Coloquei Heitor para dormir logo depois do jantar. Ele havia brincado muito e estava exausto.
Por ele, ficavam brincando bem mais, mas Ryan cansou-se e os irmãos precisavam ir embora antes que a noite escurecesse o céu.
Dei-lhe um banho de esponja para tirar toda a sujeira preta do corpo, jantamos e deitamos na cama.
- Você se divertiu hoje, meu amor? - perguntei deitando com ele
- Sim! Vou poder jogar bola todo dia, mãe?
- Não todos os dias. Você tem que ir na escola e fazer o dever. E o papai vai querer que você faça outros esportes também.
- Se eu fizer o dever da escola posso ir brincar?
- Claro que pode, meu amor. Até a mamãe te chamar para comer ou tomar banho. Por que eu não deixaria você brincar?
- Lá no orfanato a gente tinha que limpar o quarto e os meninos mais velhos limpavam os banheiros. Era muito chato! - emburrou
Pensei nas crianças e tentei imaginá-las trabalhando. Na semana que fiquei lá, não presenciei nada disso. Mas também não vi nenhum funcionário limpando os banheiros. Os quartos estavam sempre organizados e eu via com frequência os órfãos arrumando as camas.
- Quando você tiver seu quarto amor, - falei - vai ter que mantê-lo organizado, mas você não vai precisar limpar, está bem?
- Ta mamãe. Eu ajudo a arrumar.
- Isso mesmo. Agora vamos dormir.
Pouco tempo depois, ele estava dormindo profundamente como anjo.
Senti falta de Ryan na cama, levantei-me sorrateira para não acordar Heitor e sai quarto.
Encontrei-o na sala, sentado no sofá concentrado no notebook no colo. Aproximei e sentei-me ao seu lado.
- Achei que tivesse dormido, anjo. - disse-me
- Não. Senti sua falta na cama.
- E Heitor?
- Dormiu. O que você está fazendo?
- Lendo sobre o processo de adoção.
- Como é?
- Bem, eu falei com o advogado e ele me disse que como o Heitor já está conosco, o processo vai ficar igual a uma tutela de um responsável legal.
- Como assim?
- Por exemplo, a mãe tem a criança, mas não tem condições de cuidar e, ao inves de dar para algum orfanato, ela entrega para uma pessoa de confiança. Essa pessoa assume a tutela e pode pedir a guarda da criança.
- E nós somos essa pessoa de confiança?
- Sim. O conselho tutelar me liberou a tutela do menino por ser o médico dele e ao mesmo tempo, corre o processo da adoção.
- É muito difícil?
- Sim, mas é mais fácil do que o processo normal de adoção. A família entra na fila e chega a esperar por anos para receber uma criança e, muitas vezes, nem pode escolher. Escolhem apenas o sexo, idade e a cor da pele.
- Por que não escolhem? Achei que vissem a criança antes.
- Porque é mais fácil encontrar uma criança que se adapte melhor cruzando as informações do adotador e do adotado, do que simplesmente escolher uma criança pela aparência sem conhecê-la.
- Desse jeito diminui o risco da criança ser rejeitada por não se adaptar, não é?
- Isso mesmo. Sabia que para cada criança na adoção, existem 6 famílias na fila?
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Dama de Branco
RomansaDepois de tudo que passou, Mya acredita que sua vida finalmente vai ser perfeita. Noiva de um médico maravilhoso, reconciliada com o pai e ao lado de bons amigos. Mas ainda existe muito mais problemas no mundo que não vemos. Problemas que só nos pre...
