Capítulo 2
Gabriel
Saí da escola com o Diogo, no carro dele, adoro aquela máquina, ainda mais quando eu dirijo nos rachas. É muito animal. E eu ganho todos.
Subimos o morro do alemão, encontrar a rapaziada e ficamos a tarde toda por lá bebendo e fumando cigarro, eu avisei o pessoal que ia sair a noite e não podia estar chapadão...então eles me acompanharam no cigarro, só o Diogo e o Chef que fumaram algo mais... Já eram seis horas da tarde e eu resolvi ir embora, mas estava com uma vontade enorme de fumar e aquilo não me deixava ir. Peguei o bagulho da mão do Diogo e dei uma tragada, na hora me senti leve e a alegria começou a tomar conta. Era como se todos meus problemas fossem embora na hora, eu sei que é errado, mas é a única forma que eu vejo para superar a morte do meu pai. Ele era meu pai, mau herói. Me ensinou a dirigir quando eu tinha quinze anos e sempre me levava no parque velho para me ensinar, todos os dias depois da escola íamos lá e ficávamos dando voltas no antigo campo, foi assim que aprendi, com ele. É difícil não ter aquele cara ali do lado todo dia, eu sei que se ele estivesse vivo nunca ia deixar eu me meter com o Diogo e a turma dele, mas esse é o único jeito que eu encontrei para superar. Não aguentei, depois da primeira tragada eu tinha que fumar mais, a machona me aliviava. Os caras até ficaram zoando que a Luiza brigaria comigo e tal, mas eu não estava nem ai, fiquei lá fumando. Ela que esperasse...
Olhei no relógio e já eram dez horas, eu nem estava preocupado com a Luiza e a Vic, elas deviam ter ficado em casa quando viram que eu não fui... Resolvi ir para casa e o Diogo me deixou lá. Parei no portão rindo sozinho, eu estava chapado. Quando ia abrir o portão olhei para a casa da Luiza e vi ela na sacada do quarto. Estava apoiada com as duas mãos na parte de madeira olhando as estrelas. Linda. Abri o portão e ela me olhou por causa do barulho. Nossos olhos se encontraram no escuro da noite.
— Luiza... é... — eu tentei dar uma desculpa.
Ela estava séria então virou e entrou no quarto fechando a porta.
— Merda. — resmunguei para mim mesmo e entrei em casa.
Subi para o meu quarto, minha mãe já estava dormindo, ela não tinha nem noção de que eu me drogava, nunca deixei ela descobrir nada e tento ao máximo ficar normal e não brigar com ela. Ela não tem culpa de nada. Passei pela porta de seu quarto e ela estava deitada dormindo, entrei e dei um beijo nela, depois fui para o meu quarto e saí na minha sacada, a luz do quarto da Luiza já estava apagada, entrei e fui tomar um banho. Sabia que tinha feito besteira. A primeira pessoa que tenta me ajudar e eu faço essa merda com ela! Idiota! Deixei a água escorrer na minha nuca com esses pensamentos, depois fui dormir.
Acordei, me arrumei rápido e desci, tomei café e saí, tentei sair na mesma hora de ontem para ver se conseguia falar com a Luiza, mas não encontrei ela, nem pelo caminho. Cheguei na escola e fui largar as coisas na sala, saí para o pátio e vi ela sentada em um banco com a Vic e o Kauã, eles estavam rindo, pensei em ir até lá mas a Sandra apareceu e me pegou pelo braço.
— Oi gatinho. — ela sorriu.
— Fala gata, tudo bem?
— Tudo amor... então... sumiu ontem...
— Ah, é... não esquenta... uns problemas ai...
— Hum... será que eu posso te ajudar a esquecer esses "problemas"? — ela me olhou com cara safada e piscou.
Agarrei ela e fomos andando discretamente para trás da escola, vi que a Luiza viu, mas ela disfarçou. Levei a Sandra e entrei com ela num canto. Quando terminamos ajeitei minhas roupas e fui saindo dali como se nada tivesse acontecido.
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Segure minha mão - MIC III (Completa)
Roman d'amourMIC III Segure Minha Mão Ele estava se perdendo aos poucos, sua vida já não tinha mais sentido, tudo o que fazia era curtir, curtir e curtir, nada realmente tinha importância e finais felizes nunca existiram em sua vida, as pessoas que m...
