Caros amigos e familiares, vim me despedir de vocês. Sei que é estranho se despedir por rede social, mas é o único jeito no momento. Estou escondido junto de meu amigo Marco, mas creio eu que será questão de tempo até ele nos encontrar. Tentamos ligar para a polícia e para alguns de vocês, mas não sei porque diabos não deu certo, apenas a internet está com um pouco de sinal e nem sei se vou conseguir postar isso. Quero que prestem bastante atenção nas minhas palavras, pois talvez essas serão as minhas últimas e meu celular está descarregando.
Muitos de vocês devem saber que eu e minha classe estávamos viajando para fazer uma excursão no estado do Rio Grande do Norte. Iríamos todos para a praia para ser mais exato. Iríamos passar uma semana curtindo o belo litoral Potiguar. Essa excursão fora planejada a alguns meses atrás, pois seria a última viagem da turma, pois não sei se sabem, esse seria nosso último ano no colegial, e essa viagem seria como se fosse nosso prêmio de formatura.
Digo prêmio, mas na verdade essa viagem não viria de mão beijada. Batalhamos o ano todo para arrecadar grana para ter uma formatura bacana. Fizemos incontáveis pedágios, dos quais muitos não gostavam e nos xingavam de vários nomes. Vendemos rifas, vendemos bebidas, doces e salgados em festas, entre várias outras coisas. Enfim, trabalhamos bastante para que juntássemos o maior dinheiro possível para fazer a viagem de nossos sonhos.
Queríamos comemorar nossa formatura de alguma forma diferente, não queríamos fazer uma simples festa no ginásio da escola ou comemorar em algum dos tantos sítios vagabundos da região. Queríamos uma coisa nova, queríamos ir para a praia. Sem contar que além de diferente do que outras turmas faziam, essa viagem seria uma novidade para muitos dos formandos, pois muitos só conheciam o mar pela televisão e internet. Então decidimos escolher as praias potiguares por indicação de um colega que já frequentava esse estado.
Estávamos bastante ansiosos com aquela viagem, mas a ansiedade às vezes dava lugar a uma certa tristeza. Nossa longa jornada estava chegando ao fim. Muitos ali estudavam juntos desde o prezinho escolar. Todas aquelas brincadeiras, brigas, excursões e namorinhos ficariam apenas na lembrança. Imaginávamos que a partir daquela viagem todos seguiriam vossos rumos: uns partiriam para faculdade, outros iriam trabalhar de imediato e assim por diante. Mas o que doía mais era pensar que depois daquilo muitos nem se falariam mais, seguiriam suas vidas, casariam e teriam filhos. Portanto essa viagem teria que ser épica, a melhor de todas. Teria que ficar na história, mas infelizmente não fora assim que aconteceu.
Enfim o dia da maldita viagem havia chegado. Todos da sala estavam presentes, para a nossa surpresa. Na sala havia muitos alunos com pais extremamente religiosos, portanto seria difícil imaginar que eles seriam liberados, mas infelizmente foram. Todos os 35 alunos mais alguns professores iriam embarcar rumo ao RN. O ônibus estava lotado, cada aluno levava cerca 1 ou 2 mochilas com roupas e lanches, afinal aquela viagem duraria quase três dias, seria cansativo, mas se chegássemos bem valeria a pena. Porém não foi assim. Maldita fora esse dia em que embarcamos rumo a nossa perdição.
O primeiro dia de viagem foi tranquilo, não aconteceu nenhum imprevisto. Assim que o motorista ligou o ônibus já estávamos cantando aquelas músicas toscas da barata da vizinha entre outras merdas para nos divertir. Alguns casaizinhos já estavam se pegando (só Deus sabe o que aconteceria a noite naquelas poltronas) e logicamente alguns professores já estavam chamando a atenção de alguns exagerados alunos. Estava correndo como o planejado. A cada 4 horas parávamos em alguma lanchonete ou restaurante na beira da estrada para usar o banheiro, tomar banho ou comprar qualquer porcaria. Alguns assim como eu aproveitava as paradas para fumar um cigarrinho ou até tomar uma bebida escondido longe dos chatos professores. Quando eram mais ou menos umas 23:00 horas todo mundo já estava dormindo para encarar mais outro longo dia de viagem. Esse foi o nosso primeiro dia de viagem, tudo ocorrera bem, as orações de nossos pais que ficaram distantes estavam dando certo.
No segundo dia já estávamos no estado da Bahia, estávamos praticamente na metade de nosso destino. Durante o dia foi tudo bem, nenhum imprevisto. Fizemos a mesma rotina do dia anterior. De manhã fizemos uma parada para escovar nossos dentes e tomar café, e mais ou menos umas 11:00 horas paramos novamente para almoçar. Parecia que ia ser mais um dia comum de viagem de um bando de jovens matutos que não conheciam o mar. Mas a noite nos aguardava uma terrível surpresa, que se caso eu conseguir sobreviver, não quero sair de minha cidade nunca mais, e tampouco entrarei novamente em algum onibus.
