A revelação

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— A expressão que ele usou foi "em processo de cicatrização" – Kurt insistiu, tentando conter a empolgação de Remi enquanto fechava a porta da sala atrás deles.

— Se ele me liberou para a fisioterapia é porque estou bem – ela o desafiou sorrindo.

— Ele não te liberou do uso da tipoia – voltou a insistir, a puxando pela cintura e a encarando.

— Estou bem, Kurt. Foi isso que o raio-x mostrou e o médico confirmou – esticando o corpo, selou a frase com suave beijo sobre os lábios dele e sorriu.

Um sorriso bobo se formou no rosto dele também. Inferno! Ela conseguiu quebrá-lo de novo!

— Eu sei que você está bem. Só não quero que algum excesso te impeça que continue se recuperando.

— Vou me comportar, eu prometo. Não farei nada que envolva qualquer risco para minha recuperação – disse olhando diretamente para os olhos dele com as mãos em seu peito. – Todos os meus atos serão friamente calculados para garantir meu bem-estar e rápida recuperação.

Nesse momento, a expressão dela mudou completamente. Seu olhar se tornou sedutor e ela mordeu os lábios maliciosamente.

Kurt torceu o pescoço incomodado.

— Não, definitivamente não! Você tem que me prometer que vai se comportar até se completarem, no mínimo, quarenta dias. É isso ou terá que dormir sozinha naquele quarto.

— Isso é uma ameaça, Weller? — divertiu-se com a possibilidade. — Não seria nada arriscado. Sua cama é grande e muito confortável. Não é como se estivéssemos num armário de produtos de limpeza, num beliche de Quântico ou no banco de trás de um carro. Pensei que cuidaria melhor de mim – fez um falso beicinho.

Ele amaldiçoou sua própria desgraça e rosnou algo incompreensível antes de avançar contra o pescoço dela numa sequência de beijos úmidos que acenderam todo o seu corpo. Ela enlaçou seu pescoço, desesperada por mais.

— Também estou com saudade — sussurrou ao pé do seu ouvido. — Com muita saudade. E falta muito pouco para que possamos ter tudo de volta.

— Eu preciso de você, Kurt. Preciso muito. Não posso esperar. Mas posso me comportar. Deixo todo o trabalho duro com você. – esfregando o corpo ao dele, apertou entre suas pernas.

Deus, ele estava perdido!

O som dos passos rápidos pelo corredor fez com que eles se separassem.

— Vocês voltaram! Finalmente! Eu já estava preocupada. O que o médico disse? – a garotinha parecia ansiosa e se aproximou rápido.

— O médico disse que estou muito bem!

— Tem certeza? – Avery questionou se colocando na ponta dos pés para observá-la melhor. – Seu rosto e seu pescoço parecem um pouco vermelhos.

Remi imediatamente levou a mão ao pescoço, sentindo o rubor tomá-la ainda mais.

— Acho que tomei sol demais na rua – argumentou totalmente encabulada olhando suplicante para Kurt que franziu as sobrancelhas numa discreta repreensão.

— Ele disse que a recuperação de Remi vai muito bem, mas ainda exige cuidados. Filha, vocês duas terão ainda muitas horas de filmes pela frente para que nossa paciente não cometa algum exagero.

— Eu posso cuidar disso! – Avery concluiu já puxando Remi pela mão até o sofá. — Venha, vamos começar já! Papai, por favor, prepare um lanche pra gente. Remi deve estar com fome.

— É pra já! – Kurt piscou para as duas e foi para a cozinha.

As duas se acomodaram no sofá e Avery assumiu o controle da TV escolhendo o filme. Remi reclamou:

Salve-meOnde histórias criam vida. Descubra agora