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Tudo começou como deveria ser: profissionalismo, rotina e a distância necessária entre quem gerencia e quem é gerenciado. Quando recebi a proposta de ser a nova manager de Jungkook, eu sabia exatamente onde pisar. Regras claras, horários definidos, privacidade respeitada e uma linha invisível que jamais deveria ser cruzada. Ou pelo menos, era o que eu pensava.
Os primeiros meses foram exaustivos, mas gratificantes. Jungkook era dedicado, perfeccionista ao extremo, mas também reservado. No início, nossas conversas giravam apenas sobre compromissos, ensaios, viagens, contratos e horários de refeição. Eu o acompanhava por todos os cantos: estúdios de gravação, palcos, sessões de fotos, viagens internacionais. Estava ali para resolver problemas, antecipar imprevistos e garantir que ele pudesse focar apenas no seu trabalho.
Com o tempo, porém, a barreira profissional foi ficando cada vez mais fina. Eu percebia detalhes que ninguém mais notava: quando ele estava cansado além do normal, quando a ansiedade o atingia antes de uma apresentação importante, quando preferia ficar em silêncio a falar sobre o que sentia. E eu, sem perceber, comecei a me importar mais do que a função exigia.
Foi durante uma noite de chuva forte, após uma gravação que se estendeu até a madrugada, que tudo começou a mudar. O motorista havia tido um imprevisto e não poderia buscá-lo. Eu estava prestes a chamar outro veículo quando ele, com a voz baixa e os ombros caídos, disse:
― Posso ir com você? Não quero esperar aqui sozinho.
Assenti sem pensar. No caminho, ele não falou nada, mas quando parei em frente ao seu prédio, ele virou o rosto para mim e perguntou, com uma sinceridade que me pegou de surpresa.
― Você poderia subir só um pouco? Não quero ficar sozinho esta noite.
Foi a primeira vez que entrei na sua casa. Não houve nada de mais naquele dia: apenas chocolate quente, conversas sobre coisas que não eram trabalho, risadas leves e um silêncio confortável. Quando saí, senti algo diferente no peito, uma sensação que não conhecia. E ele parecia sentir também, pois a partir daí, passou a procurar a minha presença fora do expediente.
Com o passar das semanas, Jungkook começou a aparecer na minha casa com frequência. Dizia que era mais tranquilo, mais seguro, que lá ele não era uma estrela mundial, mas apenas ele mesmo. Chegava sem avisar, com comida, bebidas ou apenas com o desejo de ficar ali. Cozinhávamos juntos, assistíamos filmes, ele mostrava músicas que estava trabalhando e eu ouvia com toda a atenção.
A atração foi crescendo devagar, como uma semente que brota sem que percebamos. Os olhares demorados, os toques acidentais que demoravam mais do que o necessário, as palavras que deixavam de ser apenas educadas e ganhavam um tom mais íntimo. Até que, numa noite fria, ele se aproximou, segurou meu rosto com as duas mãos e disse, com a voz embargada: