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O ar nos bastidores de uma premiação de grande porte tem um cheiro peculiar: uma mistura inebriante de suor, nervosismo e a eletricidade pura de milhares de pessoas gritando do outro lado de uma parede fina. Eu sou uma dançarina, uma engrenagem bem lubrificada na máquina de espetáculo que era o grupo dele. Mas, mais do que isso, sou a namorada de Jeon Jungkook.
Ninguém sabia. Obvio. E era exatamente esse o peso que eu carregava, um segredo de ouro que brilhava e me esmagava ao mesmo tempo.
Eu estava encostada na parede fria do corredor que levava ao palco principal, tentando respirar fundo e acalmar o tremor nas minhas mãos. Não era o medo do palco, a adrenalina era minha velha amiga. O que me consumia era a ansiedade de estar tão perto dele, de compartilhar o mesmo oxigênio e o mesmo palco, mas ter que manter uma distância profissional, uma máscara de colega de trabalho, enquanto meu coração gritava por ele.
Era uma sensação agoniante.
Jeon estava a poucos metros, rodeado pelos outros membros do grupo e pela equipe. Ele vestia o figurino da nossa performance, um conjunto de couro preto que parecia ter sido desenhado para realçar cada linha do seu corpo. Ele estava lindo, como sempre. Radiante. A personificação do talento e do carisma que o mundo inteiro amava. Meu mundo inteiro.
Nossos olhos se encontraram por um instante. Foi rápido, um flash de reconhecimento e carinho que só nós dois entenderíamos. Ele me deu um sorriso quase imperceptível, um pequeno movimento de lábios que dizia: "Você está linda. Vamos arrasar." E só isso era suficiente para recarregar minhas baterias e me fazer esquecer o cansaço dos ensaios e o peso do segredo.
Mas a bolha de felicidade que eu havia criado se rompeu no momento em que ela se aproximou.
Ela era uma estrela em ascensão, dona de uma voz poderosa e de uma beleza sem igual. E, para o azar do meu coração, ela e Jungkook haviam colaborado em uma música de sucesso no ano anterior. A interação deles no palco era explosiva, e a química, inegável. O público, sempre sedentos por narrativas românticas, havia abraçado a ideia de um ship entre os dois com fervor.
Eu a vi se aproximar dele, com um sorriso que parecia ensaiado para ser ao mesmo tempo doce e sedutor. Ela estava vestida com um longo vestido de seda que a fazia parecer uma deusa grega. Eles começaram a conversar, e a conversa não era rápida e profissional como a maioria dos encontros nos bastidores. Era relaxada, íntima. Ela tocou levemente o braço dele enquanto ria de algo que ele disse.
Eu me senti invisível. Não, pior que invisível. Eu me senti um acessório, uma peça de cenário que estava ali apenas para dar suporte ao verdadeiro espetáculo. Eu era a dançarina, a garota sem nome que se movia na sombra do astro.
Minha mente começou a girar em uma espiral de insegurança. Eu odiava esse sentimento.
Ela é mais bonita. Ela é mais famosa. Ela é uma artista solo. O mundo a vê ao lado dele e diz: "Sim, eles combinam."