Jin • CEO.

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Todas as manhãs, quando o sol de Seul começava a tingir o céu, eu já estava de pé. Morava em um apartamento pequeno, mas organizado, em uma região tranquila da cidade, e o trajeto até a sede da Kim Diamonds levava cerca de quarenta minutos de metrô. Para mim, esse tempo era suficiente para organizar os pensamentos, repassar as tarefas do dia e respirar fundo antes de entrar no prédio de vidro e aço que abrigava a empresa mais prestigiada do setor de joias na Coreia do Sul.

Eu sou secretária do CEO Kim Seokjin há quase três anos. Quando fui contratada, muitos duvidaram: uma mulher brasileira, com traços marcantes, curvas acentuadas, cabelos longos, ondulados e escuros que caíam até a altura da cintura, uma silhueta que chamava atenção por onde passava, além de uma postura firme e um jeito de falar direto, sem rodeios. O próprio Seokjin havia aprovado minha contratação pessoalmente, depois de uma entrevista onde eu respondi cada pergunta com clareza e mostrei conhecimento profundo sobre processos administrativos, organização de agendas e negociação com parceiros.

― A beleza não é requisito aqui. ― ele disse, na época, com a voz grave e o olhar sério, que parecia avaliar cada detalhe. ― Mas a competência, sim.

Eu respondi sem hesitar:

― Entendo, senhor Kim. E posso garantir que a minha dedicação será o que mais vai chamar a sua atenção.

E assim foi. Nos primeiros meses, eu me dediquei mais do que qualquer outra pessoa. Organizava sua agenda com precisão milimétrica, preparava relatórios com dados claros, antecipava problemas que ele ainda não havia percebido e resolvia questões antes que elas chegassem à sua mesa. Aos poucos, fui percebendo que ele, conhecido por ser rígido, exigente e quase inacessível para todos os funcionários, começava a me olhar de forma diferente.

Seokjin era um homem que dedicava toda a sua vida ao trabalho. A empresa havia sido fundada por seu pai, mas ele a transformou em uma marca reconhecida mundialmente, com peças feitas com pedras preciosas raras e design exclusivo. Ele chegava antes de todos e saía depois de todos, raramente sorria e, em reuniões, suas palavras eram curtas e diretas, capazes de fazer qualquer gerente gaguejar de nervosismo.

Mas comigo, era diferente.

Eu não tinha medo. Quando ele ficava irritado com atrasos ou falhas, eu intervinha com calma, explicava os fatos e apresentava soluções. Em uma reunião com fornecedores internacionais, por exemplo, ele começou a elevar a voz, frustrado com prazos que não seriam cumpridos. Todos ficaram em silêncio, com a cabeça baixa. Eu apenas me inclinei ligeiramente, falei em tom suave, mas firme:

― Senhor Kim, se mantivermos essa postura, podemos perder a negociação. Vamos analisar as alternativas que preparei: podemos ajustar o cronograma em duas etapas, sem comprometer a qualidade final.

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