Já era noite, olhei uma placa na rodovia e marcava 70 km para chegar na cidade mais próxima chamada Campo bonito baiano. O ônibus passava em um local praticamente deserto da rodovia, tinha tempos que não se via um único carro na pista além de nosso ônibus. Aquele local era sinistro. O céu nublado, meu celular tocando King Diamond e aquelas imensas árvores ao redor da pista transformava aquela parte da rodovia em um cenário bastante assustador. Eu era um dos poucos acordados naquela altura, muitos já estavam dormindo, aquela viagem era bastante cansativa, mas raramente eu conseguia dormir com facilidade em viagens de ônibus, meu sono era bastante leve. Estava distraído com aquela paisagem mórbida e eis que levei um grande susto: o motorista freou violentamente o ônibus. Muitos acordaram assustados, e fora ai que começou a nossa maldita perdição.
Poucos instantes depois da brusca freada do motorista, ouvia-se gritos assustadores do pessoal que estava sentado mais à frente no ônibus. Levantei-me para olhar o que passava e vi algo terrível. Estava ali parado no meio da rodovia uma criatura horrível que não se parecia com nenhum animal que habitava na face da terra. Era uma criatura de cor negra, tinha mais ou menos uns dois metros, sua pele parecia ser composta por um material viscoso, e seu odor era nada agradável. Ficamos em pânico com a maldita criatura nos encarando do lado de fora do ônibus, parecia que estava sedenta de fome, parecia que comeria até a lataria do ônibus. A nossa viagem dos sonhos se transformara em um pesadelo.
O motorista depois de alguns instantes tentou dar partida no ônibus para desviar do monstro ou até mesmo para passar por cima do maldito, mas misteriosamente o veículo não queria pegar mais. A criatura que até então estava parada resolveu agir. Com uma força incrível dera um soco na porta do ônibus, que se estraçalhou em mil pedaços. Adentrou o ônibus e fora de encontro ao motorista, e com apenas um golpe a criatura esmagara o cérebro do pobre coitado. Se via apenas sangue e pedaços de miolos se espalhando pelo ônibus. O caos se espalhou, estávamos todos condenados a morrer nas mãos daquela coisa.
Depois de matar covardemente o motorista, a criatura infernal também quebrara a porta que separava os passageiros do condutor. Estávamos encurralados, nada poderia nos salvar, aquela coisa mal cheirosa iria nos matar um por um. Então ela começou seu massacre. Ela começou nas primeiras fileiras, cada golpe desferido era uma cabeça decepada, era um verdadeiro show de horrores. Não podíamos fazer nada, não podíamos enfrentar aquilo. Era apenas fechar os olhos e esperar covardemente pela nossa morte, e para complicar ainda mais, o celular não pegava nem um ponto de sinal. Muitos dos alunos estavam vindo para o fundo do ônibus onde eu estava, mas aquilo não adiantaria, ele iria nos pegar de qualquer jeito. Então quando não via mais saída, me bateu um ideia, essa ideia é que está me permitindo falar até esse momento.
Lembrei-me da janela onde ficava a saída de segurança. Então cochichei com o pessoal do fundo para tentarmos romper aquela coisa e tentar fugir daquele monstro. Teríamos que ser muito rápidos, pois a coisa continuava a estraçalhar os pobres alunos que estavam mais a frente, e creio que apenas alguns sobreviveriam a fuga, era um plano suicida mas que poderia salvar algumas vidas. Então fomos a direção da janela. Eu e meu amigo Marcos conseguimos romper o lacre da janela e a empurramos para fora. A coisa percebera rapidamente e fora em direção da janela. Pulamos muito rápido, e creio eu que infelizmente deu apenas para nós dois escaparmos.
Sem olharmos para trás, corremos em direção das árvores que cobriam a pista. Corremos como nunca, queríamos sobreviver. Mas era difícil correr sem evitar o choro. Mesmo já estando um pouco longe ainda era possível ouvir os gritos desesperados de nossos colegas sendo destroçados e devorados por aquela maldita coisa. Corremos para bem longe possível, creio que corremos quase 2 horas sem parar, nem sei como tiramos fôlego para tal façanha. Então achamos um esconderijo para a gente passar pelo menos o restante da noite e seguir viagem durante o dia, e torcer e pedir a deus para que o monstro não nos encontre.
Ainda estamos no esconderijo, misteriosamente aqui pega internet, fraco mas pega, porém não dá para realizar ligações. Nosso esconderijo é uma caverna que fica no meio da mata fechada. A noite vai ser longa, queremos sobreviver, mas infelizmente já estamos sentindo aquele maldito cheiro da criatura, que parece estar cada vez mais próximo.
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Contos De Terror
HorrorColetânea que reunirá alguns pequenos contos de suspense e terror. Aqui você encontrará histórias sobre vampiros; lobisomens; demônios; fantasmas e etc. Você irá se sentir em uma pequena cidade do interior Brasileiro, daquelas bem carregadas de lend...
