Rafaela: Luan vem pra cá agora -berrava com ele no celular.
Luan: pra que?
Rafaela: por nada, só vem.
Desligo o celular com raiva e me sento na cama aos prantos. Como eles podem ter se esquecido de mim tão rapido? Me descartaram como se eu fosse um nada, um lixo. Meu ódio só aumentava, minha vontade de esmurrar a cara de alguém era grande e a tristeza só aumentava no meu coração.
Ouço alguém bater na porta, mas não pode ser o Luan ele não teria chegado tão rápido afinal ele me disse que estava na casa dele ainda. Penso que pode ser a Maria então cubro meu rosto com uma almofada e me deito rapidamente.
Rafaela: pode entrar -tentando normalizar a voz.
Maria: ta tudo bem? Ouvi você gritar.
Rafaela: ta sim, eu só quero ficar sozinha.
Maria: é com o Luan? -pude senti-la sentar ao meu lado.
Rafaela: você é surda? Sai do meu quarto. -gritei e sentei na cama, quando notei a estranheza dela ao me ver com a cara de choro então tentei me esconder.
Maria: Rafaela, você ta chorando? -espantada
Rafaela: sim eu to chorando, por que? As pessoas pensam que eu não choro, mas eu choro sim, eu sou humana e tenho sentimentos sabia?
Maria: Rafaela o que ta acontecendo?
Rafaela: Nada sai daqui -berro
Maria: mas...
Rafaela: sai daqui.
Sob protestos dos meus gritos ela sai do quarto e eu desabo novamente. Fico perdida no meu choro até que alguém bate na porta.
Rafaela: eu não quero falar com você, sai -grito
Luan: você me chama aqui e não quer conversar comigo?
Rafaela: Luan.
Saio rastejando pela cama e em seguida me atiro nos braços dele. Me afundo em seu peito e choro ainda mais. Ele afaga meus cabelos por um tempo e em seguida me solto.
Luan: que foi? Por que você ta assim?
Rafaela: os meninos -pausa por conta do soluço- eles me tiraram da banda
Luan: ué Rafa, por que?
Rafaela: por que eles são uns idiotas, não agradecidos.
Luan: ô minha linda, não fica assim -me abraça novamente- você era a alma daquela banda, sem você eles não vão ser nada
Rafaela: será?
Luan: claro, tenho certeza que não vai dar um mês e vão estar os quatro e joelhos na sua porta te pedindo pra voltar
Luan tinha razão, por mais que eles tivessem bancando os rebeldes sem causa agora, mais cedo ou mais tarde eles vão querer eu devolta.
Luan: ta mais calma?
Rafaela: to -dando os últimos soluços
Luan: então minha função aqui já acabou?
Rafaela: não. Eu quero sair. Se eu ficar em casa vou chorar mais.
Luan: quer que eu vá junto?
Rafaela: sim, vem -puxo pela mão.
Por mais que o Luan não quisesse ir, eu insisti pra que fôssemos a pé. O local onde eu queria ir não era tão longe do meu apartamento e não tinha necessidade alguma de pegar carro pra ir até lá.
Chegamos no rock pub uns cinco minutos depois, levariamos menos se o Luan não viesse se arrastando como uma lesma. Abro a porta e vou direto onde está o bartender. Peço duas doses de vodca bebo uma e entrego outra ao Luan.
Rafaela: uma de whisky por favor
Luan: Rafaela calma.
Rafaela: obrigada -agradeço ao garçom e em seguida viro o copo- me da outra por favor.
O bartender faz que sim com a cabeça e prepara outra dose pra mim.
Rafaela: vai tomar isso aqui? -me refiro ao Luan
Luan: acho melhor não -empurra o copo
Rafaela: aham -pego o copo dele e bebo e em seguida beberico o que o garçom traz- por que tudo é tão complicado?
Luan: não sei, mas bebendo assim não vai facilitar nada
Rafaela: Luan, você já percebeu como as coisas acontecem comigo?
Luan: é só uma fase Rafa, vai passar.
Viro mais um copo e peço outro ao moço, Luan pede pra ele dar "uma segurada" mas eu insisto que estou bem e ele traz.
Começo notar que o pessoal que trabalha e frequenta o bar estranha a presença do Luan, mas não acho estranho pois como o próprio nome fala é um bar para rockeiros, na verdade não creio que fosse essa a intenção de quem o criou mas por conta da decoração e músicas que tocam no interior do bar, pessoas que se identificam começaram a frequentar.
Um menino chega perto de nós encarando o Luan, ele fala algumas coisas e pra não dar discussões eu interfiro.
Rafaela: ei, ei deixa ele -digo pro rapaz
Menino X: caraca você é a Rafaela?
Rafaela: sim sou eu -desconfiada
Menino X: nossa eu sou muito seu fã.
Ele começa a falar sem parar e fala sobre tudo. Sobre mim, sobre minhas músicas, sobre em que momento começou ouvi-las, sobre o quanto era legal me conhecer. Eu não raciocinava direito enquanto ele falava e só assentia com a cabeça e sorria pra ele não perceber que eu estava bêbada, nessa altura eu já nem lembrava mais da presença do Luan, mas ele logo me segura pelo braço e pede pra mim parar de beber. O menino com a camiseta de uma banda sente um clima diferente e sai.
Rafaela: Luan meu querido -coloco as duas mãos no seu rosto- me deixa eu to bem
Eu sabia que eu não estava, mas por nada nessa vida eu admitiria isso ao Luan. Mesmo com a fala mole eu tentava me manter em pé.
Luan: não ta, não. Vem comigo você precisa pegar um ar.
Rafaela: me deixa
Ele aperta meu braço e sai me puxando até fora do bar. Lá ele me escora na parede e começa a falar, por mais que eu quisesse prestar atenção eu acaba dispersando.
Rafaela: Luan, eu to bem.
Luan: Não você não ta -grita.
Rafaela: você ta bravo comigo? -os olhos cheios de lágrimas.
Ele suspira fundo e me abraça.
Luan: não, eu só fiquei um pouco alterado.
Eu dou um abraço apertado nele e juro que consigo sentir seu coração bater junto com o meu.
Rafaela: Luan?
Luan: fala princesa
Rafaela: quer fazer minha noite ficar melhor?
Luan: que?
Rafaela: Nada -sussurro
Encosto meus lábios nos dele e começo a beija-lo, ele corresponde colocando suas mãos na minha cintura e apertando de leve. Nesse momento esqueço de tudo que me fez mal naqueles últimos dias e mesmo sabendo que vou me arrepender depois, me entrego ao momento.
Desculpa pela demora pra postar esse capítulo, espero que gostem!
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Contrato - Luan Santana
RomantikaSe houvesse um prêmio para histórias complicadas essa aqui com certeza estaria no top 3. Rafaela com seus 20 anos nunca sentiu um amor que lhe causasse frio na barriga. Cantora em uma banda de garagem terá a chance de mudar sua vida e a de seus trê...
