Luan: vai Tainá, depois a gente conversa. - ele falava tão paciente com ela que eu comecei a sentir raiva.
Tainá: ta bom, tchau - ela parecia triste, foi embora de cabeça baixa e passos curtos. Me soltei do Luan e o encarei.
Luan: você ta enlouquecendo, por que tratou ela assim? - se virou pra mim lentamente e falou de cabeça baixa
Rafaela: queria que eu tratasse como? Ah oi, prazer em conhece-la, você é a outra do meu namorado? - fui irônica
Luan: nós não temos nada - gritou e eu me assustei, Luan sempre se importou com a família dele e agora parece que ele foi irracional.
Rafaela: Luan. - me aproximei dele bem devagar - calma, sua família pode ouvir.
Luan: eu to cansado disso. Cansado de tudo isso.
Ouvir aquelas palavras foi como dar uma facada no meu coração, meus olhos marejaram. Ele continuou de cabeça baixa enquanto eu procurava seus olhos.
Rafaela: Luan - minha voz estava triste, trêmula. Como a chorasse. - você ta cansado de mim?
Luan: ai Rafaela - me abraçou e soltou um longo suspiro - porque você é assim? As coisas podiam ser tão diferentes.
Eu não queria mais chorar, já prometi várias vezes que não faria. Mas eu me sentia tão vulnerável, tão incapaz.
Eu estava pronta pra dizer tudo que estava sentindo pra ele. Dizer que eu estava doente e que todos os sintomas apontavam paixão e que era por ele. Explicar que não foi culpa minha, que as vezes eu não mando no que eu sinto e que eu tentaria deixar de gostar dele. Mas fomos interrompidos pela Bruna meio reticente que se aproximou de nós.
Bruna: desculpa interromper - veio sorridente mas o jeito que nos olhava entregava que estava assustada - a mãe ta chamando vocês lá dentro.
Luan: já vamos - ele me soltou e no meio disso fungou. Será que estava chorando?
Ele saiu caminhando na minha frente e eu segui pouco atrás, entramos dentro de casa e fomos bombardeados pelos olhares curiosos da família do Luan.
Marizete: sentem aqui - ela era tão doce, seu Amarildo estava sentado ao seu lado e a Bruna já tinha saído da sala. Sentamos no sofá e ficamos de frente pra eles. - como vocês tao?
Luan: bem mãe - ele estava triste, cabisbaixo. Meu coração se partia ao ver ele assim.
Marizete: vocês tavam brigando, né? -a forma doce que ela falava me deixava calma, lembrava minha mãe.
Luan: é normal, né? Casais brigam - ele pareceu bravo, conhecendo bem o Luan ele achava que tavam invadindo seu espaço.
Amarildo: sim meu filho, é normal. Por isso chamamos vocês aqui. - eles eram tão queridos.
Marizete: sabe porque o meu casamento e do seu pai dura tanto? - ele desviava o olhar, mas eu olhava atenta - nós sempre resolvemos nossos problemas entre nós. Não sei se vocês repararam. Mas vocês estavam gritando, vocês como duas pessoas públicas acabam dando brecha pra pessoas falarem de vocês.
Luan: é mãe, mas talvez a Rafaela e eu não vai durar tanto - ele levantou do sofá irritado e subiu as escadas, fiquei ali no sofá de cabeça baixa entercalando entre vergonha e tristeza por estar naquela situação.
Eu tinha uma vontade enorme de ir embora, mas os pais do Luan me encorajaram a ir no quarto dele conversar e mesmo meio contra a minha vontade eu fui. Bati na porta e ele mandou eu entrar. Ele estava ao telefone, quando eu entrei ele desligou.
Luan: ta fazendo o que aqui? - olhava pro celular.
Rafaela: seus pais pediram pra mim vir aqui ver você - estava um pouco constrangida, a reação dele me pegou de surpresa.
Luan: foi só por causa deles? -continuou no celular - você não se importa comigo.
Rafaela: ah para de drama garoto. Com sua atitude lá embaixo nem era pra eu ter vindo mesmo.
Luan: você que sabe.
Ele não desgrudava daquele celular e aquilo estava me incomodando, desde que eu entrei aqui no quarto, ele nem olhou pra mim. Num momento de irracionalidade peguei o celular da mão dele e fui ver o que ele estava fazendo. Pra minha surpresa ele estava conversando com uma mulher, mas não a que estava aqui anteriormente, era bem diferente.
Rafaela: quantas você tem agora? - indaguei em meio a gritos com o celular na não.
Luan: quantas eu quiser. - veio pra cima de mim - me devolve isso aqui.
Não sei o que deu na minha cabeça, na verdade acho que nada. Eu estava com muita raiva e não gosto de agir assim. Nem me dei por conta, mas atirei o celular dele na parede com tanta raiva que ele caiu aos pedaços no chão, só com o estouro que ele deu que eu fui me dar por conta da besteira que acabara de fazer.
Rafaela: Luan, desculpa - estava realmente arrependida, ele olhava pro celular em cacos no chão e não me respondia, comecei a ficar nervosa. Ele não tinha esboçado nenhum tipo de reação - Luan.
Luan: olha o que você fez... - olhava pro celular.
Rafaela: eu sei, eu to ficando louca. Me desculpa - comecei a chorar sem parar.
Meu choro era de sentimento, não queria ter chegado naquele extremo, agora mais que nunca estou com vergonha. Ao ouvir meu pranto Luan me olha, minha vergonha era tanta que não consegui sustentar o olhar e abaixei a cabeça. Mas numa reação surpreendente Luan me abraça apertado.
Luan: não chora, por favor. Eu odeio ver você chorar. Parte meu coração. - sussurrou no meu ouvido.
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Contrato - Luan Santana
RomanceSe houvesse um prêmio para histórias complicadas essa aqui com certeza estaria no top 3. Rafaela com seus 20 anos nunca sentiu um amor que lhe causasse frio na barriga. Cantora em uma banda de garagem terá a chance de mudar sua vida e a de seus trê...
