Taehyung • Encontro da madrugada.

1K 44 3
                                        

♡♡♡

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

♡♡♡

O silêncio era um luxo caro e, para Kim Taehyung, um fardo pesado. Naquela noite, ele se sentia como uma estátua em seu próprio museu particular. O apartamento no bairro mais exclusivo de Seul era vasto, com janelas que ofereciam uma vista panorâmica da cidade que nunca dormia, mas que, paradoxalmente, parecia alheia à sua insônia. Eram quase três da manhã, e o tédio, uma criatura silenciosa e persistente, roía sua paciência.

A vida de um idol era uma montanha-russa de euforia e exaustão, mas nos raros momentos de folga, o vazio se instalava. Ele estava acostumado a ser o centro das atenções, a ter cada movimento analisado e cada palavra amplificada. Naquela madrugada, porém, ele era apenas Kim Taehyung, um homem de 30 anos com fome e uma necessidade desesperada de ar fresco.

Ele se levantou da poltrona de veludo, onde tentava, sem sucesso, ler um livro. A decisão foi impulsiva, quase infantil: precisava de um ramyeon apimentado e um refrigerante gelado. A loja de conveniência na esquina, era seu refúgio noturno habitual. Um lugar onde, com o disfarce certo, ele podia ser anônimo.

Em menos de cinco minutos, ele estava pronto. O disfarce era a armadura de sua vida secreta: um boné preto de aba baixa, uma máscara cirúrgica que cobria metade do rosto e um moletom oversized que o fazia parecer apenas mais um jovem coreano voltando de um turno tardio ou de uma sessão de estudos. Ele era um mestre na arte de se misturar.

A brisa fria da madrugada de Seul chicoteou seu rosto, um alívio bem-vindo. A loja de conveniência, banhada pela luz fria e convidativa do neon, era um farol na escuridão. Ao empurrar a porta de vidro, o familiar sino tocou, e o cheiro de café, salgadinhos e plástico o envolveu.

Ele caminhou diretamente para a seção de ramyeon, mas parou abruptamente. O balcão estava ocupado por uma figura que ele nunca tinha visto antes. A atendente habitual, uma ajumma de meia-idade que mal olhava para os clientes, havia sido substituída.

A nova atendente era uma jovem. Seus cabelos eram de um castanho escuro e ondulado, emoldurando um rosto com traços que lhe eram estranhos e fascinantes. Ela tinha a pele bronzeada, um sorriso que parecia genuinamente cansado, mas caloroso, e olhos grandes e expressivos que se moviam com uma vivacidade incomum para aquela hora da noite. Ela usava o uniforme padrão da loja, mas a maneira como ela o vestia, com uma leve desorganização charmosa, a diferenciava.

Ela estava concentrada em reabastecer a prateleira de bebidas energéticas, e Taehyung a observou por um momento, esquecendo-se do ramyeon. Havia algo na sua postura, na sua energia, que gritava "estrangeira". Não era apenas a beleza, que era inegável e diferente do padrão coreano que ele estava acostumado a ver. Era a maneira como ela se movia, com uma certa leveza, e a forma como ela cantarolava uma melodia que ele não reconhecia – algo com um ritmo suave e melancólico, que parecia vir de um lugar distante e ensolarado.

Ele pigarreou levemente e pegou o ramyeon mais picante. Ao se aproximar do caixa, ela levantou a cabeça.

― Olá. Só isso? ― ela perguntou em coreano, mas com um sotaque distinto, que enrolava as consoantes de uma forma musical. Era um sotaque que ele já tinha ouvido antes, mas que agora, vindo dela, parecia uma melodia exótica.

Imagines | BTS Histórias para pegar e não largar. Descubra agora