Eu era um grande caminhoneiro, era bem conhecido no ramo. Viajava de norte a sul para entregar mercadorias variadas, que em sua maioria erão grãos e outros produtos alimentícios. Confesso que gostava bastante do que fazia, adorava cortar aquelas rodovias. De chuva a sol, noite e dia, lá estava eu, sempre ao lado da minha velha companheira, Scania. Independentemente daquelas aventuras, sempre era melhor estar no meu querido lar.
Eu tinha uma bela esposa chamada Luana, e 2 lindos filhos, Gabriel e Talita. Eu me considerava um bom patriarca na questão de dar um bom lar, mimos e conforto, pois me esforçava bastante para terem uma boa vida. Porém eu não lhes dava o principal: que era amor, afeto e carinho. Para mim, apenas dar luxo já seria suficiente.
Minha relação com meus filhos não era das boas, ao menos de minha parte. Como vivia sempre longe, eu não os dava o carinho mínimo necessário de um pai para com seus filhos. Mesmo alegando cansaço, eu confesso que bem no fundo, adorava ver seus olhinhos brilhando de felicidade quando eu chegava depois de semanas dirigindo em meu trabalho.
Com minha esposa, era ainda pior. Eu traía a pobre em quase todas as minhas viagens. Muitas vezes meus trabalhos duravam quase que um mês, e eu simplesmente não conseguia viver sem sexo, e praticava tal ato ridículo com qualquer mulher que eu visse na viagem. O pior de tudo, é que fazia aquilo tudo com a consciência limpa, pois imaginava que minha esposa nunca iria descobrir. Eu era um lixo que descumpria seu votos matrimoniais; um lixo que desrespeitava a família. E foi em uma dessas viagens que algo aterrorizante me aconteceu, e creio que provavelmente fora um castigo divino.
Certo dia, recebi uma ligação da empresa, disseram que eu iria levar uma carga do Rio Grande do Sul (meu estado natal) até a Bahia. Já havia feito esse trajeto antes, achava que ocorreria tudo bem. Seria mais uma daquelas viagens regadas a café para me manter acordado, lanchonetes baratas e varias garotas de programa que eu encontraria na beira da BR para saciar meu grande apetite sexual.
Já tinha visto muitas coisas estranhas em rodovias durante esses meus quase vinte anos de profissão, porém nunca dei bola, pensava sempre que era alucinações por falta de sono. Mas nessa viagem acontecera algo que me dá arrepios até hoje quando recordo.
Depois de alguns dias de viagem, cheguei em Minas Gerais, estado que eu gostava bastante por sinal. Faltava poucos quilômetros para chegar em uma cidadezinha chamada São José de Minas, uma das milhares de cidadezinhas do estado. Porém quando cheguei no KM 252 da rodovia, avistei algo que seria minha perdição, eu vi uma bela moça na beira da estrada, ela estava pedindo carona.
Aquilo me animou, eu ainda não havia transado desde que sai do sul, e imaginei que iria conseguir uma boa foda com aquela bela moça. Estacionei a carreta, e perguntei para onde ela queria ir. Com o rosto cabisbaixo, respondera dizendo que queria uma carona até sua casa, e que se eu a levasse, ela me daria uma boa recompensa em sua casa. Com minha cabeça debaixo latejando de tesão e falando mais alto que minha tola consciência, a deixei entrar em minha carreta, e seguimos viagem.
A moça usava um vestido branco, tinha longos cabelos negros e belos olhos esverdeados como esmeralda. Era uma moça muito linda. Dentro da carreta, minha perversão começava a desabrochar, vi que a moça tinha belas pernas, e comecei a alisa-las. Eu falava coisas bem picantes; típicas de um tiozão tarado. Ela parecia não estar gostando de minhas carícias, não falava absolutamente nada. Estava com uma expressão bem séria.
A viagem ia seguindo, e comecei a lhe fazer perguntas, perguntei o porque de uma bela moça como ela estar em uma rodovia aquela hora da noite. Mas infelizmente não obtive muito sucesso, ela apenas dizia que queria voltar para sua casa. Não fiz mais perguntas, o clima ficava cada vez mais estranho e pesado naquela carreta. E então, entramos na estranha e pequena cidade.
