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Há alguns anos atrás eu resolvi fazer a maior loucura da vida que foi me mudar do meu País, Brasil. Na verdade, meu intuito era morar no Japão, onde tenho alguns parentes, porém depois de uma viajem pela Coreia do Sul decidi que aqui seria o meu lugar.
No inicio foi completamente difícil, os coreanos não aceitam muito bem o idioma inglês e muito menos o português, então eu tive que me virar para aprender coreano. Ainda no Brasil me formei em Fisioterapia, a maioria da minha família é da área da saúde, médicos, enfermeiros... enfim, por isso foi impossível não seguir o mesmo caminho. Estudei igual uma cachorra, já fui residente em hospitais e já fiz alguns intercâmbio pelos EUA. Por causa do meu esforço, consegui juntar uma boa quantia de dinheiro, foi aí que decidi me mudar para o outro lado do mundo.
Resumindo, tive que fazer alguns cursos para exercer a minha profissão aqui na Coreia, e em consequência do meu amplo currículo, não demorei muito para encontrar um bom emprego em Seoul. Hoje trabalho em dois lugares, no Hospital Universitário de Seoul e lá sou responsável por alguns alunos estagiários, e também presto serviço a uma empresa privada, a Hybe (essa mesmo de entretenimento), fui indicada pelo meu chefe, o Senhor Ryu Hanchul.
Ao longo do tempo fui conhecendo pessoas e fazendo amizades, eu realmente comecei uma vida na Coreia do Sul. Mesmo assim, ainda tenho contato com a minha família no Brasil, minha mãe e meu pai sempre falam que se um dia a minha vida desandar, é para eu voltar correndo para o colo deles. E sim... eu sou muito mimada por eles, mesmo tendo 27 anos. Meu irmão que é meio louco das ideias, mas é uma pessoa boa. Inclusive, fiquei muito feliz quando eu soube que ele vai seguir a carreira do pai e virar médico. Pedro, vulgo meu irmão, ainda estava se decidindo qual carreira seguir, passou na Federal em engenharia, mas largou o curso, tentou direito... mas desistiu no segundo semestre. Maluco, eu diria. No fim, acabou escolhendo medicina.
Minha vida em Seoul é tranquila, raramente saio para beber e ir a festas. Minhas únicas amigas são Han Min-ja e a Park So-hee, e nossos passeios se resumem em cafeterias e caminhadas. Eu vivo mais o meu trabalho do que qualquer outra coisa. Namorado? Pulo fora... por enquanto, até porque eu sou muito ocupada e eu iria odiar não ter tempo para ele. Trabalho na segunda, quarta e sexta o dia todo no Hospital e, na terça e na quarta meu compromisso é na Hybe, e eu diria que meus pacientes mais reclamões estão nesta empresa.
- Você é meu maior pesadelo, Sn. - disse Jungkook fingindo está emburrado.
- É para o seu bem.
O cantor havia sofrido um entorse de tornozelo durante uma apresentação, foi necessária uma imobilização para permitir mais tempo para a cura, por isso, ele passou alguns dias afastados das práticas de dança e sua vinda até a minha sala havia se tornado frequente. Então, como sua fisioterapeuta, prescrevi rotinas de exercícios para o cantor para restaurar a flexibilidade, força e movimento do seu tornozelo. Jeon Jungkook é um paciente dedicado, mas eu sempre tinha que ouvir resmungos durante nossa sessão de fisioterapia, sei que o garoto reclama apenas para fazer gracinhas e isso deixava a nossa interação mais leve.