegar pressionava seu pulso, sentindo a vida bater rápido demais.

— Ômega. — Yoongi murmurou, a palavra carregada de desprezo e posse. — Você fede a desafio.

— E você fede a problema. — Jungkook cuspiu de volta. O tapa que se seguiu foi seco, corretivo. O gosto metálico de sangue surgiu na boca de Jungkook, e com ele, uma percepção aterrorizante, ele odiava o arrepio, mas odiava ainda mais a possibilidade de Yoongi parar.

A primeira noite terminou sem promessas. Terminou com Jungkook no chão, pulsos presos o suficiente para não fugir, soltos o bastante para entender que a fuga era uma ilusão. Yoongi apenas fumou, vigiando-o. Porque vigiar também é tocar.

O que era para ser uma dívida casual de uma noite tornou-se uma rotina de dias. Água. Comida. Silêncio. O galpão deu lugar a um apartamento no alto, com janelas amplas demais para um mundo que, para Jungkook, encolhia a cada hora.

A liberdade foi devolvida em doses homeopáticas e venenosas. No primeiro mês, Jungkook gritou. No segundo, barganhou. No terceiro, começou a falar baixo. No quarto, começou a esperar pelo som da chave na fechadura.

— Você sempre espera. — Yoongi disse certa vez, observando-o da mesa de jantar. — É assim que as pessoas quebram. Não com força. Com tempo.

— Você fala como se eu fosse uma coisa. — Jungkook rebateu, um sorriso amargo distorcendo os lábios.

— É assim que você me trata.

O tapa veio rápido, não para ferir, mas para lembrar a hierarquia. Jungkook ficou parado, respirando o cheiro de fumaça e ferro que agora era seu único oxigênio. Ele começou a justificar a dor. Eu provoquei, pensava. Ele está apenas me moldando. As agressões verbais viraram linguagem íntima, insultos eram apelidos, e a humilhação era um carinho torto que dava ordem ao seu caos interno.

A tensão atingiu o ápice numa madrugada de chuva. O cio de Jungkook veio cedo, induzido pelo estresse e pela proximidade constante daquele cheiro que nunca abandonava suas narinas. Ele tentou se esconder sob os lençóis, febre e vergonha queimando juntas.

— Você me chamou o dia todo com esse cheiro doce e desesperado. — Yoongi rosnou, jogando o cobertor para o lado com uma brutalidade possessiva.

— Eu não... eu não queria... — Jungkook tentou mentir, mas seu corpo o traiu, arqueando-se em direção ao calor do Alfa.

Yoongi não foi gentil. Ele nunca seria. Suas mãos eram firmes demais, seus dentes marcaram a pele de Jungkook com uma urgência que não deixava espaço para delicadezas. O encontro foi uma colisão de poder. Jungkook sentia cada estocada de Yoongi como uma reafirmação de sua servidão, um prazer agudo que beirava a agonia. Naquele momento, em meio a suor e rosnados, algo foi selado além da carne. Jungkook não estava apenas sendo possuído, ele estava sendo fundido à alma do homem que o destruía. Naquela noite, em meio ao delírio do cio, a semente de uma nova vida foi plantada no solo fértil do cativeiro.

HOT'S BTSHistórias para pegar e não largar. Descubra agora