Chegando na cidadezinha, a moça me explicara onde ficava sua casa. Como disse antes, São José de Minas era bem pequena, e aparentava ter apenas uma avenida principal, e alguns "galhos" de ruas espalhados. A moça me dissera que sua casa ficava no final da solitaria rua principal, chamada de Rua Filipinas. Segui as instruções e parti com a moça. O fetiche que tinha até poucos minutos atrás pela moça, estava se tornando medo. Cada instante que passava, sentia algo estranho naquela mulher, seu rosto pálido estava me dando calafrios. Aquela expressão séria e bizarra gelava minha espinha. Confesso que queria deixar a moça o mais rápido possível em sua residencia, e partir rumo ao meu destino. Eu não estava me sentindo bem ao lado daquela mulher.
Então chegamos no local indicado, e me deparei com um velha casa abandonada. Aquela casa era sinistra, parecia aquelas casas macabras de filmes de terror no meio do nada. Descemos da carreta, e a moça me convidara para entrar. Confesso que pela primeira vez na vida, eu neguei a entrar na casa de uma bela mulher. Ela insistia, e eu recusava, parece que algo estava me aconselhando, talvez meu anjo da guarda, eu estava convicto que aquilo seria uma grande furada. Por fim, depois de negar por muitas vezes, eu a empurrei. Consegui me livrar daquela coisa; entrei rapidamente em minha carreta. Por um momento eu resolvi virar meu rosto, e para minha surpresa, a moça já não estava mais alí. Eu não podia estar louco, fora tudo real, não tinha como ela desaparecer daquele jeito.
Segui viagem com aquilo na cabeça, parecia que havia sido um aviso divino para eu parar com meus adúlterios. Agradeci e rezei bastante, pois só Deus saberia o que aquela coisa poderia fazer comigo. Aquela história me fez refletir bastante. Disse comigo mesmo, que ao chegar em meu lar, eu confessaria tudo a minha esposa. Eu contaria sobre todas as coisas terríveis que eu praticava longe de seus olhos. Eu iria me abrir, iria dizer que de agora em diante, eu seria um bom e responsável marido. Terminei minha entrega, e segui viagem de volta para o Sul bem convicto de minhas idéias.
Chegando em casa, me abri com minha esposa. Quase chorando, contei todos os meus deslizes, e também contei sobre a criatura que eu vira naquela terrível noite, mas nada adiantara. Minha esposa disse que sentia nojo de mim, me bateu, me xingou de várias coisas. Fiquei mal, porém ela tinha toda razão, quem por diabos aceitaria ser traída até por criaturas sobrenaturais? Meu sonho de me ajeitar, ter a família de volta, e viver felizes para sempre, fora por água abaixo.
Em um processo judicial, minha esposa conseguira o divórcio, e para aumentar mais ainda minha tristeza, ela também conseguira a guarda de nossos filhos. Minha vida simplesmente havia acabado. Fui perceber o valor de uma família só depois de perdê-la.
Hoje ando me afogando no álcool, e quase sempre penso em me matar. Estou muito arrependido de todas as coisas que eu fiz, mas infelizmente, sei que eles nunca irão me perdoar. Minha depressão fez com que abandonasse uma das minhas grandes paixões: que era dirigir minha velha carreta. Perdi quase tudo. Hoje em dia meu único companheiro é meu inseparável rádinho, onde passo várias horas acompanhando os noticiários, inclusive já está na hora de liga-lo:
"— Você está sintonizado na Rádio Vanguarda, a rádio número um em notícias. e agora vamos para os destaques: Caminhoneiro Goiano é encontrado morto em São José De Minas, seu caminhão fora encontrado no final da Rua Filipinas, mas até o momento, seu corpo ainda não foi encontrado."
Gostou da história? Deixe seu voto ou comente. :)
VOCÊ ESTÁ LENDO
Contos De Terror
HorrorColetânea que reunirá alguns pequenos contos de suspense e terror. Aqui você encontrará histórias sobre vampiros; lobisomens; demônios; fantasmas e etc. Você irá se sentir em uma pequena cidade do interior Brasileiro, daquelas bem carregadas de lend...
