Chapter nineteen - past

99 7 1
                                        

"Acho que todo super-herói precisa da sua música tema

Nenhum homem sozinho deveria ter todo esse poder."

Power - Kanye West

Cinquenta e sete dias depois do acontecimento

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Cinquenta e sete dias depois do acontecimento.

Toronto, Canadá
27 de dezembro.

Hoje é dia vinte e sete de dezembro, oito semanas depois do crime que eu supostamente cometi.

Apoio minhas mãos na pia meio caída e suja, mas ignoro a imundície. Levanto a cabeça, olhando para o espelho de placa de metal polido à minha frente. O espelho está sujo, então só consigo ver metade do meu rosto. Hoje é meu primeiro dia oficialmente preso. Meu julgamento demorou, e agora estou aqui, oficialmente neste lugar em que meu pai sempre dizia que eu acabaria. É, pai suas orações deram certo.

Abro a torneira, de onde escorre apenas um fio de água. Que merda de lugar. Desligo a torneira com ódio e me olho no espelho novamente. Estou com olheiras profundas, meu cabelo bagunçado deixando evidente que não é arrumado há um mês. Ele não está grande, pois o cortei antes do meu julgamento, mas ainda assim continua uma bagunça. Há um indício de barba crescendo, mas de longe nem dá para reparar. Minha atenção muda assim que um curto bip de alarme é ouvido e as celas de todos os prisioneiros são abertas.

- Detentos, dirijam-se ao refeitório - declarou uma voz no alto-falante.

Caminho até o lado de fora da minha cela. Estou na cela do andar de cima, então consigo ver os prisioneiros das celas de baixo saindo e caminhando em direção à saída das celas. Todos esperam a outra porta abrir, com policiais do lado de fora para nos acompanhar até o refeitório.

Desço as escadas e caminho até a fila que está sendo formada para irmos ao refeitório. Assim que saímos da área das celas, avisto o pátio com mesas e cadeiras para nos sentarmos e almoçarmos. Quando chega a minha vez na fila da comida, pego a bandeja com divisórias e os talheres de plástico que quebram só de tentar cortar uma folha de papel. Outros prisioneiros, que aposto estarem trabalhando para diminuir o tempo de suas sentenças, colocam a comida em nossos pratos. Uma hora vou estar no lugar deles, trabalhando para tentar diminuir minha sentença.

Olho para a comida nojenta em meu prato, tentando me impedir de fazer uma expressão de desgosto por ter que comer aquela gororoba. Respiro fundo. Onde foi que eu me meti? Sento em uma mesa afastada e como a merda da comida. Nem mastigo, apenas engulo, para não ter que ficar muito tempo com o gosto na boca. Tenho que me acostumar, porque sei que isso não será nada perto do que ainda vou enfrentar.

Já sinto os olhares. Os olhares de filhos da puta que me conheciam. A maioria me odeia, não por eu ter sido o responsável por colocá-los aqui, mas porque provavelmente participei do que os trouxe até este lugar. Algumas dessas pessoas fui eu mesmo quem enfiei aqui, porque também sou um filho da puta. Não estou com medo deles. Eles vão vir até mim e vão querer me bater. Sei como funciona uma prisão e sei que não será apenas uma pessoa vindo para cima de mim, e sim uma gangue inteira. Preciso arranjar um grupo também, ou vou ficar em desvantagem toda vez.

Dark NightHistórias para pegar e não largar. Descubra agora