- Você é bem descarada em aparecer aqui, não é? - Luan ralhou comigo.
- Por que? Minha concunhada está dando uma festa e meu namorado - Dei ênfase na palavra namorado. - Me convidou pra vir. - Ele ia falar algo mas interrompi. - E se quer saber? Fui muito bem recebida pela Bruna.
- Você me da nojo Rafaela. - Ele fez uma cara desagradável.
- Não muito diferente do que sinto por você. - Sorri ironicamente, tendo a certeza que não era exatamente isso que eu sentia por ele.
Caio apareceu nessa hora trazendo consigo dois copos, entregou um a mim e num impulso eu passei um braço nas costas dele o agarrando.
- Ta tudo bem aqui? - Ele indagou desconfiado.
- Luan apenas veio me cumprimentar. - Sorri pro Luan.
- É cara. - Luan falou parecendo mais calmo. - Como você está?
- Bem e você? - Caio apertou a mão de Luan.
- Ótimo! Bom vou indo ali no pessoal, foi bom ver vocês. - Ele acenou e saiu.
Eu sorri vitoriosa, Luan saiu cabisbaixo e não que vê-lo assim me deixasse feliz, pelo contrário, mas gostava da ideia dele me ver bem, e com outro.
- Vocês são amigos? - Caio me perguntou com uma sobrancelha arqueada.
- Amigos é um exagero. - Respondi.
- Parecia que sim. Ele até veio te cumprimentar.
- Ah, Lindo. Luan e eu não brigamos, somente isso. - Menti.
- Ah, legal. - Ele sorriu.
Suspirei aliviada e continuamos conversando. Conforme o relógio andava mais animada a festa ficava, então Caio me convidou pra ir dançar.
Se tem uma coisa que eu gosto, essa coisa é dançar. Não que eu dance bem, mas é que se mexer ao som de uma música é algo incrível.
Eu me distraí um pouco enquanto dançava e parei de prestar atenção no Luan, me esqueci completamente da presença dele ali, da presença dele, do Caio e de todas as pessoas, era como se fosse somente eu e a música naquele momento. Mas de repente abri os olhos e vi a cena mais triste de todas: sob a nuvem de fumaça avistei Luan beijando outra menina. Era como se meu coração tivesse se partido, e nesse momento a música voltou a ecoar nos meus ouvidos, as outras pessoas voltaram também.
Meus olhos se encheram de lágrimas e eu praticamente ouvia meu coração pulsar. Mas o sangue ferveu quando ele soltou ela e sorriu pra mim. Ele estava fazendo isso pra me provocar, e eu não ia deixar barato. Puxei o Caio pra um beijo tão intenso quanto o que ele estava dando na menina.
- Ficou louca Rafaela? Eu vi, eu vi você olhando pro Luan. Sei que você ta fazendo isso somente pra afetar ele, eu vi... - Ele gritou me afastando dele.
- Caio não... - Pedi com os olhos marejados.
- Você não presta. - Ele disse por fim saindo do local da festa.
Eu fui atrás dele, óbvio. Eu não ficaria ali vendo alguém que gosta tanto de mim indo embora com o coração partido, mas quanto mais eu corria pra alcança-lo, mais ele se afastava de mim.
- Caio, por favor espera. - Tirei meus sapatos e joguei longe. - Porcaria de saltos.
- Esperar pra que? Pra você me dizer um monte de mentiras? - Ele gritou.
- Não. Deixa eu te explicar.
- Rafaela, na boa, - parou e virou pra mim.- me deixa em paz.
Eu não tive nem o que dizer, fiquei ali parada vendo ele se afastar de mim e de repente me senti vazia, triste, só e mais uma vez a culpa é do Luan e de tudo que ele me causa.
Voltei atrás e juntei meus sapatos caídos no chão, tentei coloca-los mas desequilibrei e quase cai no chão, então desisti e fui descalça pra casa mesmo.
Quando cheguei em casa atirei meus sapatos no chão e fui até a adega, peguei uma garrafa de whisky e um copo, me atirei no sofá e afoguei minhas lágrimas, e eram lágrimas de verdade. Sentia elas correrem quente pelo meu rosto e provavelmente estavam borrando minha maquiagem.
Peguei o celular e liguei pra Maria, seria bom desabafar com alguém agora. O celular tocou e rapidamente ela atendeu.
- Rafaela eu vou matar você. Tô na casa de um menino lindo e bem na hora boa você me liga? Eu to escondida dentro do banheiro e tudo é culpa sua. - Ela me xingava baixinho.
- Ah sim, claro. A culpa sempre é minha. - disse fungando.
- Você ta chorando? Aposto que bebendo também, né? Que merda você fez agora? - Ela falou num tom autoritário.
- Porque você acha que sou eu?
- Por que sempre que você faz alguma cagada você me procura e sempre chorando. - Ela disse e eu ri.
- O Luan. - Desabei chorando.
- O que ele fez agora? - Ela disse visivelmente incomodada.
- Fez eu brigar com o Caio! - Eu chorava como uma criança mimada.
- Tem certeza que ele fez isso?
- Ok, não. Não foi bem assim. - Cedi.
- Ta amiga. Entendi tudo. Amanhã você me liga, meu gatinho ta me esperando agora...
- Não, espera. - gritei. - Eu preciso desabafar.
- Ta, tá... - Ela aceitou.
- Ele tava na festa que eu fui, que era da irmã dele na verdade. Aí ele beijou outra menina. - A campainha tocou e eu fui atender. - Mas foi só pra me provocar, aí eu beijei o Caio também e ele ficou bravo e foi embora.
- Eu falei que não era legal brincar com os sentimentos dos outros, não falei? - Ela me advertiu.
- Eu sei, mas eu não podia ficar vendo ele se esfregar em qualquer uma pensando que pode me provocar. - Disse chegando perto da porta.
- E conseguiu né. Ele sempre consegue. Por que será né? Será que você não é apaixonada por ele?
- Ai bem menos né. Foi só um deslize. - Abri a porta e fiquei boquiaberta por quem encontrei ali. - Luan?
- Luan, sempre Luan. O quê? Luan está ai? Fica ai com ele e deixa eu curtir meu boy. E não me liga mais. - Ela cuspiu as palavras e desligou o celular.
Luan me olhava do batente da porta com uma expressão divertida. De repente minha respiração descompassou e as palavras fugiram da minha boca.
- Maria, Maria? - Chamei minha amiga mesmo sabendo que ela tinha desligado. - A Maria desligou o celular. - Disse com o celular na mão.
- Já ligou pra suas amigas pra falar mal de mim? - Indagou-me.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Contrato - Luan Santana
RomanceSe houvesse um prêmio para histórias complicadas essa aqui com certeza estaria no top 3. Rafaela com seus 20 anos nunca sentiu um amor que lhe causasse frio na barriga. Cantora em uma banda de garagem terá a chance de mudar sua vida e a de seus trê...
