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IX - Brincando de estudar

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Fiquei ainda algum tempo conversando com Miguel. Ele estava realmente chateado mas apaixonado. E foi com essa paixão que eu o incentivei a não desistir.

Mais tarde, Ryan passou para nós buscar, deixou a assistente na prefeitura da cidade e nos levou para algumas escolas.

Heitor estava muito animado e queria conhecer todas as escolas, mas a maioria não queria aceitar o menino sem a documentação.

Estávamos ficando quase praticamente sem opções e eu já estava desanimada.

- Amor acho que já olhamos quase todas as escolas.

- Não meu amor, ainda falta uma.

- Qual?

- Aquela amor.

A escola era bonita e enorme como um shopping. As paredes eram brancas com janelas e portas vermelhas.

- Quanto custa essa escola? - perguntei

- É enorme. - falou Heitor

- Não é muito caro amor. E é realmente muito grande Heitor. Esta do mesmo jeito que eu me lembro, tirando a pintura é claro.

- Que você se lembra? - olhei-o incrédula

- Sim. Eu estou aqui. Vamos. - respondeu saindo do carro

- Se você estudou aqui, deve ser super caro.

- Não é assim mocinha. - ele parou na minha frente. - A apostila eu concordo que é caro, mas a escola não. Eu aprendi muitas coisas aqui e acho que será muito bom para o Heitor.

- Então por que não viemos nesta primeiro? - ri

- Estava tomando coragem para vir. - respondeu andando em direção a entrada

- Como assim? - seguimos-o

- Eles não aceitam qualquer aluno. Enzo e Emily foram rejeitados.

Eu estranhei essa informação. Não poderia imaginar que os filhos de um homem tão dedicado seriam rejeitados por uma instituição.

- Eles aprenderam coisas ruins com Regina quando eram pequenos. - disse como se lesse meus pensamentos - Emily disse que a escola era pouco para ela e Enzo se recusou a usar uniforme.

Tive que me segurar para não rir, mas de súbito fiquei séria.

- Acha que vão aceita-lo?

- O que eu melhor aprendi aqui foi ser humilde. E humildade Heitor tem de sobra.

Não falamos mais nada.

Fiquei observando a entrada. O caminho de pedra e o gramado nos arredores trazia um ar convidativo para os alunos.

A cerca alta no limite da rua era azul escuro assim como a guarita. Um guarda simpático abriu uma portinha para nós e anotou nosso nome antes de nos liberar para entrar.

Ryan foi direto para a secretaria que era logo depois da porta de entrada à esquerda. E nós fomos juntos.

- Boa tarde, eu gostaria de falar com a diretora Carmem por favor.

- Sim só um instante.

A secretaria digitou o ramal da diretoria no telefone e falou algo com a voz baixa. Depois desligou e sorriu para nós.

- Ela vai recebê-los. Vou mostrar o caminho.

- Não precisa. - disse ele - Ainda lembro onde fica.

- Está bem.

Ryan pegou minha mão e a de Heitor e nos levou pelo corredor até uma porta de vidro fosco com o nome da diretora. Bateu na porta e entrou.

Dama de BrancoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora