Ontem eu apaguei mais uma vez como de costume e não lembro de quase nada da noite anterior. Ligo a TV e infelizmente eu vejo que mais uma pessoa fora assassinada cruelmente na cidade. Oh Deus, peço que tire essas coisas de dentro de mim. Eu não mereço isso, não quero matar mais gente inocente. Maldito fora aquele dia em que o Carlinhos me chamara para caçar naquela floresta. Se eu pudesse voltar no tempo, naquele dia, eu não colocaria nunca meus pés para fora de casa.
Carlinhos e eu costumávamos caçar em média umas 2 vezes ao mês. Ao lado de nossos bons cães, caçávamos animais variados, de grande e de até pequeno porte. Muitos acham e achavam que era uma grande crueldade com os próprios, e era a mais pura verdade. Matávamos os pobres pelo simples fato de gostar mesmo da prática, de sentir o coitado se contorcer após uns bons tiros em seus corações e cabeças. Quase nunca comíamos da carne ou nos aproveitavamos de qualquer parte dos pobres bichinhos. Confesso sinceramente que morrerei me arrependendo de todos esses feitos. Isso que está acontecendo comigo pode ser algum castigo, a mãe natureza pode estar se vingando, mas creio eu que essa maldição está vindo de outro planeta.
E depois de alguns dias planejando todos os detalhes com Carlinhos, enfim chegara o grande dia da maldita caçada, o dia de nossa perdição para ser bem claro. Era sábado, estávamos de folga, portanto teríamos o dia todo para organizarmos nossas coisas para a caçada. Acordei cedo e carreguei minha velha espingarda, reservei bastante cartuchos e os guardei na minha velha bolsa de couro. Afiei bem minha faca e alimentei bem meus três melhores cachorros, pois eles iriam gastar bastante energia naquela noite. Tínhamos a intenção de caçar a noite toda. Iriamos varar madrugada adentro, e quiçá caçaríamos os pobres bichinhos até o sol raiar. Mas infelizmente algo aterrorizante estaria para acontecer naquele maldito dia.
O relógio marcava 20:30, horário combinado para sairmos rumo a caçada, e logicamente tentar não ser visto por alguma autoridade, pois eles eram rígidos quanto a essa prática, e se fossemos pegos corríamos um grande risco de pegar uma boa pena na cadeia ou de levar uma multa bem gorda. Carlinhos chegara em minha casa ás 20:35, estava como de costume com suas velhas tralhas e seus dois melhores cães. Assim como eu, ele estava bastante ansioso para aquela noite. Dizia que queria quebrar seu recorde pessoal; brincava que mataria até Deus se ele aparecesse em sua frente em meio aos arbustos da mata. Estávamos prontos para a nossa caçada, que infelizmente seria a nossa última. A mata ficava mais ou menos uma hora e meia de distancia de nosso bairro, e iríamos a pé, seria melhor para colocar alguns causos e conversas em dia. O local que iríamos era um misto de mata atlântica e cerrado, bioma típico do nosso estado de Minas Gerais, ou seja, havia uma grande diversidade de animais habitando ali. Munidos de nossas armas, de nossos cães e de um bom litro de whisky; partimos rumo a infeliz a caçada.
Nossa caminhada até a mata fora marcada por muitas histórias e goles de whisky. O papo fora tão descontraído que chegamos na maldita floresta num piscar de olhos. Fizemos uma rápida pausa para organizar as ultimas coisas, e então nos dividimos. Cada um foi para um lado diferente. Prometemos nos encontrar as cinco da manhã na área mais aberta da floresta onde havia um campo, e possivelmente comemorando nossas matanças. Mas infelizmente não fora bem assim. Comecei minha caçada como de costume, atento a todos os movimentos que se passavam na floresta. Qualquer barulho anormal eu estaria mandando bala e soltando meus cachorros; independentemente do bicho que fosse. Carlinhos estava do outro lado da mata, e eu também estava atento para ouvir os tiros de sua espingarda, pois não queria ficar atrás dele; estávamos apostando quem mataria mais bichos, sendo que um dos critérios seria o tamanho, portanto estava torcendo para que aparecesse um grande animal em minha frente. A caçada estava normal como sempre para mim, mas algo estava errado comigo, um mau pressentimento surgiu do nada. Eu estava com um medo que nunca havia sentido antes; algo ruim estava para acontecer.
As horas iam passando e meu medo continuava a crescer. Eu não era um cara medroso, longe disso, e aquela floresta nunca havia me assustado. Houve ocasiões em que cacei sozinho naquela escuridão e nunca havia acontecido algo de anormal. O meu medo e nervosismo era tanto que desperdicei vários tiros em tatus, gambás entre outros bichos que agora não lembro; errei tudo. Para se ter uma ideia; já era 02:00 da manhã e eu não havia matado um mísero rato sequer. Mesmo com meu grande nervosismo; houve varias vezes em que ouvia os tiros e gritos de alegria de Carlinhos, aparentemente ele estava se dando muito bem em sua caçada, mas nada que me deixasse com inveja, pois minha cabeça não estava boa no momento para invejar seus prêmios de caça. Só queria que chegasse logo a hora marcada para finalmente voltar para minha casa; eu estava mal naquela noite.
Olhei em meu relógio e vi que se aproximava das 04:00 horas. Eu já havia parado de caçar, estava paralisado no meio da floresta, já não tinha mais nenhum ânimo. Então, eis que vi uma luz forte vinda do campo, local que Carlinhos e eu combinamos de se encontrar. Pensei comigo que talvez Carlinhos também havia desistido de sua caçada e fora de encontro ao local marcado, pois de longe aquela luz se assemelhava bastante com a luz de uma lanterna. Também poderia ser algum outro caçador; seria bom encontrar alguém para conversar e refrescar minha cabeça, talvez até acabaria com meu espanto. Então, peguei meus cachorros e fui em direção a misteriosa luz; sendo essa a pior escolha que já fiz em toda a minha vida.
Na medida em que eu me aproximava, eu percebia que a tal luz não se parecia em nada com a lanterna de algum caçador. Poderia ser alguma lanterna moderna, mas a luz agora se dividia em três, num formato semelhante a de um triângulo; era quase improvável daquela luz ser emanada por algum objeto de um ser humano, mas mesmo assim continuei. O meu medo de outrora, agora estava se transformando em uma grande curiosidade, queria porque queria descobrir o que era que estava emitindo aquela luz. Então desci um barranco, e finalmente cheguei no campo, andei mais um pouco e vi ali uma coisa impressionante: o que descobri ali fora praticamente a minha sentença de morte e também a de várias pessoas.
Cheguei no local da luz. Ela vinha de um objeto muito estranho, parecia uma bola oval de futebol americano. Sua cor era um prateado vivo, e as luzes saiam de três furos, todos em diferentes lados da coisa. Meus cachorros estavam tremendo de medo, parecia que estavam me dando um alerta, estavam em choque. Meu medo havia sumido completamente, algo naquele objeto estava me fascinando. Resolvi pegar o misterioso objeto para fazer uma breve análise até a chegada de Carlinhos. Eu o girava de vários lados, tentava descobrir como era possível um objeto tão pequeno emitir aquelas luzes. Confesso que fiquei uns 10 minutos tentando decifrar o maldito objeto, porém algo aterrorizante aconteceu: uma luz parecida com um raio atingira meus olhos. A minha vida acabara a partir desse momento.
Depois daquele forte raio eu apaguei. Acordei misteriosamente deitado em minha cama. Aquilo não poderia ter sido um sonho, eu recordava de quase tudo até o momento daquele grande feixe de luz em meu rosto. Levantei-me da cama bastante confuso, tomei um banho e fui procurar meus cachorros para ter uma confirmação se aquilo da noite passada havia sido mesmo real. Não encontrei nenhum, eles haviam desaparecido. Então fui ligar para Carlinhos, mas ninguém atendera o telefone. Ligo a televisão e vejo uma reportagem ao vivo sobre um corpo encontrado na floresta, e para minha surpresa era o de Carlinhos. Sua cabeça havia sido explodida. Seus miolos estavam espalhados por vários locais. Aquilo não era obra de um animal e tampouco de algum ser humano. Fui correndo para o local, e para aumentar mais ainda minha dor; meus cachorros também haviam sido mortos da mesma forma; todos com suas cabeças estouradas.
Fiquei muito chateado, meu melhor amigo e meus cachorrinhos haviam sido mortos covardemente. Como era de se esperar, fui interrogado pela polícia. Dei minhas explicações, disse que havia visto Carlinhos apenas no início da nossa caçada. Eles estão investigando a morte de meu amigo, e tudo está indicando que fora eu mesmo o causador de sua morte e da morte dos cachorrinhos,e provavelmente serei preso. Mas quero acabar com tudo isso. A mesma arma que tirou a vida de vários animais também tirará a minha nessa noite. Eu não quero matar mais ninguém, não quero mais ser usado por eles. Está muito na cara que eu sou esse maldito assassino, pois as vezes eu ouço algumas vozes estranhas em minha cabeça, eu apago, acordo no dia seguinte, ligo a televisão e vejo que alguém teve a cabeça explodida.
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Contos De Terror
TerrorColetânea que reunirá alguns pequenos contos de suspense e terror. Aqui você encontrará histórias sobre vampiros; lobisomens; demônios; fantasmas e etc. Você irá se sentir em uma pequena cidade do interior Brasileiro, daquelas bem carregadas de lend...
