Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Madrid cheirava a café recém-torrado, laranjas maduras e o calor suave que se arrasta pelas calçadas de pedra mesmo depois que o sol começa a baixar. Eu puxei a alça da mochila para mais perto do ombro, ajustei o boné sobre os olhos e sorri: finalmente estava ali.
Tenho 28 anos, danço desde os cinco anos. Mas foi por acaso que comecei a postar vídeos no TikTok: gravava nas ruas, em parques, no estúdio onde trabalhava, sem filtros exagerados, só eu e a música. Com o tempo, os números cresceram: milhões de visualizações, centenas de milhares de seguidores, marcas me convidando para eventos, viagens pagas para dançar em cidades diferentes. Eu não era uma celebridade, mas a dança que eu amava tinha chegado a lugares que eu nunca imaginei.
Naquela tarde, eu tinha acabado de chegar ao apartamento alugado no bairro de La Latina, joguei as malas no canto e abri o celular para ver se tinha mensagens da minha mãe. A tela demorou um instante a carregar, e então as notificações começaram a aparecer, uma atrás da outra, tão rápido que a tela piscava.
"@uarmyhope curtiu o seu vídeo"
"@uarmyhope comentou no seu vídeo"
"@thv repostou o seu vídeo"
"@mnijungkook repostou o seu vídeo"
"@uarmyhope compartilhou o seu vídeo nos stories"
Eu parei, o coração batendo forte de repente. Abri o aplicativo devagar, como se estivesse com medo de ser um erro, ou uma conta falsa. Mas ali estava: o selo azul de verificado, as fotos deles, os perfis com mais de 50 milhões de seguidores. O vídeo era o que eu tinha postado três dias antes: eu dançando uma coreografia que criei especialmente para "Hooligan", gravada no topo de uma colina com o céu azul ao fundo em Portugal.
O comentário de Jhope era simples, mas me fez parar de respirar por um segundo:
"Que energia incrível! A coreografia ficou muito mais bonita e cheia de alma assim X Parabéns pelo trabalho, você dança com o coração ❤️"
Eu sentei no chão, o celular quase escorregando da mão. Jhope. Um dos maiores artistas do mundo, coreógrafo, produtor, alguém que vive da dança tanto quanto eu, tinha visto o meu vídeo, gostou, comentou, compartilhou. Seu amigo de grupo também, Jungkook. Não era uma brincadeira. Milhares de pessoas já tinham visto o comentário e os repost, as mensagens chegavam em massa, mas eu não conseguia ler nada mais além daquelas palavras.
― Isso não é possível. ― murmurei para mim mesma, passando a mão no rosto.
Passei o resto da tarde meio atordoada, andando pelo apartamento sem conseguir focar em nada, olhando o celular de cinco em cinco minutos. Quando já estava anoitecendo e eu preparava um café para tentar acalmar os nervos, uma notificação do Instagram apareceu: uma mensagem direta. De novo, o perfil verificado.